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Fundada por ingleses e batizada em homenagem a Londres, essa cidade brasileira virou a capital do café, tem 6 obras de Vilanova Artigas e um lago com jardim de Burle Marx
Entre o café, qualidade e arquitetura.
Fundada em homenagem a Londres, com terra roxa fértil, avenidas arborizadas e uma vocação para o planejamento urbano herdada de colonos britânicos. Londrina, a segunda maior cidade do Paraná, transformou o café que dominou o século XX em uma economia diversificada e virou destino cada vez mais procurado por quem busca qualidade de vida no interior brasileiro.
A cidade que Lord Lovat plantou no meio da mata
A história começa com uma missão inglesa. Em 1924, a Missão Montagu, liderada por Lord Lovat, chegou ao Brasil a convite do governo brasileiro para analisar o potencial de investimento no país, com foco no plantio de algodão. Segundo o Seminário Brasileiro sobre Qualidade do Projeto no Ambiente Construído (SBQP), o técnico em agricultura e reflorestamento se impressionou com a fertilidade do solo do norte paranaense e com a possibilidade de adquirir terras a preços módicos.
O plano nasceu em seguida. Lovat fundou a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), subsidiária da inglesa Paraná Plantation Company, e em 1928 adquiriu mais de 500 mil alqueires do governo paranaense. O empreendimento se tornou o maior plano de colonização privado já realizado no país, com implantação de uma rede de mais de 60 núcleos urbanos no norte do estado.
O nome escolhido para a principal cidade não era acidente. Londrina, do português “da Londres”, homenageia a capital britânica e reforçou desde o início o vínculo cultural com o traçado urbano inglês. A fundação oficial ocorreu em 10 de dezembro de 1934, com o município crescendo rapidamente para atender à demanda por café.

Da capital mundial do café à segunda cidade do Paraná
Entre as décadas de 1940 e 1960, o café transformou Londrina em uma das cidades que mais cresciam no Brasil. Segundo a Prefeitura Municipal de Londrina, o município foi conhecido como a capital mundial do café por muitos anos, título que impulsionou o desenvolvimento do norte paranaense e sagrou a região como principal produtora global do grão.
Hoje a economia é outra. A cidade tem cerca de 581 mil habitantes e o segundo maior Produto Interno Bruto do Paraná, com indústria, agronegócio, comércio e serviços diversificados. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é 0,778, considerado alto, com destaque para os indicadores de educação e saúde.
O ensino superior é um dos pilares. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma das melhores universidades públicas do sul do Brasil, com o Hospital Universitário como referência médica na região, dividindo espaço com instituições privadas como UNOPAR e PUC-PR.

Por que Londrina virou opção de moradia?
A infraestrutura urbana bem planejada, herança do projeto inglês original, mantém a cidade organizada mesmo com o crescimento populacional. O plano da CTNP previa avenidas largas, canteiros centrais e arborização abundante, características preservadas desde a fundação.
Os bairros atendem a perfis variados. O Gleba Palhano concentra os imóveis mais valorizados, com condomínios de alto padrão e infraestrutura moderna. O Jardim Shangri-Lá reúne casas amplas próximas ao Shopping Catuaí, opção clássica para famílias. O Antares tem boa infraestrutura próxima às universidades e atrai jovens profissionais, enquanto o Centro mantém comércio ativo e proximidade da Catedral Metropolitana.
A colonização multiétnica, com alemães, japoneses, italianos e árabes, ajudou a construir uma cidade acolhedora, que hoje realiza eventos tradicionais como o Londrina Matsuri e o Festival Internacional de Música de Londrina. A vida cultural pulsa em teatros históricos, cafés especiais e no calendário anual de festivais.
Seis obras de Vilanova Artigas em uma cidade só
Poucos endereços fora de São Paulo reúnem tanta arquitetura moderna assinada. Durante a gestão do prefeito Hugo Cabral, entre 1947 e 1950, o município convidou o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, uma das principais expressões da arquitetura moderna brasileira, para projetar a Estação Rodoviária da cidade. A parceria com Carlos Cascaldi rendeu seis obras entre 1948 e 1953.
Segundo o iPatrimônio, a Estação Rodoviária foi tombada pelo Patrimônio do Estado em 1975 e desde 1985 leva o nome do arquiteto por decreto municipal. O conjunto ainda inclui o Cine Ouro Verde, o Edifício Autolon e a Confeitaria Calloni, além da Casa da Criança, do Country Club, da Santa Casa e do Estádio Municipal.
A cidade também guarda a assinatura de Roberto Burle Marx. Segundo o Blog Oficial da Prefeitura de Londrina, o paisagista brasileiro foi convidado em 1972 para criar o Parque de Londrina, projeto paisagístico que incluía áreas de lazer, esportes e contemplação ao longo das margens do Lago Igapó 1, com um jardim de 187 espécies de plantas nativas.
O que fazer entre parques e memória cafeeira
A rotina londrinense se divide entre áreas verdes, cafés e patrimônio arquitetônico. As atrações principais ficam em raio curto do centro histórico e podem ser exploradas em roteiros de dois a três dias.
- Lago Igapó: conjunto de lagos com mais de 4.500 metros de extensão, com pistas de caminhada, ciclovia e o projeto paisagístico assinado por Burle Marx.
- Estação Rodoviária Vilanova Artigas: marco da arquitetura moderna brasileira, tombada em 1975 e integrada à Praça Rocha Pombo.
- Cine Ouro Verde: sala de cinema histórica projetada por Vilanova Artigas, ainda em funcionamento no centro.
- Museu do Café: instalado no Sesc Londrina Cadeião, inaugurado em 2023, com 750 itens do acervo cafeeiro da cidade.
- Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, guarda a memória da colonização inglesa.
- Jardim Botânico: espaço dedicado à preservação de espécies nativas, com trilhas e lagos.
- Catedral Metropolitana: templo em estilo moderno com cúpula icônica no centro da cidade.

A cozinha multiétnica da terra roxa
A colonização diversa se manifesta na mesa. Restaurantes servem pratos que refletem a mistura de imigrantes que ajudaram a construir a cidade.
- Cafés especiais londrinenses: torrefações locais mantêm viva a herança cafeeira, com grãos cultivados na região norte do Paraná.
- Yakisoba e sushis: presença marcante da comunidade japonesa, uma das mais antigas do interior paranaense.
- Massas italianas: cantinas tradicionais preservam receitas de gerações de imigrantes.
- Sfihas e quibes: herança árabe presente em padarias e restaurantes do centro.
Como é o clima de Londrina durante o ano?
A cidade fica a 610 metros de altitude e tem clima subtropical úmido, com verões quentes e invernos amenos. As chuvas se concentram entre outubro e março, e os invernos podem apresentar geadas ocasionais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pequena Londres
Londrina fica a 388 km de Curitiba pela BR-369, com viagem de cerca de quatro horas de carro. O Aeroporto Governador José Richa recebe voos diários de São Paulo e da capital paranaense, operados por companhias nacionais. De Maringá são cerca de 100 km, aproximadamente uma hora e meia de estrada.
A cidade que os ingleses plantaram
Poucos municípios brasileiros combinam origem inglesa, arquitetura de Vilanova Artigas, paisagismo de Burle Marx e uma economia que já dominou o mercado mundial do café. Londrina uniu planejamento colonial e crescimento diversificado sem perder a atmosfera de cidade organizada e acolhedora.
Você precisa conhecer Londrina e caminhar ao redor do Lago Igapó para entender por que a Pequena Londres virou uma das melhores cidades do sul do país para morar.