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Mãe deixa o filho de 9 anos com o celular por 40 minutos, criança faz compras de R$ 3.700 em jogos online e Justiça obriga a plataforma a devolver o valor integral
Mãe empresta smartphone ao filho de 9 anos e 40 minutos depois acumula R$ 3.700 em compras nos jogos
🎮 40 minutos com o celular e R$ 3.700 na fatura?
Uma mãe deixou o filho de 9 anos com o smartphone por menos de uma hora. A criança comprou itens em jogos que totalizaram R$ 3.700 na fatura do cartão. A Justiça obrigou a plataforma a devolver o valor integral. Entenda como isso é possível. ⬇️
Patrícia, nome fictício, entregou o celular ao filho de 9 anos para que ele assistisse a vídeos enquanto ela resolvia pendências em casa. Quando recuperou o aparelho, 40 minutos haviam se passado. Na fatura seguinte do cartão de crédito, a surpresa: R$ 3.700 em compras de moedas virtuais, passes de batalha e pacotes premium dentro de jogos. A criança não sabia o valor real daquilo que comprava. A mãe não havia sido notificada por nenhum alerta da plataforma.
Por que compras feitas por menores de 16 anos podem ser anuladas?
O Código Civil resolve essa questão no artigo 3º: menores de 16 anos são absolutamente incapazes de exercer atos da vida civil. Qualquer negócio jurídico celebrado por eles, sem representação dos pais ou responsáveis, é considerado nulo. O artigo 166, inciso I, reforça que o ato praticado por pessoa absolutamente incapaz não produz efeito jurídico.
Isso significa que a compra realizada pela criança dentro do aplicativo nunca teve validade legal. O menor não tinha capacidade para consentir com a transação, e a plataforma digital não adotou mecanismo eficaz para impedir que uma pessoa incapaz realizasse gastos significativos sem autorização de um adulto.

A responsabilidade é dos pais ou da plataforma?
A jurisprudência brasileira não é unânime sobre esse ponto. Em alguns julgados, tribunais reconheceram a culpa concorrente dos responsáveis por permitirem o acesso irrestrito ao dispositivo. Em outros, a condenação recaiu integralmente sobre a plataforma por não dispor de barreiras de segurança adequadas para transações financeiras realizadas por menores.
O Código de Defesa do Consumidor fortalece a posição da família em dois pontos essenciais que merecem atenção.
- O artigo 37, parágrafo 2º, do CDC considera abusiva toda publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento de crianças para induzi-las ao consumo.
- O STJ entende que campanhas persuasivas direcionadas a menores, sem mediação dos pais, configuram ato ilícito.
- Jogos que utilizam mecânicas de compra impulsiva, com poucos cliques e sem confirmação por senha, facilitam gastos não autorizados por incapazes.
Como os pais devem agir para recuperar o dinheiro gasto?
O primeiro passo é contestar os lançamentos junto à operadora do cartão de crédito, informando que as compras foram realizadas por menor absolutamente incapaz. Em paralelo, a família deve abrir chamado diretamente na plataforma do jogo, solicitando o estorno integral dos valores. A maioria das grandes desenvolvedoras possui política de reembolso, embora nem sempre a aplique de forma automática.
Se as vias administrativas não resolverem, o caminho judicial é acessível. O Juizado Especial Cível aceita ações de até 20 salários mínimos sem advogado. A documentação necessária inclui extratos bancários, capturas de tela das transações e comprovação da idade do menor.
- Conteste as cobranças na operadora do cartão imediatamente, com registro de protocolo.
- Solicite reembolso diretamente na plataforma do jogo ou na loja de aplicativos (Google Play, App Store).
- Registre reclamação no Procon e na plataforma consumidor.gov.br se não houver resposta em 10 dias.
- Ajuíze ação no Juizado Especial Cível com os extratos, capturas de tela e certidão de nascimento da criança.

Quais medidas preventivas evitam que a situação se repita?
A prevenção passa por configurações simples nos dispositivos que poucos pais conhecem. Tanto o sistema Android quanto o iOS oferecem ferramentas de controle parental que bloqueiam compras sem senha ou biometria do titular da conta. Ativar a exigência de autenticação para cada transação é a barreira mais eficiente contra gastos acidentais.
Criar um perfil infantil separado, com acesso restrito a aplicativos pré-aprovados, também reduz o risco. Essas configurações levam menos de cinco minutos e podem evitar meses de dor de cabeça com faturas, contestações e processos.
O celular nas mãos da criança precisa vir com responsabilidade digital?
O acesso infantil à tecnologia é irreversível e, em muitos aspectos, positivo. O problema não está no tempo de tela em si, mas na ausência de barreiras financeiras que protejam a família de transações involuntárias. As plataformas digitais lucram com compras impulsivas e têm o dever de criar mecanismos mais robustos para impedir gastos por incapazes.
Se o seu filho usa o celular para jogar, reserve cinco minutos hoje para ativar o controle parental. É mais rápido do que contestar uma fatura de R$ 3.700.