Mulher que viveu até os 117 anos: "As pessoas esperam que eu diga que o segredo é um gene raro, mas era só o iogurte que eu comia todo dia. Vivi tanto porque cuidei do meu intestino sem nem saber" - Super Rádio Tupi
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Mulher que viveu até os 117 anos: “As pessoas esperam que eu diga que o segredo é um gene raro, mas era só o iogurte que eu comia todo dia. Vivi tanto porque cuidei do meu intestino sem nem saber”

O hábito simples que acompanhou a mulher mais longeva do mundo durante toda a vida.

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Mulher que viveu até os 117 anos: "As pessoas esperam que eu diga que o segredo é um gene raro, mas era só o iogurte que eu comia todo dia. Vivi tanto porque cuidei do meu intestino sem nem saber"
Maria Branyas Morera seguia dieta mediterrânea sem excessos, com base em legumes, frutas, leguminosas e azeite. / Imagem ilustrativa

Maria Branyas Morera morreu em agosto de 2024 aos 117 anos e 168 dias, como pessoa mais velha do mundo. Depois da morte, cientistas analisaram amostras dela e encontraram um intestino comparável ao de alguém décadas mais jovem. A explicação favorita da mulher que viveu 117 anos não era genética rara, era um pequeno pote de iogurte natural repetido todos os dias.

Por que o mundo inteiro quis saber o que essa senhora comia?

Ver alguém completar cem anos já causa espanto. Ver alguém passar dos 117, com memória preservada e sem dor crônica, faz o mundo parar. Foi isso que aconteceu com Maria Branyas, catalã nascida em San Francisco em 1907, que atravessou duas guerras mundiais, a gripe espanhola e a pandemia de covid-19 sem grandes sequelas.

Quando cientistas conseguiram autorização da família para estudar amostras dela, o interesse não era romântico. Era encontrar pistas biológicas de por que ela envelheceu tão devagar, num corpo que continuava respondendo bem a exames de sangue, saliva e microbiota.

Mulher que viveu até os 117 anos: "As pessoas esperam que eu diga que o segredo é um gene raro, mas era só o iogurte que eu comia todo dia. Vivi tanto porque cuidei do meu intestino sem nem saber"
Maria Branyas Morera destacou-se por uma vida longa, saudável, e por manter hábitos positivos até a velhice. // Créditos: Wikipédia

Como era a rotina alimentar de Maria Branyas?

Ela seguia dieta mediterrânea sem excessos, com base em legumes, frutas, leguminosas e azeite. Nunca fumou, não bebia álcool, caminhava cerca de uma hora por dia. Segundo o perfil biográfico de Maria Branyas, essa combinação de hábitos simples se manteve constante por décadas.

O detalhe que ganhou fama depois do estudo científico foi outro: ela consumia três iogurtes naturais sem açúcar por dia, sempre da mesma marca catalã. Análises da Universidade de Leicester, parceira da pesquisa, confirmaram que esse hábito atravessou décadas com disciplina rara.

O que a ciência descobriu quando analisou o corpo dela?

O estudo, coordenado pelo pesquisador Manel Esteller e publicado em setembro de 2025 na revista Cell Reports Medicine, foi a análise mais completa já feita em um supercentenário. O grupo do Instituto Josep Carreras de Pesquisa em Leucemia, em Barcelona, examinou o genoma, proteoma, epigenoma, metaboloma e microbioma de Maria. Os pontos centrais foram estes:

1
Idade celular abaixo da real O epigenoma mostrava padrões cerca de 17 anos mais jovens que a idade cronológica.
2
Microbiota rica em bifidobactérias Bactérias que costumam sumir a partir dos 40 anos apareciam em abundância no intestino dela.
3
Metabolismo de gordura eficiente Colesterol VLDL e triglicerídeos muito baixos, com HDL alto, perfil raro em qualquer idade.
4
Ausência de doenças graves Sem câncer, demência ou doença cardiovascular importante ao longo da vida.
5
Genes de longevidade preservados Variantes raras associadas a imunidade forte, proteção cardíaca e saúde neurológica.

Por que o intestino ganhou tanto destaque na história?

O intestino deixou de ser visto como simples cano de digestão há alguns anos. Cientistas o tratam hoje como um segundo cérebro, capaz de influenciar imunidade, humor, memória e até risco cardíaco. Um intestino equilibrado significa menos inflamação circulando pelo corpo, e menos inflamação significa envelhecer mais devagar.

No caso dela, a combinação de dieta mediterrânea e iogurte diário parece ter alimentado bactérias que a maioria das pessoas perde ao longo da vida. Vale comparar como o mesmo hábito age em quem consome pouco e em quem tem a rotina consolidada:

Aspecto Consumo irregular Rotina como a de Maria
Bifidobactérias Bactérias do bem Diminuem naturalmente com a idade. Mantidas em alta
Inflamação silenciosa Nos exames Aumenta ao longo dos anos. Marcadores baixos
Resposta imunológica Frente a infecções Fica menos eficiente com o envelhecimento. Preservada mais tempo
Saciedade e digestão No dia a dia Oscila com dieta desregrada. Estável

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Basta então comer iogurte todo dia para viver 117 anos?

Os próprios pesquisadores foram cuidadosos com essa pergunta. Manel Esteller estimou que cerca de metade da longevidade dela veio da genética, e a outra metade do estilo de vida. Nenhum iogurte substitui herança genética favorável nem décadas de escolhas coerentes, e os cientistas alertaram que o caso dela é único.

A lição menos glamorosa da história talvez seja essa: viver muito não é fruto de um único hábito milagroso, é o resultado de dezenas de pequenas escolhas repetidas por quase todos os dias de uma vida. Mas se um pote de iogurte natural por dia ajuda o intestino a envelhecer com dignidade, o custo é baixo e o convite fica aberto.

💡 Curiosidade Maria Branyas atribuía a longevidade dela a “sorte, boa genética, tranquilidade, contato com a família e afastamento de pessoas tóxicas”, nesta ordem.

Uma frase que resume o que a ciência descobriu sobre Maria Branyas

A frase que abre o título é uma construção para resumir, em uma imagem só, o que os pesquisadores concluíram sobre Maria Branyas. Ela nunca disse essas palavras exatamente assim. O que aparece nos registros da própria supercentenária é a atribuição da longevidade a “sorte e boa genética”, somadas à tranquilidade e ao contato com a família. Foi o estudo publicado após a morte dela que revelou o peso do iogurte diário e da saúde intestinal na equação que levou uma mulher comum a viver mais que qualquer pessoa registrada no mundo.