Entretenimento
Frase de Ivo Pitanguy sobre autoestima: “Só faz cirurgia plástica quem não se tolera. Eu me tolero.” Uma reflexão sobre aceitação e identidade
A frase de Ivo Pitanguy revela quando a busca por beleza pode esconder uma dificuldade de se aceitar
Ivo Pitanguy, um dos nomes mais conhecidos da cirurgia plástica brasileira, deixou uma frase que provoca reflexão sobre autoestima, aceitação e identidade. Ao dizer que se tolerava, ele não negava o valor da medicina estética nem desconsiderava o sofrimento de quem busca mudar algo no corpo. A frase aponta para uma pergunta mais profunda: até que ponto uma transformação externa nasce de escolha livre, e até que ponto nasce da dificuldade de conviver consigo mesmo?
O que Ivo Pitanguy queria dizer com essa frase?
A frase chama atenção porque foi dita por um cirurgião plástico, alguém que dedicou a vida a reconstruir rostos, corpos e autoestima. Pitanguy parecia separar duas situações diferentes. Uma coisa é procurar um procedimento por necessidade funcional, reconstrução ou desejo consciente. Outra é buscar uma mudança porque a própria imagem se tornou intolerável.
“Só faz cirurgia plástica quem não se tolera. Eu me tolero.”
A força da frase está na palavra “tolerar”. Ela não fala de vaidade perfeita nem de amor próprio absoluto. Fala de uma relação mínima de paz com o próprio corpo, suficiente para não transformar cada marca, ruga ou assimetria em inimiga.
Por que autoestima não significa gostar de tudo em si?
A autoestima não exige aprovação total diante do espelho. Uma pessoa pode desejar melhorar a pele, emagrecer, cuidar do cabelo ou corrigir algo que incomoda sem odiar quem é. O problema começa quando a aparência passa a determinar todo o valor pessoal e nenhuma mudança parece suficiente para produzir descanso emocional.
Alguns sinais mostram quando a busca por mudança pode estar ligada a uma relação mais dura com a própria imagem:
- Evitar fotos por vergonha intensa da aparência;
- Comparar o próprio corpo com imagens editadas todos os dias;
- Acreditar que só será amado depois de mudar fisicamente;
- Trocar um incômodo resolvido por outro logo em seguida;
- Sentir ansiedade constante diante de espelhos e câmeras;
- Escolher procedimentos para agradar outra pessoa;
- Ignorar riscos médicos por desespero de alterar o corpo.

Quando a cirurgia plástica pode ter outro significado?
A cirurgia plástica não se resume à vaidade. Muitos procedimentos têm relação com reconstrução, reparação e recuperação da confiança depois de acidentes, queimaduras, doenças, gestações, grandes perdas de peso ou alterações congênitas. Nesses casos, a intervenção pode ajudar a pessoa a retomar movimentos, conforto e reconhecimento diante da própria imagem.
Também existem escolhas estéticas maduras, feitas com informação, acompanhamento médico e expectativas realistas. O ponto central não é condenar quem faz uma cirurgia, mas entender a motivação. Quando a decisão nasce de autonomia, cuidado e clareza, ela é diferente de uma tentativa urgente de apagar uma rejeição interna que nenhuma intervenção isolada conseguiria resolver.
Como diferenciar aceitação de acomodação?
A aceitação não significa abandonar cuidados com o corpo. Ela permite cuidar da aparência sem transformar cada imperfeição em fracasso. Uma pessoa pode se exercitar, tratar a pele, escolher roupas que a valorizem e até considerar um procedimento estético sem perder a noção de que sua identidade não depende apenas da imagem.
Algumas atitudes ajudam a construir uma relação mais equilibrada com o corpo:
Como desenvolver uma relação mais saudável com a própria imagem
- 1Observar a própria imagem sem procurar defeitos imediatamente.
- 2Reduzir comparações com celebridades, filtros e redes sociais.
- 3Valorizar funções do corpo, não apenas sua aparência.
- 4Conversar com profissionais antes de tomar decisões definitivas.
- 5Investigar se o desejo de mudança é próprio ou imposto.
- 6Evitar decisões estéticas em momentos de crise emocional.
- 7Reconhecer marcas do tempo sem tratá-las como perda de valor.
Por que identidade não cabe apenas no espelho?
A identidade é formada por memória, relações, escolhas, gestos, histórias e valores. O rosto e o corpo fazem parte dessa construção, mas não carregam sozinhos tudo o que uma pessoa é. Quando a aparência ocupa espaço demais, outras dimensões da vida ficam empobrecidas, como humor, inteligência, afeto, criatividade e presença.
A frase de Ivo Pitanguy provoca justamente porque vem de alguém que conhecia o poder da transformação física. Ela lembra que mudar por fora pode ter valor, mas não substitui a construção de uma relação mais suportável consigo mesmo. Tolerar-se, nesse sentido, é deixar de viver em guerra permanente com a própria imagem.
A verdadeira beleza começa quando a pessoa deixa de se rejeitar
A reflexão não transforma cirurgia plástica em erro nem coloca a aceitação como obrigação simples. Cada pessoa carrega uma história com o próprio corpo, e algumas dores precisam de escuta, tempo e cuidado profissional. O risco está em acreditar que toda insegurança será resolvida apenas por uma alteração estética.
A autoestima amadurece quando o desejo de mudança deixa de nascer da rejeição absoluta. Cuidar da aparência pode ser uma escolha legítima, mas a identidade precisa continuar existindo antes e depois de qualquer procedimento. No fundo, a frase de Pitanguy sugere que a maior transformação talvez seja aprender a viver no próprio corpo sem tratá-lo como um inimigo a ser corrigido o tempo todo.