Cientistas preparam a liberação de uma “tropa” de 600 mil mosquitos machos com uma bactéria capaz de impedir que outros nasçam - Super Rádio Tupi
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Cientistas preparam a liberação de uma “tropa” de 600 mil mosquitos machos com uma bactéria capaz de impedir que outros nasçam

A liberação exige monitoramento e repetições para avaliar sua eficácia em larga escala

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Cientistas preparam a liberação de uma “tropa” de 600 mil mosquitos machos com uma bactéria capaz de impedir que outros nasçam
Os machos não picam pessoas porque se alimentam principalmente de néctar e outras fontes de açúcar

Os mosquitos machos criados em laboratório chamam atenção porque não chegam ao ambiente para picar pessoas, mas para impedir que novas gerações de mosquitos transmissores nasçam. A estratégia usa a bactéria Wolbachia em um plano de controle biológico que busca reduzir populações urbanas de Aedes albopictus, espécie associada à transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

Por que soltar mosquitos machos pode ajudar no controle de doenças?

A ideia parece estranha à primeira vista, mas tem uma lógica simples. Quem pica humanos são as fêmeas, pois precisam de sangue para desenvolver os ovos. Os machos se alimentam de néctar e outros açúcares, por isso não representam o mesmo risco direto de transmissão.

Quando milhares de machos tratados são liberados em uma área urbana, eles disputam acasalamento com os machos selvagens. Se uma fêmea cruza com um macho carregando uma bactéria incompatível, os ovos não se desenvolvem. Aos poucos, a população local pode diminuir.

Como a bactéria Wolbachia impede que novos mosquitos nasçam?

A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em muitos insetos, mas pode interferir na reprodução dos mosquitos. Em determinadas combinações, ela provoca uma espécie de incompatibilidade entre o macho infectado e a fêmea selvagem.

Na prática, o processo funciona como um bloqueio reprodutivo. Veja abaixo a sequência mais simples:

  • Os cientistas criam mosquitos machos em laboratório.
  • Esses machos recebem uma linhagem específica de Wolbachia.
  • Depois, são liberados em grande quantidade no ambiente.
  • Eles acasalam com fêmeas selvagens da mesma espécie.
  • Os ovos resultantes não conseguem eclodir.
Cientistas preparam a liberação de uma “tropa” de 600 mil mosquitos machos com uma bactéria capaz de impedir que outros nasçam
Os machos não picam pessoas porque se alimentam principalmente de néctar e outras fontes de açúcar

Onde essa liberação de 600 mil mosquitos deve acontecer?

O plano citado envolve uma empresa dos Estados Unidos, a Bee Safe Mosquito Control, com atuação na região metropolitana de Washington DC. A previsão é liberar cerca de 600 mil mosquitos machos ao longo do verão, em um período planejado para acompanhar a época de maior atividade desses insetos.

Os insetos usados no projeto são conhecidos como machos ZAP, ligados à tecnologia da MosquitoMate. O alvo principal é o Aedes albopictus, também chamado de mosquito-tigre-asiático, uma espécie invasora que se adaptou bem a áreas urbanas, quintais, recipientes com água parada e pequenos criadouros domésticos.

Por que essa técnica é diferente da pulverização comum?

A pulverização química tenta matar mosquitos adultos no ambiente, mas costuma ter efeito temporário e pode atingir outros insetos. Já a técnica com Wolbachia mira a reprodução da espécie, tentando reduzir a população sem depender apenas de inseticidas espalhados pelo bairro.

Esse tipo de controle biológico chama atenção por algumas vantagens possíveis. Confira os principais pontos:

  • Atua sobre a capacidade de reprodução dos mosquitos.
  • Usa machos, que não picam humanos.
  • Pode reduzir o uso frequente de produtos químicos.
  • Tem alvo específico quando bem planejado para a espécie correta.
  • Ajuda em áreas onde criadouros pequenos são difíceis de eliminar totalmente.
Cientistas preparam a liberação de uma “tropa” de 600 mil mosquitos machos com uma bactéria capaz de impedir que outros nasçam
Os machos não picam pessoas porque se alimentam principalmente de néctar e outras fontes de açúcar

A técnica resolve sozinha o problema dos mosquitos?

A liberação de mosquitos machos com Wolbachia não substitui os cuidados tradicionais. Água parada em vasos, calhas, pneus, baldes, caixas d’água abertas e ralos continua sendo ambiente perfeito para a proliferação. Se os criadouros permanecem ativos, qualquer estratégia perde força.

Também é preciso tempo para medir resultados. A queda na população depende da quantidade de mosquitos liberados, da área coberta, da espécie presente, do clima e do nível de reprodução local. Por isso, programas desse tipo precisam de monitoramento, repetição e avaliação técnica antes de serem considerados eficazes em larga escala.

O que esse projeto mostra sobre o futuro do combate aos mosquitos?

O projeto mostra que o combate aos mosquitos transmissores está deixando de depender apenas de veneno, telas e eliminação manual de criadouros. A biotecnologia começa a entrar no controle urbano com métodos que interferem no ciclo reprodutivo do inseto, especialmente em regiões onde dengue, Zika e chikungunya preocupam autoridades de saúde.

A imagem de uma “tropa” de 600 mil mosquitos pode assustar, mas o objetivo é justamente reduzir a presença dos insetos que picam e transmitem vírus. Se a técnica funcionar como esperado, os machos liberados não aumentam o problema. Eles entram no ambiente para cortar a próxima geração e transformar a reprodução dos mosquitos em uma fraqueza contra eles mesmos.