Rio
Após 54 anos, Justiça condena ex-militar por estupros e sequestro na Casa da Morte durante a ditadura
Decisão histórica reconhece crimes contra a humanidade; réu poderá recorrer em liberdade
Mais de meio século após os crimes, a Justiça Federal condenou Antonio Waneir Pinheiro Lima, o “Camarão”, a 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão por sequestro e dois estupros cometidos contra a ativista Inês Etienne Romeu, única sobrevivente conhecida da “Casa da Morte” de Petrópolis, centro clandestino de tortura usado durante a ditadura militar.

A pena será cumprida em regime fechado, e a sentença também determinou a perda do cargo público de Antonio, sargento reformado do Exército Brasileiro. Aos 83 anos, ele poderá recorrer em liberdade.
Crimes contra a humanidade
Os fatos julgados ocorreram em 1971, quando Inês foi mantida em cárcere privado por três meses e estuprada duas vezes por Antonio. A sentença reconheceu os crimes como crimes contra a humanidade, categoria que não prevê prazo de prescrição e obriga o Estado brasileiro a punir os responsáveis. Inês Etienne Romeu morreu em 2015.
Segundo apuração do Ministério Público Federal, ao menos 22 pessoas foram assassinadas na Casa da Morte de Petrópolis ou continuam desaparecidas até hoje.