Incêndio na Suíça com 41 mortos teve alerta ignorado pela dona - Super Rádio Tupi
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Incêndio na Suíça com 41 mortos teve alerta ignorado pela dona

Documento revela que proprietária alertou funcionários anos antes sobre o risco de um incêndio causado por velas com faíscas

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Nova prova reforça acusações contra donos do Le Constellation, onde um incêndio matou 41 pessoas e deixou mais de 100 feridos - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

Uma mensagem enviada anos antes da tragédia pode se tornar uma das principais provas da investigação sobre o incêndio que matou 41 pessoas no bar Le Constellation, em Crans Montana, na Suíça, no Réveillon deste ano. O conteúdo, apresentado pelos advogados das vítimas à Justiça, mostra que a proprietária Jessica Moretti já havia alertado funcionários sobre o risco de velas com faíscas atingirem o teto do estabelecimento e provocarem um incêndio.

Segundo os documentos do processo, a mensagem foi enviada em um grupo de WhatsApp da equipe em dezembro de 2019, cerca de seis anos antes da tragédia. No texto, Jessica orientava os funcionários a não deixarem as velas acesas sem supervisão e escreveu que, caso elas queimassem a espuma instalada no teto, “o Constel vai pegar fogo”. Para os representantes das famílias das vítimas, o conteúdo demonstra que os responsáveis pelo estabelecimento conheciam os riscos do material inflamável utilizado na decoração do local.  

O incêndio aconteceu durante a festa de Ano Novo, quando uma funcionária entrou no salão carregando garrafas de champanhe com velas de faísca acesas. Imagens analisadas pelos investigadores indicam que as chamas atingiram o revestimento de espuma do teto, provocando um incêndio de grandes proporções em poucos segundos. A fumaça tomou conta do ambiente, dificultando a fuga das centenas de pessoas que participavam da comemoração. O desastre deixou 41 mortos e mais de 100 feridos.

Jacques e Jessica Moretti respondem atualmente por homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo. No entanto, os advogados das vítimas defendem que as novas mensagens comprovam que o casal tinha conhecimento prévio do perigo e mesmo assim, manteve a prática de utilizar artefatos pirotécnicos dentro do bar. Por isso, pedem que a acusação seja alterada para um crime mais grave. Jessica afirmou às autoridades que a mensagem tinha um tom de brincadeira e negou que imaginasse uma tragédia como a que ocorreu.  

A investigação também apura possíveis falhas na segurança do estabelecimento. Entre os pontos analisados estão o uso de espuma altamente inflamável no teto, a regularidade das inspeções, a autorização para utilizar velas com faíscas em ambiente fechado e as condições das saídas de emergência. Autoridades locais e antigos responsáveis pela fiscalização também passaram a ser investigados por suspeita de omissão no cumprimento das normas de segurança.  

Enquanto o processo segue na Justiça, familiares das vítimas afirmam que a descoberta das mensagens tem a necessidade de uma maior responsabilização. Para eles, a tragédia poderia ter sido evitada caso os alertas feitos anos antes tivessem resultado em mudanças nas medidas de segurança do estabelecimento.