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A 4ª cidade mais antiga do Brasil guarda o Cristo Redentor mais velho do país e uma praça única nas Américas

A joia colonial brasileira onde fica o Cristo Redentor mais antigo do país.

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A cidade foi capital de Sergipe até 1855 e sobreviveu à invasão holandesa de 1637. / Imagem ilustrativa

Subir a ladeira de pedra até o centro histórico de São Cristóvão é entrar num cenário do século 17 que nunca saiu do lugar. Fundada em 1º de janeiro de 1590, a Cidade Mãe de Sergipe reúne 15 prédios tombados e a única praça brasileira que funde o urbanismo ibérico e o padrão português.

De Cristóvão de Barros à União Ibérica em pedra

A cidade nasceu como estratégia colonial dos portugueses, no período em que Portugal e Espanha estavam unidos sob a coroa de Felipe II. Em 1590, o português Cristóvão de Barros foi enviado para submeter a região ao domínio colonial e estabelecer um porto seguro entre Salvador e Pernambuco, batizando o povoado com seu próprio nome.

A cidade foi capital de Sergipe até 1855 e sobreviveu à invasão holandesa de 1637, que a deixou em ruínas. A reconstrução seguiu o modelo urbano português, dividido em cidade alta (sedes civis e religiosas) e cidade baixa (porto e trabalhadores). Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto urbano foi tombado em 1967.

Fundada em 1590, a quarta cidade mais antiga do Brasil abriga o primeiro Cristo Redentor do país
Em São Cristóvão, o dia rende visita à Praça São Francisco, museus, artesanato e docerias, em um passeio tranquilo e cheio de surpresas culturais. // Wikipédia

Por que a Praça São Francisco virou Patrimônio Mundial?

Em 1º de agosto de 2010, a Praça São Francisco entrou na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como o 11º bem cultural brasileiro reconhecido como Patrimônio Mundial. Foi o primeiro sítio sergipano a receber a chancela.

O que a torna singular é o traçado. Construída entre os séculos 16 e 17, segue as Ordenações Filipinas, código urbano espanhol aplicado durante a União Ibérica (1580-1640). O resultado é uma fusão do modelo de Plaza Mayor hispânica com o padrão português que, segundo o IPHAN, não existe em nenhuma outra cidade do Brasil.

O que visitar na cidade mãe do estado?

O roteiro cabe em um dia, mas pede calma. As atrações principais ficam entre a cidade alta e o mirante do Morro São Gonçalo, em um raio de 2 km.

  • Praça São Francisco: quadrilátero de 3 hectares cercado pela Igreja e Convento de São Francisco, o antigo Palácio Provincial e a Santa Casa de Misericórdia, todos tombados pelo IPHAN.
  • Cristo Redentor de São Cristóvão: escultura mais antiga de Cristo no país, inaugurada em janeiro de 1926, cinco anos antes do monumento do Rio de Janeiro. Fica no alto do Morro São Gonçalo.
  • Museu de Arte Sacra: instalado no Convento de São Francisco, reúne mais de 500 obras dos séculos 18 e 19 em talha dourada, marfim e madeira.
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória: templo mais antigo de Sergipe, fundado em 1608, sobreviveu à invasão holandesa e virou Santuário em 2023.
  • Museu Histórico de Sergipe: funciona no antigo Palácio Provincial, onde Dom Pedro II se hospedou em 1860. Restaurado e reaberto em 2025.
  • Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos: fundada em 1746 pela irmandade dos homens negros escravizados. Arquitetura simples que guarda história de resistência.

Sabores da doçaria conventual sergipana

A gastronomia gira em torno das receitas que cruzaram o Atlântico com freiras e ganharam sabor local. As docerias da cidade mantêm tradições que atravessaram três séculos.

  • Queijadinha: apesar do nome, não leva queijo. Criada por pessoas escravizadas que substituíram o ingrediente por coco. Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe.
  • Bricelet: biscoito fino e crocante trazido por freiras carmelitas. Leva farinha de trigo, ovos e suco de laranja. A receita original é guardada em segredo.
  • Beiju de coco: herança indígena feita com farinha de tapioca e coco, vendido nas casas tradicionais do centro histórico.
O clima tropical quente e úmido é constante, típico do litoral sergipano. / Créditos: Wikipedia

Leia também: O Caribe Brasileiro vive em uma capital com piscinas naturais a 2 km da areia entre as melhores do país.

Qual a melhor época para conhecer o centro colonial?

O clima tropical quente e úmido é constante, típico do litoral sergipano. As chuvas se concentram no meio do ano, e o sol forte realça as fachadas coloridas nas ladeiras de pedra.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 23-31°C
Chuva: ☀️ Baixa
O predomínio de sol e tempo firme abre o clima ideal para caminhar pela histórica **Praça São Francisco pela manhã**, apreciando o conjunto tombado pela UNESCO sem o calor intenso da tarde.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 22-30°C
Chuva: ⛈️ Alta
O aumento gradual das precipitações convida os viajantes a priorizarem os ricos roteiros em ambientes cobertos, visitando os imponentes **museus e igrejas** coloniais espalhados pelo centro.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 21-28°C
Chuva: ⛈️ Alta
Mesmo com as chuvas sazonais, as temperaturas continuam agradáveis, tornando propício contemplar com calma o acervo de arte sacra e os claustros do monumental **Convento de São Francisco**.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 22-30°C
Chuva: ☀️ Baixa
A volta definitiva da estiagem e os céus limpos garantem as condições perfeitas para subir até o monumento do **Cristo Redentor e mirante**, desfrutando de uma bela panorâmica da região.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade Mãe de Sergipe?

São Cristóvão fica a 25 km de Aracaju pela BR-101, cerca de 30 minutos de carro. O Aeroporto Internacional de Aracaju Santa Maria é o mais próximo, e ônibus regulares saem do terminal rodoviário da capital ao longo do dia.

Suba a ladeira e conheça a Cidade Mãe de Sergipe

Poucos destinos brasileiros reúnem uma praça única no continente, o primeiro Cristo Redentor do país e um convento franciscano do século 17 no mesmo endereço. São Cristóvão entrega três séculos de arquitetura preservada a meia hora da capital sergipana.

Você precisa cruzar a Praça São Francisco ao entardecer e provar uma queijadinha na saída da igreja para entender por que a Cidade Mãe de Sergipe virou a única praça ibérica preservada do Brasil.