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A Cidade dos Exageros guarda rochas de 280 milhões de anos e um orelhão gigante que ajudam a explicar seu sucesso entre os turistas

Entre rochas de 280 milhões de anos e um orelhão gigante.

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A cidade abraçou a piada e transformou o exagero em linguagem visual do centro./ Imagem ilustrativa

Poucas cidades brasileiras conseguem reunir um marco político nacional, um sítio geológico raro e uma piada de televisão em um mesmo endereço. Itu, a 100 km de São Paulo, faz isso todos os dias. A cidade que sediou a Convenção de 1873, considerada o primeiro passo concreto rumo à Proclamação da República, também abriga rochas com 280 milhões de anos no Parque do Varvito e um orelhão de três metros que virou marca registrada da fama de Cidade dos Exageros.

Como Itu virou o berço da República em 18 de abril de 1873?

A resposta está em um sobrado do centro histórico. Segundo o portal oficial Turismo Itu, foi no casarão que hoje abriga o Museu Republicano que aconteceu, em 18 de abril de 1873, a reunião que efetivou as bases do Partido Republicano Paulista (PRP), conhecida como Convenção de Itu.

O encontro reuniu 133 convencionais, sendo 78 cafeicultores e 55 representantes de outras profissões, na residência da família Almeida Prado. Segundo o Jornal da USP, um dia antes, em 17 de abril, cerca de 6 mil pessoas presenciaram a inauguração da Estrada de Ferro Ituana em uma cidade que tinha na época pouco mais de 15 mil habitantes. As bases políticas e ideológicas discutidas naquele sobrado levariam à Proclamação da República em 1889.

Descubra Itu, onde monumentos gigantes, arquitetura colonial e natureza preservada criam experiências únicas e memoráveis. // Créditos: Wikipédia

Por que Itu ficou conhecida como Cidade dos Exageros?

A fama nasceu na televisão. O apelido veio das histórias contadas pelo humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, o Simplício, em um programa da década de 1960 em que tudo em Itu era descrito como maior, mais alto ou mais pesado que em qualquer outro lugar. A brincadeira ganhou escala e virou identidade turística.

A cidade abraçou a piada e transformou o exagero em linguagem visual do centro. Hoje visitantes encontram um orelhão de três metros, um semáforo gigante funcional, um caixa eletrônico em tamanho ampliado e esculturas de formigas e joaninhas espalhadas pelas praças. As lojas ao redor vendem souvenirs em escala aumentada, e o roteiro dos objetos exagerados virou parada obrigatória para quem passa pelo centro.

O que ver no centro histórico e no Museu Republicano?

O núcleo histórico é compacto e caminhável, com atrações a poucos passos umas das outras. Boa parte pode ser feita a pé em um dia inteiro de passeio.

  • Museu Republicano Convenção de Itu: sobrado do século XIX onde ocorreu a Convenção de 1873. O prédio foi adquirido pelo governo estadual em 1922 e convertido em museu em 19 de abril de 1923 por Washington Luís Pereira de Sousa, então presidente do estado. Foi incorporado pela Universidade de São Paulo (USP) em março de 1963 e faz parte do Museu Paulista. O acervo inclui mobiliário do gabinete do primeiro presidente civil do Brasil, o ituano Prudente de Moraes.
  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária: templo católico no coração do centro histórico, marco arquitetônico do barroco paulista.
  • Praça Padre Miguel: praça central em frente à Matriz, com o famoso orelhão gigante de três metros e o semáforo em tamanho ampliado.
  • Praça dos Exageros: fica na Vila Padre Bento e concentra parte da fama visual da cidade, com esculturas de formigas, joaninhas e outros objetos fora de escala.
  • Mercado Municipal: parte do circuito turístico oficial, funciona como ponto de compras de produtos regionais e comida típica.
  • Fábrica São Pedro: complexo cultural instalado em uma antiga fábrica têxtil, hoje com exposições, cafés e eventos.

O que faz o Parque do Varvito único no interior paulista?

A resposta está em rochas depositadas há centenas de milhões de anos. O Parque Geológico do Varvito foi inaugurado em 1995 em uma área que antes pertencia a uma pedreira. As formações preservam camadas sedimentares que se acumularam durante uma extensa era glacial, ocorrida há cerca de 280 milhões de anos, quando o gelo cobriu a região sudeste da América do Sul.

