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A psicologia sugere que quem sempre sonha com pessoas falecidas não é por acaso, e sim recebe uma mensagem importante

Sonhos com quem já morreu despertam curiosidade, e a psicologia tem uma explicação.

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O luto é um dos processos mais intensos que uma pessoa atravessa.

Acordar depois de sonhar com pessoas falecidas é uma daquelas experiências que ficam marcadas o dia todo. O rosto lembrado, a voz quase palpável, a sensação de que houve encontro de verdade. A psicologia olha para isso com atenção porque, por trás do sonho, costuma existir uma mensagem que o cérebro tenta entregar ao próprio dono.

Por que esses sonhos mexem tanto com quem acorda?

Poucos sonhos deixam marca como o reencontro com alguém que já se foi. A pessoa acorda com o coração acelerado, tenta segurar a lembrança e passa o café tentando entender se aquilo foi só um sonho ou algo mais. Em famílias que perderam avó, mãe, pai ou irmão, é comum ouvir “sonhei com ele de novo” no meio da semana.

A carga emocional vem do vínculo. O luto é um dos processos mais intensos que uma pessoa atravessa, e o sono é o momento em que o cérebro reorganiza o que ficou pendente durante o dia.

A maioria traz sensação de conforto ao acordar, ainda que com um aperto no peito.

O que a psicologia enxerga nesse tipo de sonho?

A leitura psicológica mais aceita hoje é a de que sonhar com quem morreu faz parte do próprio trabalho do luto. O cérebro usa o sono para integrar a perda, revisitar memórias e ajustar a ideia de que aquela presença física acabou. Não se trata de mensagem sobrenatural, e sim de uma conversa interna.

Um estudo publicado na Psicologia USP aponta que o processo de luto envolve reorganização emocional profunda, especialmente quando o adeus foi difícil ou incompleto, como aconteceu com muitas famílias durante a pandemia.

Leia também: Segundo Sócrates, filósofo grego, “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”, sobre autoconhecimento e propósito.

Quais são os significados mais comuns por trás desses sonhos?

Cada sonho é único, mas a psicologia reconhece padrões que se repetem em relatos de pessoas enlutadas. Os significados mais frequentes são estes:

1
Processamento da perda O cérebro usa o sono para se adaptar à ausência e organizar emoções que o dia não deu conta.
2
Saudade e vínculo afetivo Uma forma simbólica de manter viva a lembrança e reviver momentos importantes.
3
Assuntos não resolvidos Coisas ditas ou não ditas em vida podem voltar em forma de encontro nos sonhos.
4
Busca por conforto A figura de quem se foi surge como símbolo de proteção em momentos de fragilidade.
5
Marcos e datas importantes Aniversários, feriados e mudanças de vida costumam disparar esse tipo de sonho.

Quando o sonho vira sinal de alerta e pede ajuda?

Nem todo sonho com quem morreu é preocupante. A maioria traz sensação de conforto ao acordar, ainda que com um aperto no peito. O problema aparece quando o sonho se torna repetitivo, angustiante e passa a interferir no funcionamento do dia seguinte.

Vale conhecer a diferença entre os sinais que aparecem em cada situação:

Cenário Como se manifesta Status
Sonho pontual Após a perda recente Cena curta, com sensação de reencontro e alguma calma ao despertar. Esperado
Sonho em datas marcantes Aniversários e feriados Surge em períodos simbólicos e passa depois da data. Comum
Sonho recorrente Semanas ou meses seguidos Repete cenas parecidas e traz angústia ao despertar. Merece atenção
Sonho ligado a luto complicado Perda difícil de aceitar Vem acompanhado de choro, insônia, culpa ou isolamento no dia seguinte. Buscar apoio

Como lidar com esses sonhos no dia a dia?

A primeira orientação da psicologia é a mais simples: acolher em vez de reprimir. Anotar num caderno o que apareceu no sonho, quem estava, o que foi dito, ajuda a entender o que a mente está tentando resolver. Conversar com alguém de confiança sobre a lembrança também alivia.

Quando o sonho passa a atrapalhar o sono, o humor ou a rotina, é hora de procurar um psicólogo. O acompanhamento profissional oferece um espaço seguro para elaborar a perda, sem que o luto se estenda de um jeito que sequestra o dia a dia por anos.

💡 Curiosidade O psicólogo Kelly Bulkeley chama de “sonhos de visita” aqueles em que a pessoa falecida aparece consciente e emocionalmente presente, com sensação de encontro real.