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A única ilha vulcânica habitada do Brasil abriga a praia eleita 7 vezes a melhor do mundo
Com 21 ilhas vulcânicas e a melhor praia do planeta.
Uma fenda estreita entre falésias douradas, uma escadaria vertical encravada na pedra e um mar em tom turquesa que já superou Caribe e Maldivas em sete rankings globais. Fernando de Noronha, arquipélago vulcânico do Brasil em pleno Atlântico Sul, abriga a praia Baía do Sancho, título absoluto do turismo brasileiro e endereço de uma das paisagens mais preservadas do planeta.
Do naufrágio de Vespúcio à primeira Capitania Hereditária
A história começa em uma nau que afundou. Segundo o Governo do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, o arquipélago foi descoberto em 10 de agosto de 1503 por uma expedição comandada pelo capitão-mor Gonçalo Coelho, com participação do navegador italiano Américo Vespúcio. A viagem foi financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, arrendatário da extração do pau-brasil.
O contato inicial foi acidental. A principal nau da esquadra bateu em um recife perto da ilha, e Vespúcio ancorou por uma semana enquanto o restante da frota seguiu para o sul. Ao pisar em terra, o navegador escreveu a famosa carta Lettera, primeiro documento sobre o arquipélago, e batizou o local de Ilha de São Lourenço. A frase atribuída a ele, “o paraíso é aqui”, entrou para a memória oficial da ilha.
A trajetória política teve marco histórico. Em 1504, o arquipélago foi doado a Fernão de Loronha em forma de Capitania Hereditária, a primeira do Brasil, embora o donatário nunca tenha ocupado o território. O nome atual da ilha é uma corruptela do sobrenome do fidalgo. Nos séculos seguintes, o arquipélago passou por franceses, ingleses e holandeses, até se firmar como base militar portuguesa e, mais tarde, como distrito estadual de Pernambuco.

Uma reserva de 21 ilhas vulcânicas no meio do Atlântico
A geografia é rara. O arquipélago é formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de origem vulcânica, com a ilha principal ocupando 17 km² a cerca de 545 km de Recife e 350 km do Rio Grande do Norte. Os altos morros são picos de uma cordilheira submersa, o que dá ao horizonte de Noronha o aspecto dramático dos costões abruptos ao lado de praias de areia dourada.
A proteção federal chegou pouco antes da redemocratização. Segundo o Decreto Federal nº 96.693, de 14 de setembro de 1988, foi criado o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha para preservar amostras representativas dos ecossistemas marinhos e terrestres do arquipélago, hoje administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O parque tem 11.270 hectares, correspondentes a cerca de 70% da ilha principal e às demais ilhas do arquipélago.
O reconhecimento internacional veio em 2001. Naquele ano, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou o parque e a Reserva Biológica do Atol das Rocas como Patrimônio Natural Mundial da Humanidade, sob o nome oficial de Ilhas Atlânticas Brasileiras. O arquipélago também é reconhecido como Sítio Ramsar, categoria que reúne as áreas úmidas mais importantes do planeta.
A Baía do Sancho e os sete títulos mundiais
O ponto alto do turismo local tem endereço fixo. A Baía do Sancho já foi eleita sete vezes a melhor praia do mundo pelo Travellers’ Choice Best of the Best, ranking anual do TripAdvisor baseado nas avaliações de milhões de viajantes. As vitórias ocorreram em 2014, 2015, 2017, 2019, 2020, 2024 e 2025, quantidade que nenhuma outra praia brasileira acumulou até hoje.
O que faz da praia um caso raro é a combinação de isolamento e beleza. Segundo o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, o Sancho fica dentro da área de conservação federal e é acessado por uma escadaria encravada em uma fenda estreita entre as rochas, ou por embarcação em horários controlados pelo ICMBio. O acesso limitado ajudou a preservar o ecossistema e a manter a experiência quase intocada.
A biodiversidade complementa o cenário. Visitantes encontram com facilidade tartarugas marinhas, aves em risco de extinção e espécies endêmicas do arquipélago, como o sebito e o cocutura. Nos meses chuvosos, entre março e julho, pequenas cachoeiras sazonais descem das falésias até a areia, embora o banho nelas seja proibido pelo ICMBio por medida de segurança.

O que fazer além do Sancho no arquipélago
As atrações se concentram na ilha principal e envolvem praias, mirantes e mergulhos autorizados. Uma única rodovia liga o norte e o sul da ilha, e boa parte dos passeios exige caminhada ou transporte específico.
- Baía do Sancho: acesso por escadaria em fenda de rocha ou por embarcação, com águas turquesa e mergulho livre em recifes de tartarugas.
- Mirante da Baía dos Golfinhos: observação de golfinhos-rotadores a partir das 6h30, no arquipélago com a maior concentração da espécie no Atlântico.
- Praia do Sueste: ponto oficial de mergulho com snorkel autorizado pelo ICMBio, para nadar ao lado de tartarugas em águas rasas.
- Praia do Leão: extensa faixa de areia dourada e principal área de desova de tartarugas do arquipélago.
- Praia da Cacimba do Padre: cartão-postal com vista do Morro Dois Irmãos, cenário do surfe internacional durante o verão.
- Vila dos Remédios: núcleo urbano histórico, com forte colonial e centro comercial da ilha.
- Baía dos Porcos: enseada pequena e cercada por rochas, com águas transparentes e visual dos Dois Irmãos ao fundo.
A mesa do meio do Atlântico
A gastronomia acompanha o isolamento oceânico e a herança pernambucana. Frutos do mar frescos dominam os cardápios.
- Peixes frescos grelhados: cavala, atum e dourado pescados nas águas do arquipélago, servidos com arroz de coco.
- Ceviche: preparação de peixe cru marinado com limão e pimenta, servida em quase todos os restaurantes da Vila dos Remédios.
- Bolinhos de bacalhau: influência portuguesa preservada nos petiscos das pousadas mais tradicionais.
- Cocada com castanhas: doce típico produzido no arquipélago, sobremesa comum nos cafés locais.

Como é o clima de Fernando de Noronha durante o ano?
O arquipélago tem clima tropical o ano inteiro, com temperatura média anual entre 23,5°C e 31,5°C. As chuvas se concentram entre março e julho, e o período seco é o mais indicado para mergulho e mar calmo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Paraíso é Aqui
Fernando de Noronha fica a cerca de 545 km de Recife, capital pernambucana, com voos regulares operados a partir do Aeroporto Internacional dos Guararapes. De Natal, no Rio Grande do Norte, também há voos comerciais para o Aeroporto de Fernando de Noronha. Todos os visitantes pagam a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada pelo Governo do Distrito Estadual, e precisam de autorização específica para acessar as áreas do parque nacional gerenciadas pelo ICMBio.
O único arquipélago vulcânico do Brasil
Poucos destinos brasileiros reúnem em um só endereço uma capitania hereditária de 1504, um parque nacional marinho de 1988, um título da UNESCO de 2001 e a praia mais premiada do planeta. Fernando de Noronha entrega, em pouco mais de 17 km², biodiversidade rara, história colonial preservada e paisagens que continuam a superar rankings mundiais.
Você precisa conhecer Fernando de Noronha e descer a escadaria da Baía do Sancho para entender por que Vespúcio disse, em 1503, que o paraíso é aqui.