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Com Urias, Medulla transforma dez anos de mudanças em novo álbum
Criados entre Recife, Rio e São Paulo, os irmãos Keops e Raony reúnem Lirinha, Flor e Yego em “No Dia Que Tudo Mudou”
Os irmãos Keops e Raony, do Medulla, acabam de lançar No Dia Que Tudo Mudou, álbum que reúne Urias, Lirinha, Flor e Yego em oito faixas sobre aqueles momentos em que seguir pelo mesmo caminho deixa de ser uma possibilidade.
Produzido pelo duo em parceria com Los Brasileros, o trabalho reúne músicas escritas ao longo dos últimos dez anos e desenvolvidas em estúdio durante aproximadamente dois. Memórias, relações, mudanças de cidade e rupturas pessoais atravessam um repertório que aproxima jazz, R&B, música eletrônica e diferentes referências brasileiras.
“Nossa vida é marcada por pontos de virada e por essa busca constante pelo novo momento. As músicas nasceram nos últimos dez anos das nossas vivências e verdades. Esperamos tocar as pessoas que também têm esse coração inquieto”, afirmam os irmãos.
A turnê do álbum começou no último sábado (8), no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro, cidade que ocupa um lugar importante na formação dos dois. Nascidos em Pernambuco e criados entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, Keops e Raony incorporaram esses deslocamentos à identidade artística do Medulla.
Corpo vira matéria-prima da produção musical

Uma das características centrais de No Dia Que Tudo Mudou está na maneira como o próprio corpo foi transformado em instrumento. Beatbox, respirações, efeitos vocais e sons corporais foram gravados, recortados e convertidos em beats, bases e texturas.
O recurso dá ao trabalho uma dimensão física. As músicas falam sobre medo, escolha, ruptura e movimento, enquanto esses mesmos elementos aparecem incorporados à construção sonora.
O álbum foi desenvolvido entre a atuação dos irmãos como diretores criativos e as gravações realizadas nos estúdios da Head Media. Entre as referências citadas pelo duo estão Lenine, Otto, Chico Science & Nação Zumbi, Marisa Monte e Carlinhos Brown, além de influências contemporâneas do jazz e do R&B.
A mixagem é assinada por Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri, profissionais vencedores do Grammy e com trabalhos relacionados a artistas como Karol G e Beyoncé.
“Esse álbum é a coragem de ir com medo mesmo, pagar para ver o que pode acontecer se a gente resolver mudar o rumo da vida”, resume o Medulla.
Urias, Lirinha, Flor e Yego ampliam o repertório
As participações especiais aproximam artistas de diferentes gerações e cenas. Urias acrescenta ao projeto sua presença ligada ao pop brasileiro contemporâneo, enquanto Lirinha leva ao repertório sua experiência como cantor, compositor e poeta. Flor e Yego completam os encontros do álbum.
A diversidade dos convidados acompanha a própria liberdade estética desenvolvida pelos irmãos. Em vez de separar rock, música brasileira, beats, jazz, R&B e experimentação em compartimentos, o Medulla trata essas linguagens como partes de um mesmo universo.
O título No Dia Que Tudo Mudou também não aponta para um único episódio. As oito faixas recuperam diferentes momentos da última década nos quais Keops e Raony se viram diante da escolha entre preservar aquilo que conheciam ou aceitar os riscos de uma transformação.
Dois irmãos interpretam uma única personagem
A relação entre os gêmeos também foi incorporada à identidade visual do projeto. Os vídeos desenvolvidos pelo Medulla em parceria com Léo Silva foram gravados em dois dias e utilizam pequenas situações urbanas para representar os conflitos presentes nas músicas.
Na narrativa, Keops e Raony interpretam uma única pessoa dividida em dois corpos. Uma parte representa o impulso para avançar e atravessar o desconhecido. A outra simboliza a resistência e o desejo de manter a segurança daquilo que já existe.
A imagem transforma a relação real entre os irmãos em uma metáfora para as contradições internas que frequentemente surgem antes de decisões capazes de mudar uma trajetória.
A proposta cria ainda uma ligação direta entre som e imagem. O corpo utilizado para produzir respirações, batidas e ruídos nas gravações também se torna o centro da história apresentada no audiovisual.
Audições transformaram espaços cotidianos
Antes de chegar às plataformas digitais, o novo álbum foi apresentado em um circuito de audições presenciais realizado em espaços que normalmente não funcionam como ambientes de lançamentos musicais.
Uma das experiências aconteceu em parceria com a Bad Running. Depois de uma corrida pelo Minhocão, em São Paulo, participantes foram convidados a ouvir o repertório no escritório da marca, conectando movimento físico, respiração e música ao conceito central do projeto.
Na Soap Club, uma lavanderia foi transformada em sala de audição. Já na Casa Cósmica, os irmãos utilizaram a experiência como diretores criativos para instalar um jardim no centro do espaço.
Em Curitiba, o circuito chegou à Macro Bar e Pista, onde houve a apresentação do primeiro visual do álbum e uma conversa sobre direção criativa com Léo Silva e profissionais da cena audiovisual.
Medulla se aproxima de duas décadas de carreira
Formado há quase 20 anos, o Medulla construiu uma comunidade de fãs conhecida como O Movimento e acumula milhões de reproduções e visualizações ao longo da carreira.
O grupo também já passou por festivais como Lollapalooza e Primavera Sound e realizou turnês pela Europa, desenvolvendo uma trajetória que atravessa diferentes momentos da música independente brasileira.
Depois da estreia do novo espetáculo no Rio de Janeiro, a turnê segue para o Sesc Cultura MG, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (14). Em 30 de agosto, a próxima parada será a Casa Natura Musical, em São Paulo.
Com novo repertório e cenografia inédita, o espetáculo apresenta um Medulla disposto a não transformar a própria história em zona de conforto. Em No Dia Que Tudo Mudou, Keops e Raony utilizam dez anos de experiências para iniciar outra fase, na qual mudar não significa abandonar o passado, mas decidir o que fazer com tudo aquilo que ele deixou.
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