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A Cidade das Flores abriga o maior conjunto de casas enxaimel do Brasil a menos de uma hora de Porto Alegre
O maior conjunto de casas enxaimel do Brasil.
Casas com vigas de madeira aparente, ruas cortadas por arroios e cerejeiras que florescem no inverno gaúcho. Ivoti, a Cidade das Flores, guarda o maior núcleo de arquitetura enxaimel do país e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul, numa combinação incomum para uma cidade de pouco mais de 23 mil habitantes.
Uma flor batizada em tupi
O nome atual só chegou em 1938. Antes disso, o município teve dois batismos anteriores, segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. O primeiro foi Berghahnerschneiss, ou Linha dos Berghahn, referência à primeira família alemã que colonizou a região. Depois virou Bom Jardim.
A troca definitiva ocorreu na década de 1930. Ivoti é derivado da língua tupi-guarani “ipoti-catu”, que significa flor. Daí o apelido de Cidade das Flores, reforçado pelas cerejeiras plantadas pela colônia japonesa e pelos jardins que decoram o centro histórico.
A cidade se emancipou de Estância Velha em 19 de outubro de 1964, depois de mais de um século de vinculação a São Leopoldo. Hoje integra a Rota Romântica do Rio Grande do Sul, roteiro cultural e gastronômico que liga São Leopoldo a São Francisco de Paula.

As casas de 1826 que ficaram de pé
Em 1826, as primeiras famílias alemãs chegaram à região da Feitoria Nova, cortada pelo Arroio Feitoria. Elas ocuparam uma das colônias formadoras do município, batizada de Picada 48, e ergueram casas na técnica enxaimel, chamada Fachwerk em alemão, com vigas de madeira posicionadas na vertical, horizontal e diagonal, e preenchimentos em pedra e barro.
Segundo o guia Cumoiá Ivoti, cinco das 32 casas enxaimel existentes na cidade se concentram no chamado Núcleo de Casas Enxaimel, no bairro Feitoria Nova. O conjunto foi apelidado de Buraco do Diabo, ou Teufelsloch, provavelmente pelas encostas fechadas ao redor do arroio.
Nas casas funcionam o Museu Claudio Oscar Becker, a Casa Zimmermann, com o Armazém Colonial, a Casa do Artesão, o Departamento de Turismo e Cultura, e a Casa Amarela, restaurante que serve culinária alemã tradicional. Todas fazem parte do Patrimônio Histórico Municipal.
A Rota Enxaimel abre a serra em cinco caminhos
Inaugurada em meados de 2021, a Rota Enxaimel transformou o passeio pelas casas históricas em um circuito autoguiado. São cinco trajetos que partem dos arredores da Casa Amarela e variam de 5 a 20 km.
- Picada Feijão: trilha curta ideal para famílias e primeiro contato com o cenário rural.
- Nova Vila: percurso urbano-rural que passa por propriedades históricas.
- Picada 48 Alta: 6,5 km entre casas enxaimel originais, muros de pedra centenários e trechos de mata.
- Picada 48 Baixa: passa pela Cascata São Miguel e mistura estrada de terra com pavimento.
- Feitoria Nova: trajeto mais próximo ao centro, com feira colonial e casas antigas.
Os caminhos podem ser feitos a pé, de bicicleta, moto ou até de carro. Ao longo das rotas aparecem muros de pedra centenários, tradição rural comum às colonizações alemã, italiana e açoriana no estado.
A colônia japonesa que virou destino cultural
Em 1966, quatro décadas depois da chegada dos alemães, o Vale das Palmeiras recebeu a primeira leva de imigrantes japoneses. Segundo a Secretaria de Turismo do estado, ali funciona a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul, que contribuiu para diversificar a agricultura e a paisagem cultural do município.
O Memorial da Colônia Japonesa preserva objetos típicos e produtos locais. No segundo e no último domingo de cada mês acontece a Feira da Colônia Japonesa, com comidas produzidas pela comunidade. As cerejeiras florescem no inverno gaúcho e dão à cidade um dos cenários mais fotografados do sul do país.
O que fazer entre pontes, mirantes e vinícolas
Boa parte das atrações fica em raio curto do centro. O passeio se completa com paradas em cascatas, pontes históricas e produtores rurais.
- Núcleo de Casas Enxaimel: cinco casas históricas com museu, restaurante e armazém colonial, a dois km do centro.
- Ponte do Imperador: construída entre 1857 e 1864 sobre o Arroio Feitoria, ligava a colônia à capital da província.
- Memorial da Colônia Japonesa: acervo cultural com feira mensal de produtos típicos.
- Cascata São Miguel: encontrada no trajeto da Picada 48 Baixa, com quedas d’água em meio à mata.
- Vinícola Berwian: aberta à visitação, com produção de vinhos finos de tradição alemã.
- Mirante da cidade: vista panorâmica dos vales do Sinos e da colonização alemã.
Sabores da mesa alemã com toque japonês
A gastronomia mistura duas heranças fortes. O restaurante Casa Amarela concentra os pratos alemães tradicionais, enquanto a feira da colônia japonesa traz o outro lado da mesa.
- Marreco assado com repolho roxo: prato típico dos colonos alemães da serra gaúcha, servido em receitas familiares centenárias.
- Kassler com chucrute: costela suína defumada acompanhada do repolho fermentado clássico.
- Strudel: massa fina recheada com maçã, uva ou queijo, herança direta da confeitaria germânica.
- Yakisoba e sushis: presença marcante da comunidade japonesa, com destaque nas feiras mensais.

Como é o clima de Ivoti durante o ano?
A cidade tem clima subtropical úmido, com verões quentes e invernos frios. As chuvas se distribuem por todos os meses, mas o inverno costuma trazer os melhores dias para as caminhadas na Rota Enxaimel.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Cidade das Flores
Ivoti fica a cerca de 56 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-116. Quem vem da Serra Gaúcha também chega pela mesma rodovia, e há alternativas pela Avenida Presidente Lucena a partir de Estância Velha ou Presidente Lucena. O trajeto da capital gaúcha leva pouco mais de uma hora de carro.
A cidade que preserva duas heranças
Poucos municípios brasileiros mantêm com tanta força o encontro entre culturas tão diferentes. Ivoti combina o traçado das casas enxaimel do século XIX, o florescer das cerejeiras da colônia japonesa e uma gastronomia que atravessa os dois continentes na mesma mesa.
Você precisa conhecer Ivoti e caminhar pela Rota Enxaimel para entender por que a Cidade das Flores virou parada obrigatória no Vale do Sinos.