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Por que quase metade do Coliseu desapareceu? A história por trás de um dos maiores monumentos de Roma
O motivo de quase metade do Coliseu ter desaparecido vai além dos terremotos
Quase metade do Coliseu desapareceu ao longo de séculos por uma combinação de terremotos, abandono, saques e reaproveitamento de pedras em outras construções de Roma. O monumento, também chamado de Anfiteatro Flaviano, não ficou incompleto por um único desastre, mas por uma longa sequência de usos, danos estruturais e decisões humanas.
Por que o Coliseu parece cortado de um lado?
A aparência atual do Coliseu chama atenção porque uma parte do anel externo permanece alta e imponente, enquanto outro trecho parece ter sido arrancado. Esse contraste dá a impressão de uma ruína partida ao meio, mas o desgaste aconteceu de forma gradual.
O anfiteatro foi construído com blocos de travertino, concreto romano, tijolos e grampos metálicos que ajudavam a unir as pedras. Com o passar do tempo, terremotos abriram rachaduras, derrubaram partes da estrutura e deixaram materiais expostos para retirada.
Qual foi o papel dos terremotos na destruição?
Os terremotos foram decisivos para enfraquecer grandes trechos do Coliseu. Roma não está livre de abalos sísmicos, e alguns tremores antigos danificaram arcadas, paredes externas e partes superiores do anfiteatro, principalmente nas áreas mais vulneráveis.
Depois desses danos, a estrutura ficou mais fácil de desmontar. Alguns efeitos dos terremotos ajudam a entender por que o monumento perdeu tanta massa ao longo dos séculos:
- Rachaduras profundas abriram caminho para quedas posteriores.
- Arcadas externas perderam apoio em pontos importantes.
- Blocos de pedra se soltaram e ficaram disponíveis para reaproveitamento.
- Partes altas ficaram instáveis e foram removidas por segurança ou interesse material.
- O anel externo sofreu mais onde a estrutura já estava enfraquecida.

Como o Coliseu virou uma pedreira urbana?
Após o fim dos grandes espetáculos, o Coliseu perdeu sua função original. Sem o mesmo uso público e sem manutenção adequada, o anfiteatro passou a ser visto por muitos como uma enorme reserva de material de construção no centro de Roma.
Pedras, mármores e peças metálicas foram retirados para erguer, reformar ou decorar outros edifícios. O que hoje parece uma perda absurda era, em determinados períodos, uma prática comum: aproveitar material antigo para obras novas, especialmente quando os blocos já estavam cortados e próximos da cidade.
Que materiais foram retirados do monumento?
O reaproveitamento não envolveu apenas pedras soltas. O travertino das fachadas, os assentos de mármore, partes de revestimento e grampos de metal também foram removidos. Esses grampos eram valiosos porque podiam ser derretidos e usados em outras finalidades.
Essa retirada deixou marcas visíveis até hoje. Ao observar o Coliseu de perto, alguns sinais revelam a ação humana sobre a construção antiga:
- Buracos deixados pela extração de grampos metálicos.
- Trechos sem revestimento original de pedra.
- Arcadas incompletas na parte externa do anfiteatro.
- Áreas internas expostas por perda de camadas superiores.
- Blocos ausentes que foram usados em outras obras de Roma.
O vídeo do canal Estranha História, que conta com mais de 1,9 milhão de visualizações, narra a fascinante trajetória do Coliseu, explicando por que uma grande parte da sua estrutura original desapareceu ao longo dos séculos:
Por que o monumento não foi preservado desde o início?
A ideia moderna de preservar ruínas antigas demorou a se consolidar. Durante muitos séculos, construções romanas abandonadas eram tratadas como fontes úteis de pedra, metal e ornamentos. O valor histórico existia, mas nem sempre era prioridade diante de guerras, reformas urbanas, poder político e necessidades práticas.
Com o tempo, a visão sobre o Coliseu mudou. O anfiteatro deixou de ser apenas uma estrutura antiga e passou a ser reconhecido como símbolo da engenharia romana, da história imperial e da memória urbana. A partir desse momento, cresceram as ações de proteção, escoramento e restauração.
O que a parte desaparecida revela sobre Roma?
A ausência de quase metade do Coliseu conta uma história tão importante quanto as arcadas que continuam de pé. Ela mostra como Roma foi construída sobre camadas sucessivas, nas quais monumentos antigos, igrejas, palácios, ruas e ruínas se misturam em um mesmo território histórico.
O Coliseu sobreviveu porque resistiu a terremotos, saques, abandono e reaproveitamento de pedras, mas também porque sua imagem passou a representar a própria cidade. A parte que falta lembra que monumentos não atravessam os séculos intactos. Eles carregam marcas de uso, destruição, reconstrução e preservação, como uma memória física da relação entre poder, tempo e cidade.