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A vila de pescadores com 4 mil anos de história e o maior festival de jazz da América Latina
O som do jazz ecoa em uma vila de pescadores cuja história começou há cerca de 4 mil anos.
Os indígenas chamavam esse trecho do litoral fluminense de Leripe, que em tupi-guarani significa lugar de ostra. De antiga vila de pescadores, hoje, Rio das Ostras reúne 15 praias, um sambaqui milenar e um festival de música que atrai artistas de três continentes.
Do Sambaqui da Tarioba ao jazz na areia
A ocupação humana da região é uma das mais antigas do Rio de Janeiro. O Sambaqui da Tarioba foi registrado pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em 1967 e guarda esqueletos, conchas gigantes e ferramentas de pedra de um povo que viveu entre o rio e o mar há cerca de 4 mil anos.
O museu, inaugurado em 1998, é um dos poucos do Brasil no formato in situ, com o material exposto exatamente como foi encontrado, segundo a Prefeitura de Rio das Ostras. O nome da técnica vem do tupi-guarani e significa acúmulo de conchas.
A cidade também guarda o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição, construído no século XVIII por mão de obra escravizada. O poço abastecia navegadores que aportavam na Baía Formosa e virou marco fundacional do município.

O que fazer entre as 15 praias da Costa do Sol?
O litoral tem 28 km e reúne desde enseadas para crianças até praias com ondas para surfe, segundo a Prefeitura. O sol brilha ao menos 300 dias por ano, e boa parte das atrações fica a menos de 10 minutos do centro.
- Praia de Costazul: a mais movimentada, com longa faixa de areia e o píer que avança 200 m mar adentro, ponto de pesca e do nascer do sol.
- Praia da Joana: enseada entre dois costões, com mar azul calmo e sombra de amendoeiras. Perfeita para famílias.
- Praia do Remanso: rochedos que formam pequenas piscinas naturais de água morna, indicada para crianças pequenas.
- Praia de Itapebussus: águas cristalinas onde é possível ver cavalos-marinhos em mergulho raso.
- Praia Virgem: pouco frequentada, com acesso por trilha de cerca de 30 minutos a partir da RJ-106.
- Praia do Bosque: badalada à noite pela concentração de bares e restaurantes na orla.
A Capital Estadual do Jazz e Blues transforma a areia em palco
A cidade recebeu o título de Capital Estadual do Jazz e Blues por lei sancionada em 2011, e é sede do Rio das Ostras Jazz e Blues Festival. O evento nasceu em 2003 e virou um dos maiores do gênero no mundo.
A programação acontece entre maio e junho, com cinco palcos ao ar livre e shows gratuitos. O palco principal fica na Cidade do Jazz, no bairro de Costazul, ao lado da praia.
Além do festival, a cidade guarda outras atrações que fogem da faixa de areia. A Praça da Baleia abriga uma escultura de baleia-jubarte com 20 metros de comprimento, feita em estrutura metálica com chapas de bronze e latão. A Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro a considera a maior homenagem a um cetáceo no mundo.
Leia também: A “Suíça Mineira” a 1.550 m nas montanhas é um vilarejo fundado por europeu que virou refúgio de inverno.
Peixe fresco e culinária caiçara nos quiosques da orla
A herança das antigas vilas de pescadores aparece na mesa dos restaurantes. As receitas exploram peixes, camarões e frutos do mar comprados na hora nos barcos que atracam no centro.
- Camarão na moranga: prato clássico das casas à beira-mar, servido dentro da própria abóbora com catupiry.
- Peixe grelhado com pirão: tradição caiçara nos quiosques da Praia do Centro, com o peixe do dia direto dos barcos.
- Casquinha de siri: entrada típica, com o siri catado à mão e gratinado no forno.
- Moqueca capixaba: presente em várias casas da orla, com dendê, coentro e leite de coco.
- Bolinho de aipim com carne-seca: petisco recorrente nos bares do centro, herança da culinária interiorana da região.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O verão traz sol forte e mar quente, com pancadas de chuva rápidas à tarde. O inverno é seco e ameno, perfeito para trilhas nos costões e para o festival de jazz.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Costa do Sol saindo do Rio?
Rio das Ostras fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Uma alternativa é seguir pela Via Lagos e depois pela Rodovia Serramar (RJ-162) até a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106).
Quem vem de Cabo Frio percorre apenas 61 km pela RJ-106. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital fluminense, com voos diários. Ônibus saem regularmente da Rodoviária Novo Rio.
Conheça a vila que virou polo cultural do litoral
A cidade combina história milenar, praias variadas e uma agenda cultural que poucos balneários do país conseguem oferecer. É onde 4 mil anos de ocupação humana convivem com jazz ao vivo na areia.
Você precisa conhecer Rio das Ostras e caminhar pela mesma faixa de litoral que os primeiros habitantes chamaram de lugar de ostra há milênios.