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Provérbio árabe do dia: “Quem quer fazer algo encontra um meio, quem não quer encontra uma desculpa.” Lições sobre autorresponsabilidade, iniciativa e por que a vontade supera qualquer obstáculo aparente
Uma frase da tradição árabe revela o segredo da iniciativa diante das dificuldades.
Todo mundo conhece alguém que promete começar a academia na segunda, mudar de emprego no fim do ano, aprender inglês quando sobrar tempo. E nunca sobra. O provérbio árabe “quem quer fazer algo encontra um meio, quem não quer encontra uma desculpa” atravessou séculos justamente por descrever esse tipo de comportamento com precisão cirúrgica.
Por que essa frase ainda faz tanto sentido em 2026?
Basta abrir o WhatsApp para topar com alguém dizendo que gostaria de mudar de vida, mas o mercado está difícil, a família não deixa, a saúde não colabora, o tempo não permite. As justificativas mudam, o padrão continua o mesmo. E, muitas vezes, o cansaço não vem da lista de obstáculos, vem de fingir que eles são o problema principal.
É esse desconforto que o provérbio cutuca. Ele não nega que existam dificuldades reais, mas separa quem enfrenta o obstáculo de quem se esconde atrás dele.

De onde vem esse tipo de provérbio da tradição árabe?
A cultura árabe tem um repertório imenso de ditados curtos e afiados, chamados de amthal. Eles nascem no cotidiano dos vilarejos, dos comerciantes de caravana e da tradição oral do mundo árabe, e atravessam séculos porque resolvem problemas humanos que continuam iguais.
São frases que se aprendem em casa, no chá da tarde, do avô para o neto. Por isso resistem: quem cresceu ouvindo cada uma delas as usa como espelho quando bate a preguiça de agir.
Qual a diferença entre encontrar um meio e encontrar uma desculpa?
Na aparência, os dois caminhos começam iguais. A pessoa quer alguma coisa, olha para o obstáculo, avalia o que tem em mãos. A diferença aparece no próximo passo, e ela costuma acontecer em silêncio, sem ninguém por perto para julgar. Os sinais mais comuns de cada lado são estes:
Como o provérbio conversa com autorresponsabilidade?
Autorresponsabilidade não é bater no próprio peito nem culpar-se por tudo. É reconhecer o que está dentro do seu raio de decisão e agir sobre isso, mesmo quando o cenário ao redor é injusto. O provérbio empurra o leitor para essa direção sem discurso motivacional.
Vale ver como o mesmo obstáculo é lido pelos dois lados. A diferença fica clara:
| Situação | Quem encontra o meio | Quem encontra a desculpa |
|---|---|---|
| Aprender novo idioma Sem tempo livre | Ouve podcast na condução, revisa 10 minutos por dia. | Espera as férias |
| Iniciar exercício físico Rotina apertada | Caminha 20 minutos antes do trabalho, três vezes por semana. | Precisa da academia perfeita |
| Mudar de área profissional Sem experiência prévia | Faz curso gratuito, monta portfólio simples, conversa com quem já atua. | Culpa o mercado |
| Cuidar da saúde mental Terapia parece cara | Busca atendimento social, clínica-escola ou plano municipal. | Adia até virar crise |
Quando o provérbio pode virar armadilha?
A frase carrega uma sabedoria antiga, mas precisa ser lida com honestidade. Nem todo obstáculo é desculpa, e transformar isso em regra absoluta cria injustiça com quem enfrenta doença séria, luto recente, opressão social ou pobreza estrutural. Nesses casos, “encontrar um meio” é bem mais complicado do que um ditado consegue expressar.
O uso saudável do provérbio é interno, não externo. Ele funciona quando a pessoa aponta o dedo para si mesma antes de apontar para o vizinho. Quem usa a frase para julgar o esforço dos outros perdeu a mensagem no caminho, e provavelmente está encontrando uma desculpa refinada para não olhar para o próprio adiamento.