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A cama de casal está fora de moda: a nova tendência ajuda a ganhar espaço no quarto
Pesquisas mostram que ronco, horários diferentes e movimentos durante a noite levam cada vez mais casais a adotar camas separadas ou métodos alternativos para melhorar a qualidade do sono.
A cama de casal sempre foi tratada como símbolo de união, mas a ciência do sono vem acumulando dados que desafiam essa premissa. Pesquisa de 2025 da AASM com mais de 2.000 adultos americanos revelou que 31% dormem em cama ou quarto separado do parceiro. Entre 35 e 44 anos, esse número sobe para 39%. Um estudo do Medscape de junho de 2026 com 1.420 brasileiros, conduzido pelo professor Luciano Drager da USP, encontrou que 46% relataram insatisfação com o próprio sono, e um terço apontou o parceiro como causa. O fenômeno é chamado de sleep divorce, mas a RAND Corporation prefere sleep alliance: a ideia não é separação, é colaboração para que os dois durmam melhor.
Por que compartilhar a cama perturba o sono de tanta gente?
Os motivos mais citados são ronco, movimentos excessivos e horários incompatíveis. No estudo da USP, ronco e apneia responderam por 75% dos motivos. Movimento excessivo apareceu em 59%, horários desalinhados em 61%. O problema é bidirecional: quem perturba raramente percebe.
Há também um componente de gênero documentado. Pesquisas citadas pelo portal Fawcett Mattress mostram que mulheres passam mais tempo acordadas na cama quando dividem o espaço com um parceiro, enquanto os homens em média dormem mais com companhia. Por isso homens são quase duas vezes mais propensos a se mover voluntariamente para outro quarto. As razões que mais aparecem nas pesquisas incluem:
- Ronco e apneia: fator mais citado, 75% das motivações no estudo da USP com casais brasileiros
- Horários incompatíveis: cronotipo matutino versus noturno cria conflito na hora de dormir e acordar
- Movimentos excessivos: síndrome das pernas inquietas, sono agitado e sonambulismo leve
- Diferenças de temperatura: cobertores individuais resolvem em parte, mas não eliminam o problema

O que é o método escandinavo e qual a diferença para o sleep divorce completo?
O método escandinavo, popularizado globalmente após vídeos virais em 2023, é a versão de meio-caminho: o casal compartilha a mesma cama e o mesmo colchão, mas usa cobertores individuais em vez de um único para os dois. A lógica é eliminar um dos principais conflitos noturnos, a disputa pelo cobertor e as diferenças de temperatura, sem a mudança estrutural de camas separadas. É uma solução de baixo custo e zero impacto na decoração do quarto. O método alemão Doppelbett, que ganhou atenção em 2026, vai um passo adiante: dois colchões individuais em uma mesma estrutura de cama, permitindo que cada pessoa escolha a firmeza do seu colchão sem afetar o outro. As diferenças entre as principais abordagens incluem:
- Cobertor único compartilhado: solução padrão da maioria dos casais; resolve menos porque não resolve ronco, movimentos ou horários
- Método escandinavo (dois cobertores): resolve temperatura e disputa pelo cobertor; não resolve ronco nem movimentos do parceiro
- Método alemão Doppelbett (dois colchões): resolve temperatura, firmeza e transmissão de movimentos; os dois ainda dividem a mesma estrutura de cama
- Sleep divorce completo (camas ou quartos separados): solução mais eficaz para ronco intenso e horários muito diferentes; exige espaço e planejamento de decoração
A escolha entre essas opções depende do motivo principal do problema de sono. Para ronco intenso, apenas o sleep divorce completo resolve de forma consistente.
Dormir separado prejudica o relacionamento ou melhora?
A pesquisa é mais favorável do que o estigma sugere. A especialista da RAND Corporation, Wendy Troxel, com mais de 20 anos de pesquisa clínica, observa que dormir melhor reduz a irritabilidade, com efeito direto no relacionamento. A ResMed 2024 encontrou divisão: 31% dos casais que dormem separados relataram melhora, mas 26% relataram piora.
O contexto importa mais do que o arranjo. Casal que dorme separado por consenso tende a resultados diferentes de casal em que uma das partes foi para outro quarto sem conversa.

Quais os motivos mais comuns que levam casais a dormir separados?
A tabela abaixo resume os principais motivos citados:
| Motivo | USP 2026 (Brasileiros) | AASM 2025 (Americanos) |
|---|---|---|
| Ronco / apneia do parceiro | 75% | Fator principal citado |
| Horários incompatíveis | 61% | 56% (ResMed 2024) |
| Movimentos excessivos | 59% | Fator citado consistentemente |
| Uso de eletrônicos na cama | 32% | Citado como fator secundário |
O problema é mais comum e multifatorial do que a maioria dos casais percebe.
Como adaptar o quarto do casal para camas separadas sem perder a harmonia visual?
Dois colchões individuais em um quarto podem parecer uma pensão sem projeto. As soluções mais recomendadas passam por cabeceiras longas que abracem as duas camas como se fossem uma, roupas de cama em paleta semelhante e iluminação indireta que unifique o espaço. Em quartos pequenos, é preciso garantir passagem entre as camas, acesso ao guarda-roupa e espaço para abrir gavetas. Mesas de cabeceira menores ou nichos embutidos ajudam a manter a circulação.
A tendência, documentada pelo portal Sleep Foundation, mostra que o quarto do casal moderno está sendo repensado a partir das necessidades reais. A cama de casal não desaparecerá, mas a ideia de que ela é a única opção para dois adultos com rotinas diferentes já é disputada pelos dados.