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Uma vila açoriana de 250 anos abriga a única Reserva Mundial de Surf do Brasil fica em uma cidade a 15 km de Florianópolis com um parque de 84 mil hectares
A cidade próxima de Florianópolis guarda uma vila açoriana histórica.
Poucas cidades brasileiras conseguem reunir uma praia protegida por uma ONG californiana, a maior unidade de conservação de um estado inteiro e uma comunidade açoriana com mais de dois séculos de história em raio de poucos quilômetros. Palhoça, a apenas 15 km de Florianópolis, faz isso todos os dias. Encravada entre o litoral e a Serra do Mar, na Grande Florianópolis, a vila catarinense fundada em 1777 concentra praias de água calma, morros de mais de mil metros, mangues, ilhas e mais de 84 mil hectares de Mata Atlântica preservada.
Por que a Guarda do Embaú é a única Reserva Mundial de Surf do Brasil?
A resposta está em uma decisão internacional. Segundo o portal oficial da Save The Waves Coalition, organização sediada na Califórnia que gerencia o programa mundial de proteção às ondas, a Guarda do Embaú foi selecionada como a 9ª Reserva Mundial de Surf do planeta em 28 de outubro de 2019, tornando-se a única do Brasil.
Segundo a Rede Brasileira de Reservas de Surf, o título havia sido anunciado à comunidade em 2016 e passou por três anos de avaliação até a oficialização. A reserva protege três ondas, batizadas de esquerda, meio e prainha, que quebram na foz do Rio da Madre o ano inteiro. Para chegar à areia, o visitante ainda atravessa o rio em barquinhos a remo, uma tradição mantida por pescadores locais há décadas. O legado do surfista Ricardo Dos Santos, natural da vila, foi decisivo para a candidatura. Em 2024, a reserva ganhou como embaixadores a atleta olímpica Tainá Hinckel Santos e o surfista Carlos Knoll.

O que ver no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro?
A resposta está na maior unidade de conservação de Santa Catarina. O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro tem 84.130 hectares, cobre cerca de 1% do território catarinense e abrange nove municípios, além de ilhas costeiras. Foi criado em 1975 a partir dos estudos dos botânicos Raulino Reitz e Roberto Miguel Klein, e protege cinco das seis grandes formações vegetais da Mata Atlântica em Santa Catarina. A sede fica em Palhoça, na Baixada do Maciambu.
- Morro do Cambirela: ponto mais alto do parque, a 1.043 metros de altitude, com trilha íngreme entre orquídeas e bromélias e vista panorâmica para a Baía Sul, a Ilha de Santa Catarina, Florianópolis, São José e Palhoça.
- Centro de Visitantes do Maciambu: base da unidade de conservação, oferece trilhas educativas, contato com espécies nativas e informações sobre a fauna e a flora da Mata Atlântica catarinense.
- Cachoeiras do Maciambu: descem pelos morros do parque em cenários de mata preservada, com trilhas de diferentes níveis para caminhadas e banho.
- Cachoeira do Araçá e Cachoeira do Pontal: alimentam o Rio Cubatão e descem pelo Morro do Cambirela, com poços cristalinos em meio à floresta.
- Morro da Pedra Branca: a cerca de 6 km do centro, com subida acessível em boa parte de carro e vista privilegiada da região.
Quais praias além da Guarda do Embaú visitar?
A costa de Palhoça combina praias badaladas, refúgios tranquilos e ilhas paradisíacas em cerca de 30 km de litoral. Cada uma tem perfil próprio, o que permite roteiros para famílias, surfistas, mergulhadores e naturistas.
- Praia da Pinheira: uma das faixas mais extensas do município, com 13 km de orla, mar calmo e barracas à beira-mar servindo tainha assada e ostras gratinadas, ideal para famílias.
- Praia do Sonho: refúgio de pescadores artesanais, com peixes e mariscos vendidos diretamente pela comunidade local em ambiente sossegado.
- Praia de Pedras Altas: considerada a segunda praia naturista mais frequentada de Santa Catarina, com mar seguro e paisagem rochosa.
