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A maior cidade de Santa Catarina em extensão esconde muros de pedra construídos por tropeiros há mais de 200 anos

Muito antes das praias famosas, essa cidade catarinense já atraía visitantes há mais de 200 anos.

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A maior cidade de Santa Catarina virou refúgio para quem quer fugir do calor com qualidade de vida
O custo de vida é equilibrado para o padrão catarinense, com moradia mais acessível que no litoral. / Imagem ilustrativa

Alguns lugares só fazem sentido quando se entende quem passou por ali antes. Lages, no coração da Serra Catarinense, nasceu como parada dos tropeiros que levavam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo no século XVIII. Séculos depois, a cidade se tornou o berço do turismo rural do Brasil e ainda guarda muros de pedra empilhados pelos próprios tropeiros no meio do campo.

Como Lages virou o berço do turismo rural no Brasil?

A resposta está nas fazendas centenárias que abriram as porteiras para hóspedes nos anos 1980. Segundo o portal oficial Visite a Serra Catarinense, Lages foi fundada por tropeiros e bandeirantes em 1766 como ponto de descanso no Caminho das Tropas, e essa memória rural ficou preservada nas propriedades antigas ao redor da cidade.

Quando a economia do gado perdeu força, os proprietários começaram a receber visitantes em quartos adaptados, oferecer cavalgadas, ordenhas e a mesa farta da culinária tropeira. O modelo pegou e virou referência nacional, transformando Lages na Capital do Turismo Rural reconhecida em todo o país.

A cidade preserva um pequeno conjunto arquitetônico que conta séculos de história em poucas quadras. / Créditos: Wikipédia

O que a Coxilha Rica preserva dos tempos dos tropeiros?

Poucas paisagens brasileiras mantêm marcas tão nítidas do século XVIII. Segundo o portal Lages Turismo, a região da Coxilha Rica ocupa mais de 1.136 km² e reúne corredores de tropas, taipas e muros de pedra com mais de 200 anos, empilhados sem argamassa pelos próprios peões para orientar o gado nas travessias.

As construções resistiram ao tempo e viraram patrimônio histórico e cultural da Serra Catarinense. Casas antigas, cemitérios rurais e pontos de parada compõem um circuito ao ar livre que se percorre de carro em estradas de chão, sempre com araucárias emoldurando a paisagem.

Quais atrações naturais visitar em Lages?

A maior cidade em extensão territorial de Santa Catarina reúne parques, cachoeiras e mirantes espalhados por seus 2.644 km². Boa parte fica a curta distância do centro.

  • Salto Caveiras: cachoeira com mais de 30 metros de altura e 220 metros de largura, a 18 km do centro, com restaurantes e pousadas à beira d’água.
  • Parque Natural Municipal de Lages (Parnamul): 234 hectares de Mata Atlântica preservada, com trilhas autoguiadas e visitação gratuita, segundo o NSC Total.
  • Parque Jonas Ramos: o principal parque urbano da cidade, com lago, quadras, pista de caminhada e cenário formado por araucárias centenárias.
  • Morro da Cruz: mirante clássico com vista panorâmica da cidade e das serras ao redor, indicado para fim de tarde.
  • Pedras Brancas: região que abriga o Hotel Fazenda pioneiro do turismo rural, com formações rochosas do Grupo Serra Geral e da Formação Botucatu.

O que ver no centro histórico e cultural de Lages?

A cidade preserva um pequeno conjunto arquitetônico que conta séculos de história em poucas quadras. O passeio a pé começa na praça central e termina no mercado.

  • Catedral Diocesana Nossa Senhora dos Prazeres: construída entre 1912 e 1922, com fachada neogótica, torres altas e vitrais coloridos que criam efeitos de luz no interior.
  • Mercado Público de Lages: revitalizado nos últimos anos, reúne gastronomia, produtos coloniais, artesanato e apresentações culturais em ambiente que preserva o charme antigo.
  • Monumento ao Tropeiro: escultura de um tropeiro e sua tropa cercada por araucárias, homenagem à identidade que fundou a cidade.
  • Casarão Juca Antunes: um dos últimos exemplares da arquitetura luso-brasileira preservados na área urbana, segundo a ND Mais.

O que provar na gastronomia serrana de Lages?

A comida lageana mistura raiz gaúcha, tradição tropeira e o pinhão, semente da araucária que virou símbolo da cidade. A Festa Nacional do Pinhão, sediada em Lages, reforça esse patrimônio a cada inverno.

  • Pinhão: consumido cozido, assado na chapa, em pastéis ou como recheio de risotos, é o ingrediente-símbolo da Serra Catarinense.
  • Costela de chão: peça bovina assada em fogo lento por horas, tradição das cozinhas de fazenda da região.
  • Entrevero de pinhão: mistura salteada de pinhão, linguiça, carne e temperos, típica das mesas serranas.
  • Cucas coloniais e queijos artesanais: herança da colonização alemã e italiana, vendidos em cafés e no Mercado Público.
  • Chimarrão: hábito trazido pelos tropeiros gaúchos, ainda hoje presente nas praças e casas da cidade.

Leia também: Todo verão, um pequeno vilarejo italiano parece uma pintura graças a uma leguminosa e encanta com paisagens únicas quase irreais.

Como é o clima e a melhor época para visitar Lages?

A altitude de 916 metros garante um dos invernos mais rigorosos do país. Geadas são comuns entre junho e agosto e, em anos específicos, a cidade chega a registrar neve.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 15-26°C
Chuva: ⛈️ Alta
Aproveite para curtir o Salto Caveiras, trilhas e cavalgadas.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 10-22°C
Chuva: 🌦️ Média
Explore a paisagem da Coxilha Rica e desfrute dos hotéis-fazenda.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 2-15°C
Chuva: ⛈️ Alta
Viva a tradicional Festa do Pinhão e aconchegue-se junto ao fogão a lenha.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 10-22°C
Chuva: 🌦️ Média
Excelente período para passear pelos parques e pelo centro histórico.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Lages?

De carro, o acesso principal é pela BR-116 e pela BR-282, que cruzam a Serra Catarinense. A cidade fica a cerca de 230 km de Florianópolis, com viagem média de quatro horas por rodovia de trechos sinuosos.

Quem prefere avião pode desembarcar no aeroporto regional local ou nos aeroportos de Florianópolis, Curitiba e Caxias do Sul, com trecho final por estrada. Ônibus regulares saem das principais capitais do sul e a chegada por dentro da Serra do Rio do Rastro rende paradas em mirantes clássicos do estado.

Suba a Serra Catarinense e conheça a capital dos tropeiros

Lages preserva algo raro: o cruzamento entre a memória dos tropeiros que fundaram o sul do país e a invenção de um modelo turístico que virou referência no Brasil. As araucárias, os muros de pedra e as fazendas centenárias contam essa história melhor do que qualquer museu.

Você precisa subir a serra e conhecer Lages, sentir o cheiro do pinhão assado, tomar um chimarrão de frente para o campo aberto e entender por que a Capital do Turismo Rural ainda vive no ritmo dos tropeiros.