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Alexandre, o Grande, estrategista: “Não temo um exército de leões liderado por uma ovelha; temo um exército de ovelhas liderado por um leão.”
A frase atribuída a Alexandre, o Grande, pode não ser histórica, mas estudos recentes mostram que a liderança transformacional aumenta a resiliência, a inovação e o desempenho das equipes, especialmente em momentos de crise.
A frase é frequentemente atribuída a Alexandre, o Grande: “Não temo um exército de leões liderado por uma ovelha. Temo um exército de ovelhas liderado por um leão.” Historiadores a consideram apócrifa, provavelmente de origem africana ou árabe. Mas o argumento que ela contém resiste ao teste do tempo e da evidência. A pesquisa em psicologia organizacional documentou o que o provérbio enuncia em metáfora: a qualidade da liderança prediz o desempenho coletivo com mais consistência do que o talento individual dos membros da equipe. Os estudos sobre liderança transformacional aprofundaram esse achado.
O que a ciência diz sobre o impacto da liderança no desempenho coletivo?
Um estudo publicado em 2025 na revista Frontiers in Psychology, com 261 membros de equipes de projetos em empresas de construção, mostrou que a liderança transformacional tem efeito positivo direto sobre o sucesso do projeto e que esse efeito é mediado pela resiliência da equipe. Líderes transformacionais, aqueles que criam visão compartilhada, estimulam o aprendizado contínuo e modelam comportamentos de enfrentamento, aumentam a capacidade da equipe de se recuperar de falhas operacionais e de manter o desempenho em condições voláteis. A frase do provérbio aparece aqui em forma científica: o leão não precisa de leões para vencer. Precisa de uma equipe que consiga se adaptar.
Um segundo estudo, publicado na revista Behavioral Sciences em dezembro de 2024, analisou o impacto da liderança transformacional no desempenho de inovação de equipes e encontrou que esse tipo de liderança prediz inovação de forma mais robusta quando o ambiente é de incerteza. Em outras palavras: em condições de crise ou mudança, a qualidade do líder importa mais do que em condições estáveis. É exatamente quando as ovelhas precisam mais do leão.

O que a metáfora acerta e o que ela simplifica demais?
A metáfora acerta em dois pontos centrais. O primeiro é que liderança fraca desperdiça talentos: equipes altamente capacitadas sem direção clara produzem muito abaixo do potencial de seus membros. O segundo é que liderança forte eleva equipes medianas: visão clara e modelo de comportamento consistente transformam o desempenho de pessoas comuns.
O que ela simplifica é a ideia de que o líder é o único determinante. A pesquisa mostra que liderança transformacional funciona melhor quando a equipe tem autonomia e psicologia de segurança. O leão precisa de ovelhas que também pensem.
Quando o “leão” é destrutivo: o que a literatura diz sobre líderes tóxicos?
A metáfora ignora o que acontece quando o leão é destrutivo. A literatura sobre líderes tóxicos documenta o fenômeno oposto: um líder dominante com comportamentos abusivos ou narcísicos pode destruir equipes de alta performance com mais rapidez do que um líder fraco. O leão que morde a própria tropa não é o cenário do provérbio, mas é o cenário frequente nas organizações.
A pesquisa mostra que liderança transformacional funciona melhor quando a equipe tem autonomia e psicologia de segurança. O leão precisa de ovelhas que também pensem e se expressem sem medo.

Quais são as características que diferenciam um líder que eleva equipes de um que as paralisa?
A literatura de liderança transformacional identificou, ao longo de décadas de pesquisa, os comportamentos que consistentemente diferenciam líderes que multiplicam o desempenho de equipes dos que o limitam. Os mais bem documentados incluem:
- Visão articulada e compartilhada: o líder que consegue fazer a equipe ver para onde está indo e por que isso importa cria coesão que nenhum incentivo individual substitui
- Modelo de comportamento consistente: Alexandre lutava ao lado dos soldados; líderes que fazem o que pedem têm credibilidade que instrução formal não gera
- Estímulo intelectual: encorajar a equipe a questionar pressupostos e a experimentar novas abordagens, sem medo de punição pelo erro, é o que gera inovação em ambientes incertos
- Atenção individualizada: líderes que reconhecem as diferenças de cada membro e adaptam o apoio às necessidades específicas obtêm mais engajamento e menos turnover
A pesquisa também mostra que esses comportamentos respondem ao treinamento: liderança transformacional não é traço fixo de personalidade, mas conjunto de práticas desenvolvíveis.
A frase se aplica a times esportivos, famílias e movimentos sociais além das organizações?
A pesquisa em liderança expandiu o escopo para além das empresas. O padrão é consistente em vários domínios: a qualidade do comando muda o resultado, independentemente do contexto:
- Esportes: percepção dos atletas sobre liderança transformacional prediz coesão de equipe mais do que habilidade técnica individual
- Educação: diretores com estilo transformacional melhoram desempenho de professores e alunos mesmo com recursos limitados
- Movimentos sociais: líderes que articulam visão e geram confiança mobilizam mais recursos do que os que dependem de autoridade formal
A questão que o provérbio coloca é quem forma o leão. Alexandre foi treinado por Aristóteles. Líderes transformacionais não nascem prontos: têm histórico de feedback intenso e capacidade de aprendizado com o fracasso. A frase celebra o resultado da liderança de forma eloquente. O que fica implícito é que o leão também foi ovelha antes de aprender a liderar.