Rio
Ônibus voltam a circular no Rio: veja como fica o transporte e os próximos passos da negociação
Após três dias de paralisação, ônibus comuns e BRT voltaram a operar com frota integral. A categoria suspendeu a greve, mas manteve o chamado "estado de greve"; entenda
Pontos de ônibus e terminais do Rio de Janeiro registraram alta oferta de veículos e poucas filas na manhã desta quinta-feira (2), um dia após os rodoviários decidirem, em assembleia, suspender a greve e retomar o trabalho. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) confirmou que ônibus comuns e o BRT voltariam a circular com frota integral a partir da meia-noite.
A paralisação havia durado três dias, com início à 0h de segunda-feira (29), e mantinha metade dos coletivos fora das ruas durante todo o período.
Pressão do TST pesou na decisão

A mudança de postura do sindicato foi influenciada por dois fatores. O primeiro foi a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que na noite de terça (30) elevou de 50% para 80% o percentual mínimo obrigatório de frota em circulação durante a greve, a pedido da Prefeitura do Rio. Em caso de descumprimento, a multa fixada ao sindicato seria de R$ 100 mil por dia.
O segundo fator foi o resultado de uma audiência de conciliação realizada na quarta (1º), quando o TRT e o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediram a suspensão da greve até a próxima rodada de negociações, marcada para segunda-feira (6). As empresas, por sua vez, se comprometeram a não descontar os dias parados nem o vale-refeição dos trabalhadores e a discutir um reajuste acima dos 4% oferecidos até então.
Suspensão da greve: os fatores que pesaram
Entenda as decisões e negociações que levaram ao fim da paralisação dos ônibus no Rio.
⚖️ Pressão do TST: O Tribunal Superior do Trabalho elevou a frota mínima obrigatória para 80%, sob risco de multa diária de R$ 100 mil por descumprimento.
🤝 Audiência de conciliação: TRT e MPT pediram a suspensão imediata da greve até a próxima rodada de negociações, marcada para o dia 6.
✅ Compromisso das empresas: As viações se comprometeram a não descontar dias parados e vale-refeição, e a discutir um reajuste acima dos 4% iniciais.
Votação acirrada na assembleia
A aprovação da suspensão não foi tranquila. Parte da categoria resistiu à proposta no início da assembleia, e o debate durou mais de uma hora antes de o presidente do sindicato colocar a questão em votação. A maioria aprovou o retorno ao trabalho, mas o sindicato mantém o chamado “estado de greve”, o que permite nova paralisação se as negociações não avançarem.
O impasse central envolve demandas dos rodoviários por reajuste de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e jornada de sete horas e meia. Os empregadores já concederam 4,39% de aumento e sinalizaram abertura para um percentual maior.
Demandas e negociações dos rodoviários
Os principais pontos em discussão entre sindicato e empresas para o fim do impasse.
| Demanda | Proposta dos Rodoviários | Resposta/Situação (Empresas) |
|---|---|---|
| Reajuste salarial | 17% | 4,39% (com abertura para percentual maior) |
| Piso salarial BRT | R$ 5 mil | Em discussão |
| Piso salarial outros | R$ 4 mil | Em discussão |
| Vale-alimentação | R$ 1 mil | Compromisso de não descontar vale-refeição |
| Plano de saúde | Solicitado | Em discussão |
| Jornada de trabalho | 7,5 horas | Em discussão |
Três dias de caos no transporte

O movimento deixou rastros. Na primeira manhã, quando uma liminar já exigia 50% da frota, cerca de 1.800 coletivos, menos de 1.000 veículos deixaram as garagens. As viações relataram que 50 ônibus foram vandalizados em piquetes. No Terminal Alvorada do BRT, passageiros chegaram a descer para a calha do sistema após longa espera.
Na terça (30), segundo dia de greve, mais veículos circularam, mas ainda abaixo do mínimo determinado pela Justiça. Uma tentativa de conciliação no TRT-1 terminou sem acordo, e rodoviários chegaram a se desentender com dirigentes do sindicato na porta do tribunal após uma votação inicial indicar o retorno ao trabalho, decisão revertida em nova consulta. Ao menos 15 ônibus foram depredados na sequência.
À noite, o Terminal Gentileza, na Região Portuária, registrou intervalos de até uma hora e meia entre os coletivos. Em dias normais, a espera máxima costuma ser de 15 minutos.