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Fazendeiro compra terreno em leilão por R$ 110 mil achando ter feito um ótimo negócio, mas descobre que o antigo morador se recusa a sair e a desocupação vira uma batalha judicial de anos

Fazendeiro arremata terreno por R$ 110 mil em leilão e enfrenta anos de batalha para tirar o morador

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Fazendeiro compra terreno em leilão por R$ 110 mil achando ter feito um ótimo negócio, mas descobre que o antigo morador se recusa a sair e a desocupação vira uma batalha judicial de anos
Arrematar um imóvel em leilão não garante a posse imediata e a lei explica o motivo
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Comprou barato no leilão, mas não conseguia entrar no imóvel

O lance vencedor é só metade da história. Muita gente arremata um bem por um ótimo preço e descobre que a posse ainda vai custar tempo e nervos.
Entenda o que a lei garante ao arrematante ⬇️

Antônio, nome fictício para uma situação que se repete pelo país, achou que tinha feito o negócio da vida. Arrematou um terreno em leilão por R$ 110 mil, bem abaixo do valor de mercado, e já imaginava o gado pastando ali. A euforia durou pouco. O antigo morador, que havia perdido o imóvel por dívida, recusou-se a sair, e o que parecia uma simples mudança virou uma disputa judicial que se arrastou por anos. O caso de Antônio revela um ponto que muitos investidores só percebem tarde demais.

Arrematar em leilão já garante a posse do imóvel?

Garante a propriedade, não a posse imediata. Pelo artigo 903 do Código de Processo Civil, assinado o auto de arrematação, o negócio é perfeito, acabado e irretratável, e a carta de arrematação registrada transfere o imóvel ao comprador. Só que ser dono no papel é diferente de ter a chave na mão. Quando o edital do leilão já avisa que existe um ocupante, como no caso de Antônio, o novo proprietário precisa buscar a posse pela via judicial.

Fazendeiro compra terreno por R$ 110 mil em leilão e enfrenta anos para conseguir a posse

Por que o antigo morador consegue atrasar a saída?

Porque a lei assegura ao ocupante o direito de se defender, mesmo com pouca chance de êxito. Como aponta levantamento sobre prazos de desocupação em leilão, vários fatores esticam o tempo até a saída:

  • Embargos ou ação anulatória tentando derrubar o leilão.
  • Pedidos de prazo maior por motivos de saúde ou idade avançada.
  • Alegações de benfeitorias feitas no imóvel ao longo dos anos.
  • A própria logística da Justiça e a agenda do oficial de justiça.

Qual o caminho legal para tirar o ocupante?

O instrumento certo é a ação de imissão na posse, que dá ao arrematante o direito de tomar posse do bem. Segundo análise publicada pelo GEN Jurídico, esse direito nasce com o registro da carta de arrematação. O caminho muda conforme a origem do leilão, e essa diferença define a rapidez da desocupação. O quadro a seguir resume os dois cenários.

Judicial x Extrajudicial

Como muda a desocupação conforme o tipo de leilão

⚖️

Leilão judicial

Via: imissão pedida no próprio processo que gerou a venda.
Prazo: mandado após cerca de 10 dias, com saída fixada pelo juiz.

🏦

Leilão extrajudicial

Via: ação de imissão autônoma, sob a Lei 9.514/97.
Prazo: liminar de desocupação em 60 dias após consolidada a propriedade.

Fonte: CPC, art. 903, e Lei 9.514/1997

Dá para reduzir o risco antes de dar o lance?

Dá, e o segredo está na análise feita antes do lance, não depois. Uma boa checagem evita a surpresa que pegou Antônio:

  1. Ler o edital do leilão por inteiro e verificar se o imóvel está ocupado.
  2. Puxar a certidão de matrícula para checar locações registradas.
  3. Identificar quem ocupa o bem: ex-dono, inquilino ou invasor.
  4. Reservar tempo e verba para uma eventual ação de imissão na posse.
Comprou um imóvel em leilão e não conseguiu entrar no bem por causa do ocupante

Como alívio, a lei permite cobrar do ocupante uma taxa de ocupação, em geral de 1% ao mês sobre o valor do imóvel, até a efetiva desocupação do bem arrematado.

Leilão é um mau negócio por causa disso?

Não, mas exige olhos abertos e paciência. O leilão segue sendo uma porta legítima para comprar abaixo do mercado, desde que o arrematante saiba que a posse pode não vir de imediato e que a lei, ao final, está do seu lado. Se você pensa em dar um lance, estude o edital com calma e conte com um profissional de confiança antes de arrematar, porque é esse preparo que separa a boa oportunidade da longa dor de cabeça.