Rio
Greve dos rodoviários segue no Rio; nova audiência será apenas na próxima segunda-feira (6)
Com a greve mantida, usuários do transporte público continuam enfrentando dificuldades para se deslocarem pela cidade. Nova audiência será realizada na próxima semana
A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro continua sem previsão de encerramento. Em assembleia realizada nesta terça-feira (30), a categoria decidiu manter a paralisação após uma reunião marcada por confusão e divergências entre os trabalhadores.
Após o encontro, os trabalhadores seguem em passeata pela Avenida Antônio Carlos, no Centro do Rio. Durante o protesto, eles também bloquearam a Rua Santa Luzia, causando impactos no trânsito da região e reforçando a mobilização em defesa da continuidade da greve.
Imagens da Super Rádio Tupi mostram também o momento em que motoristas tiram as chaves dos ônibus. Confira:
Em assembleia, os rodoviários rejeitaram a proposta de estado de greve, que previa a suspensão da paralisação e o retorno ao trabalho nesta quarta-feira (1º) sem desconto dos dias parados, decidindo manter a greve. Mais cedo, em audiência no TRT, o Rio Ônibus ofereceu reajuste salarial de 4,39% e afirmou que não faria nova proposta, enquanto o Sindicato dos Rodoviários defendeu um aumento de 17%, dividido em duas parcelas. Sem consenso entre as partes, as negociações foram suspensas.
Segundo relatos iniciais, alguns manifestantes depredaram ao menos cinco ônibus no Centro do Rio após a decisão de manter a greve dos rodoviários, tomada em assembleia. Passageiros foram obrigados a desembarcar dos coletivos antes de os veículos serem vandalizados, com retrovisores quebrados e outros danos.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários afirmou que os atos partiram de um grupo de trabalhadores e não representam uma ação organizada pela entidade.
Eduardo Cavaliere cobra 80% da frota e critica paralisação
Em entrevista à Isabele Benito, o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a Prefeitura do Rio não participa das negociações sindicais entre patrões e funcionários, mas atua juridicamente para garantir o serviço essencial.
Cavaliere lamentou o descumprimento de ordens judiciais pelos ônibus comuns e defende que ao menos 80% da frota esteja em circulação para reduzir os impactos aos trabalhadores cariocas.
Nova audiência será realizada na próxima semana

Por recomendação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), uma nova rodada de negociação entre rodoviários e empresários foi marcada para a próxima segunda-feira (6). O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a expectativa é de que o encontro resulte em uma proposta capaz de encerrar a greve, considerada legal pela Justiça.
“Esperamos sinceramente que, na próxima audiência, o TRT contribua para uma solução definitiva, para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O reconhecimento da legalidade da greve é uma grande vitória para a categoria, pois demonstra que a Justiça compreendeu as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores ao longo dos anos, como salários defasados, falta de estrutura nos terminais, ausência de banheiros e bebedouros, além do aumento da violência”, declarou.
Segundo Sebastião, o sindicato também encaminhou ofícios ao Rio Ônibus, à Prefeitura do Rio e aos consórcios de empresas solicitando o envio da escala de operação necessária para o cumprimento da tutela de urgência operacional determinada pela Justiça. Até o momento, de acordo com ele, não houve resposta por parte dos empresários.
Enquanto isso, passageiros seguem enfrentando transtornos no transporte público. Em terminais como o Terminal Gentileza, usuários relataram longas filas e espera prolongada por ônibus. Segundo relatos, algumas linhas circularam com frota reduzida e os veículos já saíam lotados desde as primeiras horas da manhã. Os serviços de trens, metrô e barcas continuam operando normalmente.
Principais Reivindicações dos Rodoviários do Rio
Conheça os pontos-chave que levaram à paralisação do transporte público na cidade.
Salários almejados
Motoristas de articulados e demais pedem R$ 5 mil e R$ 4 mil, respectivamente, como novos salários base.
Tíquete-alimentação
A categoria reivindica um tíquete-alimentação no valor de R$ 1 mil.
Jornada de trabalho
Exigem jornada 5×2 e a manutenção do passe livre para todos os rodoviários.
Contratação justa
Demandam o fim do contrato temporário e contratação CLT para os profissionais do BRT.
Benefícios essenciais
Pedem plano de saúde e odontológico, além de indenização pelo intervalo de almoço.
Nova data-base
Busca por alteração da data-base da categoria para 1º de março.
Rio Ônibus critica continuidade da greve
Em nota, o Rio Ônibus informou que participou de uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na qual foi aprovada uma proposta que previa, entre outros pontos, a suspensão imediata da greve. Segundo o sindicato patronal, a expectativa era de retomada da operação para reduzir os impactos à população.
A entidade afirmou, porém, que o Sindicato dos Rodoviários não cumpriu o acordo e manteve a paralisação. Ainda de acordo com o Rio Ônibus, mais de 15 coletivos foram vandalizados no Centro do Rio e rodoviários que trabalhavam teriam sido agredidos durante atos ligados ao movimento. O sindicato repudiou os episódios de violência, disse confiar na mediação da Justiça do Trabalho e pediu o retorno imediato dos profissionais às garagens para restabelecer a circulação dos ônibus.