Botafogo
Botafogo evita exclusão do RCE com pagamento de última hora
Clube quitou duas parcelas em atraso, desembolsou R$ 3,98 milhões e manteve o plano de pagamento das dívidas trabalhistas
Botafogo evitou a exclusão do RCE após realizar, na noite da última segunda-feira (30), o pagamento de duas parcelas em atraso do Regime Centralizado de Execuções. O clube desembolsou R$ 3.980.000,00 pouco antes das 22h, evitando a exclusão automática do plano de pagamento das dívidas trabalhistas, mecanismo considerado fundamental para o equilíbrio financeiro.
O regulamento do RCE prevê que o clube não pode acumular três meses consecutivos de atraso. Antes do pagamento, o Botafogo tinha duas parcelas pendentes e corria risco de deixar o regime. Do valor total quitado, uma parcela foi de R$ 1.780.000,00, enquanto a outra chegou a R$ 2.200.000,00. Uma delas recebeu multa de 20%, enquanto a outra 50% por juros e correções monetárias.
Plano reduz dívida trabalhista em mais de R$ 38 milhões
O RCE foi aprovado pelos credores justamente para garantir que as dívidas trabalhistas sejam quitadas de forma organizada e sem descontos nos valores devidos. Desde o início do plano, o montante caiu de R$ 171.590.448,88 para R$ 133.045.235,00, representando uma redução superior a R$ 38 milhões.
Atualmente, o regime reúne 140 processos. Desses, nove já foram integralmente quitados. O maior pagamento restante é de R$ 6.119.880,39, enquanto o menor corresponde a R$ 2.011,21, demonstrando o avanço gradual do cronograma de pagamentos.
Manutenção do RCE é estratégica para Botafogo e credores
Além de evitar sanções, permanecer no RCE é considerado estratégico para todas as partes envolvidas. Para os credores, a permanência no regime garante o recebimento integral dos valores, sem necessidade de deságio, preservando as condições aprovadas judicialmente.
Por outro lado, a saída do Botafogo do RCE faria com que esses débitos fossem direcionados para a recuperação judicial, cenário que poderia ampliar o tempo de espera pelos pagamentos e alterar a forma de quitação das obrigações.
O entendimento do clube é que essas dívidas pertencem ao Botafogo de Futebol e Regatas (BFR) e não deveriam ser incorporadas ao processo de recuperação judicial. Entretanto, desde a constituição da SAF, a empresa assumiu a responsabilidade pelas obrigações financeiras do clube associativo, motivo pelo qual o cumprimento do cronograma do RCE é tratado como prioridade para evitar novos passivos, penhoras, multas e desgastes com os credores.