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Uma ilha para cada dia do ano: 365 ilhas e 106 praias formam um dos cenários mais deslumbrantes do Brasil
Um cenário de tirar o fôlego.
A Serra do Mar desce coberta de Mata Atlântica até encontrar um mar que oscila entre o azul-royal e o verde-esmeralda. Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro, guarda 365 ilhas espalhadas por uma baía que parece ter sido desenhada para a navegação perfeita.
Por que os portugueses escolheram este nome em 1502
O navegador Gonçalo Coelho chegou à baía em 6 de janeiro de 1502, dia de Reis Magos. O nome nasceu ali: angra significa enseada em português, e os Três Reis deram o complemento. A colonização efetiva veio décadas depois, em 1556, quando famílias vindas dos Açores se fixaram na enseada e criaram o primeiro povoado, segundo o site oficial de turismo de Angra dos Reis.
A cidade cresceu como porto colonial essencial para o escoamento de ouro, açúcar e café de Minas Gerais e São Paulo. O centro histórico ainda guarda esse passado em igrejas do século XVII, como a Igreja de Santa Luzia, de 1623, e o Convento do Carmo, fundado em 1625 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Um passeio a pé pelo centro leva cerca de duas horas, com placas indicativas guiando o visitante pelos casarões coloniais da Rua do Comércio e da Praça General Osório.

A Ilha Grande que a UNESCO reconheceu como patrimônio misto
Em 5 de julho de 2019, a Ilha Grande e Paraty foram reconhecidas pelo Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, tornando-se o primeiro sítio misto do Brasil, cultural e natural ao mesmo tempo. O título abrange quase 149 mil hectares e inclui o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, formando o segundo maior remanescente de Mata Atlântica do bioma.
A ilha tem 192 km² e 106 praias. Dos índios tupinambás, que habitavam a região antes dos europeus, herdou as trilhas abertas na mata que guiam até hoje os visitantes. A partir da Vila do Abraão, centro urbano da ilha, esses caminhos levam a praias pouco exploradas, cachoeiras e mirantes com vistas do oceano inteiro.
O vídeo é do canal Vamos Fugir, que conta com mais de 280 mil inscritos, e apresenta um roteiro por Angra dos Reis, destacando as melhores praias, passeios de barco pelas ilhas e dicas de hospedagem:
O que fazer nas ilhas e praias da Costa Verde
Com mais de 2.000 praias distribuídas pelas ilhas e pelo continente, a baía angrense exige pelo menos um dia inteiro dedicado a passeios de barco. O Cais de Santa Luzia, no centro da cidade, é o principal ponto de partida para escunas, lanchas e táxi-boats que circulam o dia todo. As paradas mais procuradas incluem piscinas naturais e ilhas de areia branca acessíveis apenas por via marítima, conforme indicado pelo Visite Angra dos Reis, portal oficial de turismo da prefeitura.
- Ilha Grande: a maior ilha do Rio, com 106 praias, trilhas de até 3 horas e a famosa Praia de Lopes Mendes, listada entre as mais belas do Brasil, acessível a pé ou de barco.
- Ilha de Cataguases: a menos de 500 m do continente, tem areia branca fina, águas cristalinas e avistamentos de tartarugas marinhas. Dá para percorrer a ilha inteira em 15 minutos, mas é difícil sair de lá.
- Ilhas Botinas: as “Gêmeas do Mar”, duas ilhotas de pedra sem areia, são parada obrigatória para mergulho com visibilidade de até 10 m de profundidade.
- Lagoa Azul (Ilha Grande): piscina natural de águas calmas e fundo arenoso, perfeita para snorkel. Os passeios de escuna saem das praias do Abraão e Palmas.
- Praia do Aventureiro (Ilha Grande): acessível por trilha de até 3 horas ou de barco, é uma das praias mais selvagens da região. Sem estrutura, mas com visual de cinema e hospedagem simples na vila de pescadores.
- Observatório Nuclear: ponto inusitado na BR-101, de acesso gratuito, onde é possível avistar as usinas Angra I e II, únicas do Brasil, com painéis interativos sobre energia nuclear.
O que comer com os pés na areia em Angra
A culinária de Angra é profundamente caiçara, com peixe fresco, camarão, polvo e mariscos retirados das próprias águas da baía. A banana-da-terra aparece em vários pratos como acompanhamento típico. A gastronomia da Costa Verde fluminense mistura influências portuguesas e africanas com o que o mar oferece cada dia.
- Moqueca caiçara: ensopado de peixe como badejo ou garoupa cozido com leite de coco, tomate, pimentões e coentro. Cada restaurante tem sua versão própria.
- Peixe com banana: especialidade da casa no Restaurante Lua e Mar, na Vila do Abraão, em Ilha Grande. Quase uma moqueca com banana, servido na hora.
- Caldeirada de frutos do mar: mistura de peixes, camarões, lulas e mariscos frescos com arroz. Um clássico nos restaurantes flutuantes ancorados nas enseadas.
- Arroz de polvo: clássico da região, servido nos restaurantes à beira-mar tanto no continente quanto nas ilhas.
- Samburá: o nome vem do cesto usado para pescar camarão. O Restaurante Samburá, no centro de Angra, existe há mais de 30 anos e é o mais tradicional da cidade, com cardápio especializado em frutos do mar.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical úmido de Angra oferece temperaturas agradáveis o ano inteiro, com a baía protegida contra as ondas de mar aberto. O verão aquece e traz chuvas, o inverno seca e esfria levemente. Para mergulho, passeios de barco e trilhas, o período entre abril e setembro é o mais favorável, com mar mais calmo e boa visibilidade subaquática, conforme dados do Climatempo.
Temperaturas aproximadas com base nos dados do Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar na baía das 365 ilhas
Angra dos Reis fica a cerca de 157 km do Rio de Janeiro pela BR-101 (Rodovia Rio-Santos), viagem de 2h30 a 3h de carro pela beira do mar. Quem prefere ônibus encontra saídas frequentes na Rodoviária Novo Rio, com chegada na Rodoviária de Angra em torno de 3 horas. De São Paulo, o percurso pela BR-116 (Via Dutra) até Volta Redonda e depois pela BR-101 cobre cerca de 400 km, com 4 a 6 horas de viagem.
A baía que vale cada quilômetro de estrada
Angra dos Reis entrega em um mesmo destino o que outras cidades levam décadas para construir: história colonial preservada, natureza com chancela mundial e um mar que muda de cor conforme a hora do dia. A Costa Verde fluminense na sua melhor expressão começa aqui, nessa baía onde o brasil colonial e o Brasil selvagem se encontram pé na areia.
Reserve um barco, defina seu ritmo e vá a Angra dos Reis, onde cada ilha esconde uma praia que parece feita só para você.