O nome vem da rocha característica do local, o varvito, uma formação sedimentar com camadas anuais visíveis, cada uma correspondendo a um ciclo sazonal. As ruas do centro histórico de Itu são pavimentadas com lajes dessa mesma rocha, o que integra o parque à malha urbana. A entrada é gratuita, e o espaço reúne cachoeira, trilhas e museu, com funcionamento de terça a domingo e fechamento em dias de chuva por segurança.

Como funciona o Trem Republicano entre Itu e Salto?

O passeio ferroviário é uma das atrações mais procuradas dos fins de semana. Inaugurado em dezembro de 2020, o Trem Republicano percorre um trecho de pouco mais de 7 km entre Itu e a vizinha Salto em cerca de 40 minutos, com paisagens rurais e urbanas dos dois municípios.

O trem é operado pela Serra Verde Express, mesma empresa responsável pela famosa rota ferroviária entre Curitiba e Morretes, no Paraná. O passeio homenageia a Convenção de 1873 e a Estrada de Ferro Ituana, e conta com guias que narram a história do movimento republicano durante o percurso. As viagens acontecem às sextas, sábados e domingos, com saídas de Itu às 9h e 14h.

Leia também: A 8ª cidade mais desenvolvida do Brasil que subiu 13 posições em um ano: por que ela virou a capital regional do interior paulista.

O que provar na gastronomia de Itu?

A mesa combina raiz paulista, herança dos imigrantes italianos e produção artesanal das fazendas centenárias que cercam o município. Boa parte dos restaurantes fica no centro histórico e nas rodovias de acesso.

  • Bolinho caipira: receita tradicional do interior paulista, servido em botecos e restaurantes de raiz colonial da cidade.
  • Massas artesanais: herança da colonização italiana da região, presentes em cantinas do centro histórico e nas fazendas.
  • Comida caipira: arroz, feijão, frango caipira e leitão à pururuca em restaurantes tradicionais de fogão a lenha.
  • Doces caseiros: goiabada, doce de leite e paçoca em confeitarias e no Mercado Municipal.
  • Cachaças artesanais: alambiques da região abastecem bares e restaurantes do centro histórico com produção local.
A cidade dos exageros onde tudo é gigante e ainda assim perfeita para viver bem perto de São Paulo
Viva o encanto de Itu, onde exageros divertidos e história colonial inspiram visitas inesquecíveis e fotos criativas. // Créditos: Wikipédia

Como é o clima e a melhor época para visitar Itu?

O clima é tropical de altitude, com estações bem definidas. Verão quente e chuvoso, inverno seco e ameno, ideal para caminhar pelo centro histórico e visitar o Parque do Varvito sem preocupação com chuva.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 18-29°C
Chuva: ⛈️ Alta
Aproveite o centro histórico, os museus e a gastronomia.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 14-27°C
Chuva: 🌦️ Média
Explore o Trem Republicano e a Convenção de Itu.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 9-24°C
Chuva: ☀️ Baixa
Visite o Parque do Varvito e a Fábrica São Pedro.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 14-28°C
Chuva: 🌦️ Média
Curta a Praça dos Exageros e as fazendas centenárias.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Itu?

De carro, o acesso mais direto a partir de São Paulo é pela Rodovia Castello Branco (SP-280) ou pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), com trajeto de cerca de 100 km e viagem média de uma hora e quinze minutos. A cidade fica na região metropolitana de Sorocaba.

Quem vem de Campinas percorre aproximadamente 50 km pela Rodovia dos Bandeirantes. Ônibus regulares saem várias vezes ao dia da capital paulista, e o entroncamento rodoviário facilita bate-voltas e roteiros combinados com cidades vizinhas como Salto e Porto Feliz.

O berço da República no interior paulista

Itu reúne uma combinação difícil de encontrar em outra cidade brasileira: o sobrado onde nasceu o movimento que levou à Proclamação da República, um parque geológico com rochas de 280 milhões de anos, um centro histórico calçado de varvito e a memória de uma piada de televisão que virou identidade turística. A cidade cresceu sem apagar nenhuma das camadas que a formaram.

Você precisa conhecer Itu e caminhar pelas ruas de lajes de varvito ao entardecer, tirar uma foto ao lado do orelhão gigante da Praça Padre Miguel e entender por que a cidade que sediou a Convenção de 1873 continua sendo uma das paradas mais divertidas do interior paulista.