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Cientistas encontram 432 construções escondidas sob a Amazônia e descobrem vestígios de uma antiga civilização que pode ter reunido milhões de pessoas
Tecnologia revela centenas de estruturas sob a floresta e muda visão sobre a Amazônia
Cientistas encontraram 432 construções escondidas sob a Amazônia usando tecnologia de varredura aérea capaz de atravessar a copa das árvores. O achado reforça a ideia de que partes da floresta, antes vistas como quase intocadas, abrigaram sociedades organizadas, com obras de terra, caminhos, áreas cerimoniais e uma população que pode ter chegado a milhões de pessoas em seu auge.
O que os cientistas encontraram na Amazônia?
Os pesquisadores identificaram centenas de estruturas conhecidas como obras de terra, ou earthworks. Elas aparecem no solo em formas geométricas, como círculos, quadrados e retângulos, muitas vezes compostas por valas, aterros e plataformas.
O levantamento registrou 432 estruturas, sendo que apenas 36 já eram conhecidas anteriormente. Isso significa que a maior parte do conjunto estava oculta para a ciência, escondida sob a vegetação densa da Amazônia sudoeste.
Como essas construções ficaram escondidas por tanto tempo?
A floresta amazônica cresce rapidamente e cobre marcas antigas no terreno. Caminhos, praças, valas e áreas de uso coletivo podem desaparecer visualmente sob árvores, cipós, folhas e sedimentos, mesmo continuando preservados na topografia do solo.
Foi aí que entrou o LiDAR, tecnologia que usa pulsos de laser disparados de aeronaves para mapear o relevo abaixo da vegetação. Com esses dados, os pesquisadores conseguem enxergar formas que não aparecem em fotografias comuns nem em uma caminhada pela mata.

Quem teria construído essas estruturas?
O estudo associa as obras à chamada civilização Aquiry, uma sociedade pré-colonial que teria ocupado partes da Amazônia sudoeste, em áreas ligadas ao atual Acre e regiões próximas de Brasil, Bolívia e Peru. O nome chama atenção porque sugere uma organização muito maior do que se imaginava para aquela região.
Entre os elementos atribuídos a essa sociedade, estão:
- grandes estruturas geométricas escavadas no solo;
- valas e aterros usados como marcas monumentais;
- caminhos retos conectando diferentes áreas;
- espaços possivelmente usados para cerimônias e reuniões;
- manejo de plantas, água e áreas abertas;
- ocupação humana mais intensa do que se supunha antes.
Quantas pessoas podem ter vivido ali?
As estimativas mais recentes sugerem que a civilização Aquiry pode ter reunido entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas no período de maior desenvolvimento, especialmente entre os séculos 1 e 3 d.C. O número é tratado como estimativa, não como contagem exata.
Mesmo assim, ele muda a escala da discussão. Se confirmado por novas pesquisas, esse cenário mostra que a Amazônia não foi apenas ocupada por pequenos grupos isolados, mas também por comunidades capazes de construir, manter e conectar grandes estruturas em uma paisagem planejada.
Por que a descoberta muda a visão sobre a floresta?
Durante muito tempo, uma parte da ciência e do imaginário popular tratou a Amazônia como uma floresta praticamente intocada antes da chegada dos europeus. Descobertas como essa mostram uma realidade mais complexa, com sociedades que modificaram o ambiente, manejaram recursos e deixaram marcas duradouras.
Essas marcas não significam destruição nos moldes modernos. Pelo contrário, os pesquisadores apontam para formas de manejo da terra, da água e da vegetação que podem ter convivido com a floresta por séculos. A paisagem atual pode carregar heranças dessas antigas escolhas humanas.

O que ainda precisa ser investigado?
O LiDAR revela a forma das estruturas, mas não responde tudo sozinho. Para entender função, idade, ocupação e relação entre os diferentes locais, os arqueólogos ainda precisam combinar a varredura aérea com escavações, datações, análise de solos, cerâmicas, restos vegetais e outros vestígios.
As próximas etapas podem ajudar a esclarecer perguntas importantes:
- qual era a função exata de cada estrutura;
- como as comunidades se organizavam politicamente;
- quais alimentos eram cultivados ou manejados;
- como os caminhos ligavam aldeias e centros cerimoniais;
- por que algumas áreas foram abandonadas;
- quanto dessa paisagem ainda permanece escondido.
Qual é a importância dessa descoberta?
A descoberta das 432 construções mostra que a história da Amazônia ainda está longe de ser completamente conhecida. Debaixo da floresta, há registros de engenharia, organização social, espiritualidade, agricultura e circulação de pessoas que desafiam ideias antigas sobre o passado da região.
No fim, o achado não transforma a Amazônia em uma “cidade perdida” simples de explicar. Ele revela algo mais interessante: uma paisagem viva, modificada por sociedades antigas e depois recoberta pela floresta. Cada nova estrutura encontrada amplia a pergunta sobre quantas outras histórias ainda permanecem escondidas sob as árvores.