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Obesidade demanda manejo individualizado de comorbidades

Hipertensão, diabetes, esteatose hepática e transtornos mentais estão entre as condições associadas à obesidade. A Dra. Júlia Chagas explica como alterações metabólicas influenciam esse processo e destaca a importância do acompanhamento contínuo e individualizado

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A obesidade está associada ao desenvolvimento de diversas comorbidades metabólicas e frequentemente compartilha os mesmos mecanismos fisiopatológicos que levam ao aparecimento dessas doenças, conforme um estudo publicado pela BMC Saúde Pública e reproduzido pela National Library of Medicine. A hipertensão avança de 29% entre adultos obesos de 18 a 39 anos para 66,2% no grupo de 40 a 64 anos, chegando a 89,4% em pessoas acima de 65 anos, enquanto a dislipidemia segue trajetória semelhante, alcançando 28,1%, 65,4% e 88%, respectivamente, nas mesmas faixas etárias.

A Dra. Júlia Chagas, médica com atuação em fisiologia metabólica, emagrecimento e saúde corporal, explica que o excesso de peso, principalmente o acúmulo de gordura visceral — que se deposita entre os órgãos na região abdominal —, está diretamente relacionado ao desenvolvimento de resistência à insulina. “Essa gordura não funciona apenas como um depósito de energia; ela é metabolicamente ativa e produz substâncias inflamatórias que interferem na ação da insulina nas células”.

Segundo a médica, a insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células para ser utilizada como energia; no entanto, quando o organismo começa a responder menos à ação da insulina, o pâncreas precisa produzir quantidades cada vez maiores desse hormônio para tentar manter a glicose sob controle.

“Esse processo caracteriza a resistência à insulina. Muitas vezes a resistência à insulina já está presente anos antes do aparecimento do diabetes, mesmo quando a glicemia ainda se encontra dentro da faixa considerada normal. Com o tempo, essa sobrecarga pode levar ao aumento persistente da glicemia e ao desenvolvimento do diabetes tipo 2”, enfatiza.

A médica acrescenta que a obesidade está associada a um estado de inflamação crônica de baixo grau. O tecido adiposo, principalmente a gordura visceral, que funciona como um órgão metabolicamente ativo, produz citocinas inflamatórias e interfere diretamente na sinalização hormonal. Segundo ela, isso impacta diretamente a saúde cardiovascular, aumenta o risco de diabetes, hipertensão, esteatose hepática e está associada a maior risco de doenças neurodegenerativas.

“Diferente de uma inflamação aguda, que é uma resposta rápida do organismo a uma infecção ou lesão, essa inflamação metabólica acontece de forma silenciosa e contínua ao longo dos anos. Por isso, hoje entende-se que a obesidade não é apenas uma questão estética, mas uma condição metabólica complexa ligada ao funcionamento hormonal e energético do organismo”, afirma a Dra. Júlia Chagas.

Conforme esclarece a médica, essa inflamação afeta o funcionamento cerebral, a disposição física e a saúde mental. Pacientes com obesidade costumam ter maior inflamação metabólica, resistência à insulina e alterações hormonais que podem impactar neurotransmissores ligados a humor, energia e motivação. Além disso, a inflamação metabólica pode comprometer o funcionamento mitocondrial, reduzindo a eficiência da produção de energia celular.

“Quando o metabolismo energético está comprometido, as células produzem energia de forma menos eficiente. Isso gera sintomas como fadiga, baixa disposição física, dificuldade de concentração e sensação constante de cansaço. A obesidade não afeta apenas o peso corporal — ela altera o equilíbrio fisiológico do organismo como um todo”, comenta a profissional.

De acordo com um artigo reproduzido pela National Library of Medicine, a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, definida pelo acúmulo excessivo de gordura que aumenta significativamente o risco de diversas doenças, inclusive associadas à disfunção metabólica. No Brasil, a doença aumentou 72% entre 2006 e 2019, conforme dados do Mapa da Obesidade.

“Outro ponto importante é o impacto na saúde intestinal. O intestino participa da produção de neurotransmissores importantes, como serotonina, e alterações da saúde intestinal, incluindo inflamação da mucosa, alterações da microbiota e comprometimento da barreira intestinal”, reforça a médica.

Acompanhamento médico contínuo e personalizado

A Dra. Júlia Chagas destaca que a avaliação do paciente com obesidade precisa ir muito além do peso na balança, avaliando composição corporal, presença de gordura visceral, sinais de resistência à insulina, saúde hormonal e marcadores inflamatórios. Exames laboratoriais e sintomas clínicos, como qualidade do sono, nível de energia, saúde intestinal, padrão alimentar e composição corporal, também são observados.

“Hoje entende-se que duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições metabólicas completamente diferentes. Por isso, é fundamental investigar a saúde completa do paciente obeso, por meio de critérios clínicos e exames como glicemia e insulina de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, função hepática, marcadores inflamatórios, avaliação hormonal, vitamina D, ferro e outros micronutrientes. Qualidade do sono, nível de energia, saúde intestinal, composição corporal e sinais de resistência à insulina costumam ser mais importantes do que o peso isoladamente”, conta a especialista.

Segundo outro estudo reproduzido pela National Library of Medicine, modificações no estilo de vida, incluindo exercícios físicos e mudanças na alimentação e no estilo de vida, são recomendadas como o principal tratamento para a obesidade. A publicação recomenda que indivíduos com sobrepeso ou obesidade, e que se beneficiariam com a perda de peso, sejam aconselhados a participar de uma intervenção abrangente no estilo de vida por pelo menos seis meses.

“A mudança de hábitos é a base do tratamento metabólico consistente. A alimentação influencia diretamente a inflamação, a resistência à insulina e a produção de energia celular, enquanto a atividade física melhora a sensibilidade à insulina e o sono é essencial para a regulação hormonal, recuperação metabólica e controle do apetite. O tratamento precisa ser individualizado, com olhar integrado sobre o organismo. O foco do tratamento deve ser recuperar saúde metabólica, e a perda de peso passa a ser uma consequência desse processo”, conclui a Dra. Júlia Chagas.

Para conhecer mais sobre os procedimentos da Dra. Júlia Chagas, basta acessar: https://drajuchagas.com/

Website: https://drajuchagas.com/