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Ele fugiu como refugiado para a Argentina aos 17 anos sem nada, trabalhou como telefonista de madrugada, começou a importar tabaco e construiu uma das maiores frotas de navios do mundo, casando-se depois com a viúva de JFK
Onassis fugiu de Esmirna como refugiado aos 16 anos e construiu uma frota naval maior que a de muitos países
🚢 De refugiado sem passaporte a dono de uma frota maior que a de muitos países
Aos 16 anos, viu sua cidade natal ser incendiada. Fugiu sem nada e trabalhou como telefonista de madrugada na Argentina. Décadas depois, possuía petroleiros gigantescos e casou-se com a viúva do presidente mais famoso dos EUA. ⬇️
Em setembro de 1922, as chamas consumiam Esmirna. O jovem Aristóteles Onassis assistiu do convés de um navio à destruição da cidade onde nasceu. A família grega perdera tudo: a casa, o negócio de tabaco, parentes executados durante a invasão turca. Aos 16 anos, ele carregava apenas um passaporte de refugiado e uma determinação brutal de recomeçar. Aquele garoto se tornaria o maior armador do século XX.
Como um telefonista de madrugada virou milionário antes dos 25 anos?
O imigrante grego desembarcou em Buenos Aires em 1923 com um documento Nansen, concedido a apátridas pela Liga das Nações. Sem falar espanhol, falsificou a idade para conseguir emprego como telefonista noturno numa companhia telefônica. Os turnos da madrugada lhe deram tempo para ler jornais de negócios e aprender o idioma.
Durante o dia, começou a importar tabaco turco para a Argentina, retomando o ramo que sustentara sua família na antiga Esmirna. O produto encontrou mercado fértil. Em dois anos, o jovem empreendedor acumulou US$ 100 mil em comissões. Aos 25 anos, segundo a Britannica, já era milionário.

Quais jogadas transformaram tabaco em navios petroleiros?
O salto do comércio de tabaco para o transporte marítimo aconteceu durante a Grande Depressão. Em 1932, enquanto o mundo inteiro vendia ativos em pânico, o armador grego comprou seis navios cargueiros por uma fração do valor real. A aposta era arriscada, mas refletia uma lógica que ele aprendeu cedo: crises criam oportunidades para quem tem coragem de agir.
A partir dali, a expansão seguiu um roteiro ambicioso e calculado:
- Em 1938, encomendou a construção de seu primeiro petroleiro, antecipando a demanda global por transporte de crude que explodiria após a Segunda Guerra.
- Depois do conflito, comprou 23 navios Liberty excedentes do governo americano e lançou um programa de construção de superpetroleiros cada vez maiores.
- Em 1954, fechou um acordo comercial com a Arábia Saudita que provocou alvoroço internacional e consolidou sua posição como líder do setor.
O que a vida pessoal do magnata grego revela sobre poder e solidão?
O armador não se contentava em dominar os mares. Comprou participação no cassino de Monte Carlo, adquiriu a Olympic Airways e transformou seu iate, o Christina O, num símbolo flutuante de luxo onde recebia reis, presidentes e celebridades. Teve um caso longo com a soprano Maria Callas e, em 1968, casou-se com Jacqueline Kennedy, viúva do presidente assassinado.

Nos últimos anos, porém, a expansão descontrolada dos anos 1960 cobrou seu preço. A crise do petróleo de 1973 devastou o setor de petroleiros. Seu filho, Alexander, morreu num acidente de avião em 1973. Segundo a Fundação Onassis, a Lloyd’s List de Londres o elegeu, em 2000, como o maior armador do século XX.
O legado do refugiado que reconstruiu um império ainda inspira?
A trajetória do garoto de Esmirna continua sendo uma das histórias de superação mais extraordinárias do capitalismo moderno. De telefonista de madrugada a dono de uma frota que cruzava todos os oceanos, o percurso prova que recomeçar do zero pode levar mais longe do que começar do topo.
Se você já teve que recomeçar em uma terra estranha ou enfrentar uma perda total, compartilhe sua história. Ela pode inspirar alguém que está passando pelo mesmo agora.