- Ilhas do Papagaios, Três Irmãs e Araçatuba: reunidas entre os melhores pontos de mergulho do Brasil, com vida marinha diversificada e águas transparentes.
- Ilha de Araçatuba: preserva uma antiga fortaleza portuguesa erguida para defender o litoral catarinense e vestígios de sítios arqueológicos da região.
O que a Enseada de Brito preserva da herança açoriana?
A resposta está em um distrito de mais de dois séculos. A Enseada de Brito é considerada uma das três comunidades açorianas mais antigas do litoral catarinense, com mais de 250 anos de tradição pesqueira e cultural, e ocupa cerca de 70% do território municipal. O centrinho histórico foi tombado pelo Patrimônio Histórico e mantém casarios coloniais portugueses com mais de duzentos anos, funcionando como museu a céu aberto.
A cultura açoriana também se traduz no calendário de festas. Todo mês de julho, a Festa da Tainha reúne moradores e visitantes em torno do peixe assado, do forró e das tradições caiçaras. A Festa do Divino, presença marcante entre os descendentes de açorianos, também é celebrada com procissões, música religiosa e comida típica. Entre maio e julho, a pesca artesanal da tainha sustenta famílias inteiras da orla e virou parte do próprio patrimônio imaterial da região. A maricultura completa a economia tradicional dos pescadores.
O que provar na gastronomia caiçara de Palhoça?
A mesa combina raiz açoriana, tradição da pesca artesanal e a cena contemporânea impulsionada pelo turismo. Restaurantes rústicos à beira-mar convivem com propostas mais elaboradas próximas à Guarda do Embaú.
- Tainha assada: preparada tradicionalmente em fogueira aberta ou grelha, é o prato-símbolo da temporada de pesca entre maio e julho, presente em quase todos os restaurantes de raiz.
- Ostras gratinadas: aproveitam a produção da maricultura local e são servidas em barracas à beira-mar e restaurantes de frente para o oceano.
- Sequência de camarão: pratos generosos com camarões de diferentes preparos, herança da tradição açoriana das cidades vizinhas do litoral catarinense.
- Peixes frescos do dia: comprados diretamente dos pescadores locais na Praia do Sonho e em outros vilarejos, preparados em restaurantes familiares com receitas caiçaras.
- Comida da Festa da Tainha: cardápio autêntico servido durante o evento em julho, com pratos preparados por famílias tradicionais e associações comunitárias.
Como é o clima e a melhor época para visitar Palhoça?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações bem definidas. Verões quentes e chuvosos favorecem as praias, enquanto invernos amenos e secos são ideais para trilhas na Serra do Tabuleiro. A temporada de baleias francas ocorre entre junho e outubro no litoral catarinense e virou atração à parte, com passeios embarcados para observação a partir de portos próximos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Palhoça?
De carro, o acesso mais direto a partir de Florianópolis é pela BR-101 em direção ao sul, com trajeto de cerca de 15 km e viagem média de vinte minutos até o centro. A Guarda do Embaú fica a aproximadamente 56 km da capital catarinense, e outras praias do município são acessadas por rodovias litorâneas em diferentes trechos.
Quem prefere avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, com voos nacionais e internacionais frequentes e trecho final por rodovia. Ônibus regulares saem várias vezes ao dia da capital catarinense e de outras cidades da Grande Florianópolis, e serviços de transfer privado também operam para as principais praias e para a sede do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
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A única Reserva Mundial de Surf do Brasil
Palhoça reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: a única Reserva Mundial de Surf do país reconhecida pela Save The Waves Coalition em 2019, a maior unidade de conservação de Santa Catarina com mais de 84 mil hectares de Mata Atlântica, uma vila açoriana com mais de 250 anos de história tombada pelo patrimônio histórico e um morro de 1.043 metros com vista para a Ilha de Santa Catarina. A cidade que nasceu em 1777 sob barracos de palha virou porta de entrada para o ecoturismo catarinense.
Você precisa conhecer Palhoça e atravessar o Rio da Madre em um barco a remo em uma manhã de verão, provar uma tainha assada em uma barraca da Pinheira em pleno mês de julho e entender por que a pequena cidade a 15 km de Florianópolis continua sendo um dos endereços mais completos do litoral brasileiro.