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Uma pesca em 1717 transformou esta cidade em um dos maiores destinos da América Latina, com o segundo maior templo católico do mundo
De uma pesca em 1717 nasceu um dos maiores destinos de fé da América Latina.
Em outubro de 1717, três pescadores lançaram redes no Rio Paraíba do Sul em busca de peixes para um banquete e retiraram das águas uma pequena imagem de terracota partida em dois pedaços. Foi assim que nasceu Aparecida, no Vale do Paraíba paulista. Hoje, a cidade de 36 mil habitantes, a 168 km de São Paulo, é o principal centro de peregrinação da América Latina e o segundo maior templo católico do mundo depois da Basílica de São Pedro.
Da pesca milagrosa à Capital da Fé
A história começou quando o Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, então governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, passaria pela Vila de Guaratinguetá em outubro de 1717 a caminho de Vila Rica. As autoridades encomendaram um banquete e os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram enviados ao rio.
Depois de várias tentativas sem sucesso, João Alves puxou da água o corpo de uma imagem sem cabeça. Na tentativa seguinte, veio a cabeça, que se encaixou perfeitamente. Segundo a Prefeitura de Aparecida, a partir daquele momento as redes se encheram de peixes. A imagem, atribuída ao frei carioca Agostinho de Jesus, tem apenas 36 centímetros e 2,5 kg. Ficou 15 anos com a família de Felipe Pedroso, virou capela em 1745 e foi proclamada padroeira do Brasil em 1930 pelo papa Pio XI. A cidade emancipou-se de Guaratinguetá em 1928.

O que fazer em Aparecida em dois dias?
A maior parte das atrações fica no complexo do Santuário Nacional, que cabe em um dia intenso. Vale reservar um segundo dia para o centro histórico, o Porto Itaguaçu e o Morro do Cruzeiro com calma.
- Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida: com 72 mil m², abriga o altar central com a imagem original e capacidade para 30 mil devotos no interior e 300 mil nas celebrações externas.
- Basílica Velha: inaugurada em 24 de junho de 1888, foi o primeiro grande templo a abrigar a imagem e passa por processo de restauração para recuperar suas características originais.
- Sala das Promessas: um dos espaços mais concorridos do Santuário, reúne mais de 70 mil fotos e objetos como o capacete de Ayrton Senna, mochila de peregrinação de Renato Aragão e um figurino da Xuxa.
- Sala das Velas: espaço onde os fiéis acendem velas em oração, com centenas de tamanhos e cores diferentes, aberto todos os dias.
- Passarela da Fé: projetada por Roberto Carlos Niemeyer e inaugurada em 1971, tem 392,2 metros de extensão e 35,52 metros de altura no ponto mais alto, ligando a Basílica Velha ao Santuário Nacional.
- Bondinho Aéreo: teleférico de 1,1 km com 47 cabines que liga o Santuário ao Morro do Cruzeiro, com vista panorâmica da cidade.
- Morro do Cruzeiro: ponto de peregrinação com esculturas das 14 estações da Via Sacra e Torre do Mirante de 30 metros com andar panorâmico de 360°.
- Porto Itaguaçu: às margens do Rio Paraíba do Sul, marca o local onde a imagem foi encontrada em 1717, com Capela da Pesca Milagrosa.
Três papas em pouco mais de três décadas
O Santuário Nacional recebeu três papas em visitas oficiais em pouco mais de três décadas. João Paulo II consagrou a Basílica Nova em 1980, quando o templo ainda estava em obras, na sua primeira viagem ao Brasil.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a devoção nacional cresceu ao longo do século XX até a cidade se consolidar como principal destino de romaria do país. Depois de João Paulo II, vieram Bento XVI em 2007, quando presidiu a Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano, e o papa Francisco em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude realizada no Rio de Janeiro.
Sabores da mesa do romeiro
A cozinha aparecidense atende milhões de romeiros por ano e mistura tradição paulista com receitas do Vale do Paraíba. Restaurantes populares e refeitórios do Centro de Apoio ao Romeiro servem opções fartas e a preços acessíveis.
- Peixe do Rio Paraíba: preparações com traíra, dourado e tilápia, servidas fritas ou assadas com farofa e arroz.
- Bolinho caipira: quitute frito com massa de milho verde e recheio de carne, presença comum nas lanchonetes do centro.
- Doces conventuais: tradição herdada dos redentoristas, com pé de moleque, cocada e doce de abóbora.
- Água benta e velas votivas: itens que fazem parte da liturgia local, disponíveis nas mais de 330 lojas do Centro de Apoio ao Romeiro.
Qual a melhor época para visitar Aparecida?
O clima é tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos. A cidade fica a 542 metros de altitude, o que garante noites frescas mesmo no verão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O período de maior fluxo é a semana da Padroeira, com celebrações que se concentram em 12 de outubro, quando a cidade recebe milhões de visitantes em apenas um dia. Para quem quer conhecer o Santuário com mais tranquilidade, os meses de fevereiro a maio e agosto a setembro são as melhores opções.

Como chegar em Aparecida?
A cidade fica às margens da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), entre São Paulo (168 km) e Rio de Janeiro (240 km), com acesso direto de carro. O trajeto leva cerca de 2 horas partindo da capital paulista e 3 horas do Rio.
Ônibus regulares partem das duas capitais com frequência diária, além de excursões saindo de praticamente todos os estados brasileiros. Peregrinos também chegam a pé, de bicicleta ou a cavalo, especialmente em outubro. O complexo do Santuário tem estacionamento com cerca de 2 mil vagas para ônibus e 3 mil para carros. O aeroporto mais próximo é o de Guaratinguetá, com voos regionais, mas a maioria dos visitantes usa os aeroportos de Guarulhos, Congonhas ou Galeão.
Vá conhecer Aparecida
Poucas cidades brasileiras nasceram literalmente de um gesto simples: um pescador que jogou a rede e puxou algo inesperado. Mais de três séculos depois, a imagem de barro continua no centro de tudo, protegida por vidro blindado e cercada por milhões de histórias que os devotos deixam na Sala das Promessas.
Você precisa atravessar a Passarela da Fé e subir ao Morro do Cruzeiro no fim da tarde para entender por que a Capital da Fé virou o maior centro de peregrinação mariana do planeta.