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Com 102 praias, 83% de Mata Atlântica preservada e o palco do 1º tratado de paz das Américas, essa é a Capital do Surfe paulista
Onde o surfe encontra a história.
A 220 km de São Paulo, na última cidade do litoral norte antes da divisa com o Rio de Janeiro, Ubatuba guarda um dos endereços mais impressionantes do Brasil. Espremida entre a Serra do Mar e o Atlântico, tem 102 praias oficiais distribuídas em 106 km de costa e 83% do território dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, com mais de 47 mil hectares de Mata Atlântica preservada. Reconhecida por lei estadual como Capital do Surfe do Estado de São Paulo, foi palco do Tratado de Iperoig em 1563, considerado o primeiro tratado de paz das Américas.
Do Poema à Virgem à Capital do Surfe
O nome vem do tupi e significa lugar de muitas canoas, referência aos barcos usados pelos indígenas que habitavam a região. Em 1563, o padre José de Anchieta ficou prisioneiro por quatro meses em uma aldeia tupinambá enquanto negociava a Paz de Iperoig, o primeiro tratado de paz oficial do continente americano. Foi na areia hoje chamada de Praia do Cruzeiro que ele escreveu o célebre Poema à Virgem, uma das obras mais importantes da literatura em latim das Américas.
Segundo o Correio Braziliense, a fundação oficial da vila aconteceu em 1637. No século XIX, o porto de Ubatuba chegou a ser o mais movimentado da Capitania de São Vicente, escoando café do Vale do Paraíba. O Sobradão do Porto, casarão de 1846 tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), é o único remanescente desse período. Com a ferrovia deslocando a economia para Santos, a cidade entrou em décadas de isolamento até que a Rodovia Oswaldo Cruz reabriu nos anos 1930. O surfe chegou em 1967 e transformou definitivamente a economia local a partir dos anos 1960.

O que fazer em Ubatuba em três dias?
Três dias são o mínimo para conhecer as principais praias, o Projeto Tamar e uma das ilhas do arquipélago. O litoral se divide em três regiões: norte com as praias mais preservadas, centro com a vida noturna e sul com maior oferta de hospedagem.
- Praia de Itamambuca: a 14 km do centro, é palco de campeonatos internacionais de surfe, com ondas fortes e encontro cênico entre rio e mar, cercada por Mata Atlântica preservada.
- Praia do Félix: a 13 km do centro, ao norte, tem faixa extensa de areia clara, morro coberto de mata e combinação de mar agitado para surfe com trechos calmos para banho.
- Projeto Tamar Ubatuba: inaugurado em 1991 na Praia do Itaguá, foi a primeira base instalada em área de alimentação de tartarugas, com tanques de tartarugas marinhas, tubarões e raias, título de Posto Avançado da Unesco.
- Ilha Anchieta: antigo presídio transformado em Parque Estadual em 1977, com sete praias de águas cristalinas, trilhas históricas pelas ruínas e um dos melhores pontos de mergulho do litoral paulista. Limite de 1.020 visitantes por dia.
- Ilha das Couves: pequeno paraíso de águas transparentes ao norte da cidade, com acesso controlado de no máximo 531 visitantes por dia, ideal para mergulho livre, com trajeto de 15 minutos de barco a partir da Praia de Picinguaba.
- Núcleo Picinguaba: no extremo norte da cidade, oferece trilhas na mata, imersão na cultura caiçara e acesso a praias selvagens preservadas dentro do Parque Estadual da Serra do Mar.
- Trilha das Sete Praias: caminhada de cerca de 6 km entre Lagoinha e Fortaleza, com mata fechada, mirantes e enseadas quase desertas, considerada uma das mais bonitas do litoral paulista.
- Sobradão do Porto: casarão de 1846 tombado pelo Condephaat, é o único remanescente do ciclo do café portuário e abriga espaço cultural com exposições no centro da cidade.
Sabores da mesa caiçara
A cozinha reflete a herança indígena e portuguesa das comunidades caiçaras que habitam o litoral há séculos. A pesca artesanal abastece boa parte dos cardápios.
- Azul-marinho: prato típico caiçara feito com peixe fresco cozido em banana-verde, que dá ao caldo uma cor azulada característica. Herança direta da culinária indígena da região.
- Moqueca caiçara: preparo tradicional com peixe fresco, leite de coco, tomate, cebola e coentro, servido em panela de barro em restaurantes pé na areia.
- Camarão e frutos do mar: sequências de camarão fresco, casquinha de siri e casquinha de caranguejo em restaurantes das praias do centro e do norte.
- Pastel de camarão do Itaguá: tradição da feira da Praia do Itaguá, servido fresquinho com camarões inteiros e recheio generoso.
Qual a melhor época para visitar Ubatuba?
O clima é subtropical úmido, com chuvas o ano todo. A média anual de pluviosidade é de cerca de 2.520 mm, sem estação seca definida, o que rendeu à cidade o apelido carinhoso de Ubachuva.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno, entre junho e agosto, é a época mais seca e favorece as trilhas e a visita ao Projeto Tamar sem filas. O verão concentra o movimento das férias escolares e as etapas mundiais de surfe. As chuvas rápidas de verão fazem parte do roteiro e não devem afastar o visitante das praias.

Como chegar em Ubatuba?
A cidade fica a 220 km de São Paulo pela Rodovia dos Tamoios (SP-099) com descida da serra e conexão com a Rio-Santos (BR-101). O trajeto leva cerca de 3 horas e 30 minutos em condições normais, mas pode dobrar em feriados e na alta temporada.
Uma rota alternativa é a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), que desce a Serra do Mar a partir de Taubaté. Do Rio de Janeiro, são cerca de 300 km pela Rio-Santos, passando por Paraty, em um dos trechos mais cênicos do litoral brasileiro. O Aeroporto Estadual Gastão Madeira atende voos executivos, e os aeroportos de Guarulhos e Galeão são as portas aéreas de longa distância. Ônibus da Viação Litorânea partem diariamente do Terminal Tietê com viagens de aproximadamente 4 horas.
Vá conhecer Ubatuba
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar 102 praias catalogadas, 47 mil hectares de Mata Atlântica preservada, o primeiro tratado de paz das Américas e a primeira base do Projeto Tamar em área de alimentação de tartarugas no mesmo endereço. Ubatuba segue no ritmo das ondas que quebram em Itamambuca, das trilhas que serpenteiam pela Serra do Mar e das vilas caiçaras que preservam o mesmo modo de vida do tempo em que Anchieta escreveu o Poema à Virgem na areia.
Você precisa descer a serra pela Tamoios e passar um dia na Ilha Anchieta para entender por que a Capital do Surfe paulista virou um dos destinos mais completos do litoral brasileiro.