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DNA humano preservado por mais de 2 mil anos é encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal

Descoberta de DNA humano em cavernas pode mudar pesquisas sobre arte rupestre

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DNA humano preservado por mais de 2 mil anos é encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal
DNA humano antigo foi encontrado preservado em paredes de cavernas ibéricas

DNA humano preservado por mais de 2 mil anos foi encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal, uma descoberta que chama a atenção da arqueologia, da genética antiga e do estudo da arte rupestre. O achado mostra que superfícies rochosas podem guardar vestígios biológicos humanos por muito mais tempo do que se imaginava.

O que foi encontrado nas paredes das cavernas?

Pesquisadores recuperaram material genético humano diretamente de paredes de cavernas, incluindo áreas com pinturas rupestres e também superfícies sem pigmento aparente. Essa diferença é importante porque mostra que o DNA antigo não estava ligado apenas à tinta ou ao desenho, mas ao uso humano desses espaços.

O estudo analisou painéis em cavernas da Espanha e de Portugal. Entre os locais citados estão a caverna de Escoural, em Portugal, e a caverna de Covarón, em Asturias. O resultado sugere que pessoas deixaram rastros biológicos nesses ambientes ao tocar, circular, respirar ou permanecer perto das paredes.

Por que essa descoberta é tão importante para a arqueologia?

A arqueologia costuma estudar o passado por meio de ossos, ferramentas, cerâmicas, sedimentos, sepultamentos e pinturas. Agora, as paredes das cavernas entram com mais força nessa lista, porque podem funcionar como superfícies capazes de preservar sinais invisíveis da presença humana.

Essa descoberta abre novas possibilidades para entender:

  • Quem frequentava determinadas cavernas em períodos antigos;
  • Como grupos humanos usavam espaços com arte rupestre;
  • Se homens e mulheres participaram desses ambientes;
  • Quais áreas da caverna receberam maior contato humano;
  • Como a genética antiga pode complementar a leitura arqueológica.
DNA humano preservado por mais de 2 mil anos é encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal
DNA humano antigo foi encontrado preservado em paredes de cavernas ibéricas

Como o DNA humano ficou preservado por tanto tempo?

O DNA humano é frágil e se degrada com facilidade, principalmente quando fica exposto à umidade, calor, luz, microrganismos e mudanças químicas. Por isso, encontrar material genético com mais de 2 mil anos em superfícies rochosas surpreende. A preservação depende de condições específicas da caverna e da composição da parede.

Em ambientes subterrâneos, a temperatura pode ser mais estável, a luz é reduzida e algumas superfícies ficam menos expostas à ação direta do clima. Esses fatores podem ajudar a manter vestígios biológicos por mais tempo. Ainda assim, a recuperação exige técnicas avançadas de extração e sequenciamento, porque as amostras são pequenas e muito sensíveis à contaminação.

Quais cavernas fizeram parte da pesquisa?

O projeto analisou 24 painéis de arte rupestre em 11 cavernas da Península Ibérica. A pesquisa partiu de estudos ligados à caverna de Maltravieso, em Cáceres, conhecida por pinturas antigas e pela importância no debate sobre as primeiras expressões artísticas na Europa.

Entre os pontos mais relevantes da investigação, estão:

  • Participação de equipes de Espanha, Portugal, Reino Unido, Alemanha e China;
  • Ligação com o projeto First Art, voltado ao estudo da arte rupestre;
  • Uso de técnicas de genética antiga em superfícies rochosas;
  • Coleta de material em áreas pintadas e não pintadas;
  • Identificação de amostras humanas atribuídas a mulheres e a um homem.
DNA humano preservado por mais de 2 mil anos é encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal
DNA humano antigo foi encontrado preservado em paredes de cavernas ibéricas

O que muda ao tratar cavernas como arquivos biológicos?

Quando uma caverna é vista apenas como abrigo ou galeria de arte rupestre, parte da história pode passar despercebida. A ideia de arquivo biológico amplia essa leitura. As paredes deixam de ser apenas suporte para desenhos e passam a ser registros materiais de contato humano.

DNA antigo pode revelar informações que os olhos não captam. Uma parede sem pintura pode ter sido tocada ou frequentada por pessoas há milhares de anos. Uma área pintada pode guardar não só pigmentos, mas também marcas invisíveis de quem esteve ali. Essa combinação aproxima arqueologia, biologia molecular e história humana.

Por que esse achado pode mudar futuras pesquisas em cavernas?

A descoberta mostra que sítios arqueológicos já conhecidos podem guardar informações ainda não exploradas. Cavernas estudadas por pinturas, ferramentas ou sedimentos talvez também preservem material genético em paredes, tetos, corredores e zonas de passagem. Isso pode ajudar a reconstruir a ocupação humana com mais detalhes.

O achado na Espanha e em Portugal reforça que o passado não está apenas nos objetos encontrados no chão. Às vezes, ele permanece preso à própria rocha, em vestígios microscópicos. Para a arqueogenética, paredes de cavernas podem se tornar uma nova fonte de dados sobre presença humana, arte rupestre, circulação de grupos antigos e formas de vida que deixaram marcas muito antes da escrita.