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Com 365 ilhas, a baía descoberta em 1502 virou o primeiro Patrimônio Misto do Brasil pela UNESCO
O lugar com uma ilha para cada dia do ano.
Águas verde-esmeralda protegidas pela Serra do Mar, uma ilha para cada dia do ano e uma das dez melhores praias do mundo. Angra dos Reis, uma baía no litoral sul do Rio de Janeiro, transforma quase cinco séculos de história em um dos arquipélagos mais visitados do Brasil, com águas calmas ideais para a navegação e infraestrutura náutica de ponta.
Uma baía batizada no dia dos Reis Magos
A origem do nome tem data exata. Navegadores portugueses chegaram à enseada em 6 de janeiro de 1502, dia dedicado aos Três Reis Magos no calendário católico, e batizaram o lugar com o nome da data. A palavra angra vem do português antigo e significa enseada estreita, protegida do mar aberto.
Mais de cinco séculos depois, a paisagem que impressionou os primeiros exploradores continua praticamente intacta. A baía é formada por 365 ilhas e mais de 2.000 praias, segundo o portal oficial Visite Angra, mantido pela Prefeitura Municipal de Angra dos Reis. As águas cristalinas mantêm temperatura ideal para banho o ano inteiro.
A cidade se firmou como base de navegação no sudeste brasileiro. A baía protegida contra o vento e as ondas do mar aberto fez dela um dos melhores lugares para navegar em todo o país, além de figurar entre os pontos preferidos para mergulho, graças à quantidade de naufrágios e à abundante vida marinha.

O primeiro sítio misto do Brasil reconhecido pela UNESCO
Em julho de 2019, na 43ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, a UNESCO declarou o conjunto formado por Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria sítio misto. Segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o território protegido abrange cerca de 149 mil hectares.
O título é inédito no país. Foi o primeiro sítio misto brasileiro reconhecido pela UNESCO, ou seja, com valor cultural e natural somados no mesmo reconhecimento. É também o primeiro de cultura viva na América Latina, categoria diferente dos demais sítios do continente, como Machu Picchu, considerados arqueológicos em paisagem natural.
A área protegida reúne quatro unidades de conservação, entre elas o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica da Praia do Sul e o Parque Nacional da Serra da Bocaina. A região concentra 45% das aves da Mata Atlântica e 34% dos anfíbios do bioma, com registros de onça-pintada e do muriqui, o maior primata das Américas.

Ilha Grande e as praias que viraram cartão-postal
A principal atração é a Ilha Grande, maior ilha do estado do Rio de Janeiro, com 193 km². Segundo o Portal Turismo do Rio de Janeiro, ela fica a cerca de 40 minutos de barco a partir do centro de Angra e concentra a maior densidade de praias paradisíacas da região.
O Parque Estadual da Ilha Grande, criado em 1971, protege 12.072 hectares, o equivalente a 62,5% da ilha. Somado às demais reservas, 87% do território insular é área preservada. O ponto mais alto é o Pico da Pedra D’Água, com 1.031 metros de altitude, cercado por trilhas em plena Mata Atlântica.
A joia da coroa é a Praia de Lopes Mendes, com mar aberto, areia fina e branca. Já foi eleita entre as dez melhores praias do mundo em rankings internacionais. O acesso à faixa exige uma hora de trilha desde a Vila do Abraão ou 20 minutos de barco pelo mar, o que reduz o número de visitantes e preserva o cenário.
O que fazer entre ilhas, grutas e ruínas
O passeio pela baía se organiza em torno de saídas de escuna, lancha ou táxi-boat. As embarcações partem do Cais de Santa Luzia com roteiros que duram cerca de sete horas e cobrem várias paradas em um único dia.
- Praia de Lopes Mendes: mar aberto e areia fina na Ilha Grande, acessível por trilha ou barco desde a Vila do Abraão.
- Ilha da Gipoia: abriga a famosa Praia das Flechas, quiosques com boa estrutura e ambiente animado.
- Vila do Abraão: principal povoado da Ilha Grande, com pousadas, restaurantes e a Igreja de São Sebastião do século XIX.
- Praia do Dentista: enseada frequentemente listada entre as mais bonitas do mundo, com areia branca e água transparente.
- Ruínas do Lazareto: antigo hospital de quarentena no norte da Ilha Grande, testemunho da história sanitária brasileira.
- Vila Histórica de Mambucaba: povoado colonial ao sul do município, com a Igreja Nossa Senhora do Rosário.
- Ilha de Cataguases: considerada uma das mais paradisíacas do arquipélago, com águas transparentes.
A mesa caiçara e os frutos do mar
A gastronomia acompanha a vocação náutica. A influência caiçara predomina nos quiosques das praias mais movimentadas e nos restaurantes do centro, com produtos que saem do mar direto para o prato.
- Peixe grelhado com banana frita: presença garantida nos quiosques da orla, servido com arroz e farofa.
- Moqueca de peixe: preparo tradicional em panela de barro, com leite de coco e azeite de dendê.
- Vieiras frescas: cultivadas em fazendas marítimas da região, servidas grelhadas ou em risotos.
- Caldeirada de frutos do mar: mistura densa de camarão, lula, mariscos e peixes com temperos regionais.

Como é o clima de Angra dos Reis durante o ano?
A cidade tem clima tropical úmido, com temperaturas altas e amenas dependendo da estação. A geografia protegida faz das águas locais um destino de banho durante os doze meses do ano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Costa Verde
Angra dos Reis fica a cerca de 160 km do Rio de Janeiro pela Rio-Santos (BR-101), em aproximadamente duas horas e meia de carro. De São Paulo são cerca de 370 km pela Via Dutra até o Rio e depois pela BR-101. O Aeroporto Internacional do Galeão é o mais próximo com voos comerciais de grande porte. Para chegar à Vila do Abraão, na Ilha Grande, as barcas partem do Cais de Santa Luzia e levam cerca de 40 minutos.
A cidade das 365 ilhas
Poucos destinos brasileiros oferecem esse conjunto no mesmo endereço: um arquipélago com selo da UNESCO, praias entre as mais bonitas do planeta, centro histórico do século XVI e uma baía protegida pela Serra do Mar. Angra dos Reis mantém viva a promessa que os navegadores portugueses viram no dia dos Reis Magos.
Você precisa conhecer Angra dos Reis e navegar entre as ilhas para entender por que a Costa Verde virou o encontro mais bonito entre mar e mata do sudeste brasileiro.