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A psicologia diz que pessoas que sentem prazer com o fracasso dos outros não são necessariamente más, mas podem estar revelando um sentimento que vai além da maldade
A psicologia mostra que o prazer pelo fracasso alheio pode revelar conflitos internos
Sentir um pequeno prazer diante do fracasso dos outros pode parecer algo cruel demais para admitir. Mas a psicologia mostra que esse sentimento nem sempre nasce de maldade pura. Muitas vezes, ele revela comparação, inveja, ressentimento, sensação de injustiça ou alívio por ver alguém considerado arrogante, privilegiado ou rival finalmente perder.
Por que alguém sente prazer com o fracasso alheio?
Esse sentimento costuma aparecer quando a queda do outro parece melhorar, simbolicamente, a posição de quem observa. Se uma pessoa se compara muito, sente que ficou para trás ou acredita que o outro recebeu vantagens injustas, o fracasso alheio pode trazer uma sensação momentânea de equilíbrio.
O problema é que esse alívio raramente resolve a dor real. A pessoa pode até sorrir quando alguém falha, mas a insegurança, a inveja ou a sensação de inferioridade continuam lá. A meta-análise publicada no Journal of Personality and Social Psychology mostra que a inveja maliciosa está especialmente ligada ao prazer diante do fracasso de quem era alvo de comparação.
Isso significa que a pessoa é má?
Não necessariamente. Sentimentos desagradáveis fazem parte da vida emocional humana. Uma pessoa pode sentir inveja, raiva, ciúme, comparação ou prazer secreto diante de uma derrota alheia sem ser uma pessoa cruel o tempo inteiro.
A diferença está no que ela faz com esse sentimento. Perceber a emoção, sentir vergonha dela e tentar compreendê-la é uma coisa. Celebrar a dor do outro, humilhar, espalhar comentários ou desejar sofrimento é outra. O sentimento pode ser humano. A repetição consciente da crueldade é que se torna preocupante.

Quais emoções costumam estar por trás desse prazer?
O prazer diante do fracasso alheio raramente aparece sozinho. Ele costuma vir misturado com emoções mais profundas, algumas antigas, outras ligadas ao momento vivido. Por isso, entender a raiz é mais útil do que apenas rotular alguém como mau.
Entre os sentimentos que podem alimentar essa reação estão:
- Inveja de quem parece ter mais sucesso, beleza, dinheiro ou reconhecimento.
- Rivalidade com colegas, vizinhos, familiares ou pessoas do mesmo grupo social.
- Ressentimento acumulado por comparações constantes.
- Sensação de justiça quando alguém considerado arrogante sofre uma queda.
- Baixa autoestima, que faz a derrota do outro parecer uma vitória pessoal.
Por que as redes sociais aumentam esse comportamento?
As redes sociais transformaram a comparação em hábito diário. A vida dos outros aparece editada, bonita, bem-sucedida e aparentemente sem falhas. Quando essa imagem perfeita racha, muita gente sente um alívio silencioso, como se a queda provasse que ninguém era tão superior assim.
Além disso, o ambiente digital facilita a crueldade em grupo. Comentários, memes, ironias e cancelamentos podem transformar o fracasso de alguém em espetáculo público. O que antes seria um pensamento passageiro vira curtida, compartilhamento e aprovação social.

Quando esse sentimento vira sinal de alerta?
O alerta aparece quando a alegria pelo fracasso dos outros se torna frequente, intensa ou necessária para a pessoa se sentir melhor. Se alguém só se sente aliviado quando o outro perde, algo importante pode estar mal resolvido na autoestima ou na forma de lidar com competição.
Alguns sinais merecem atenção:
- Torcer ativamente para que alguém fracasse.
- Sentir prazer quando uma pessoa sofre humilhação pública.
- Usar a queda alheia para espalhar boatos ou ataques.
- Comparar-se o tempo todo com a vida dos outros.
- Sentir incômodo quando pessoas próximas têm sucesso.
Como transformar essa emoção em autoconhecimento?
O primeiro passo é admitir a emoção sem se esconder dela. Em vez de pensar “sou uma pessoa horrível”, vale perguntar: por que o fracasso dessa pessoa me deu alívio? O que eu sinto que ela tem e eu não tenho? Que comparação está ferindo minha autoestima?
Essa reflexão muda o foco. O fracasso alheio deixa de ser entretenimento e vira espelho. Muitas vezes, o sentimento revela uma necessidade de reconhecimento, descanso, justiça, pertencimento ou autoestima. Quando a pessoa entende isso, pode parar de usar a queda dos outros como anestesia e começar a cuidar da própria vida com mais honestidade.
No fim, sentir prazer com o fracasso dos outros não transforma alguém automaticamente em uma pessoa má. Mas é um sinal emocional que merece escuta. Se esse prazer cresce, se repete e vira hábito, ele pode afastar a empatia e alimentar uma forma silenciosa de crueldade. Reconhecer o sentimento é o primeiro passo para não ser governado por ele.