Economia
Morador de prédio coloca máquina de lavar roupas na varanda do seu apartamento: os vizinhos reclamam e ele é multado em mais de R$ 15 mil reais
Máquina de lavar na varanda pede cuidado com ruído, fachada e horário de uso
Instalar a máquina de lavar na varanda do apartamento parece uma solução simples para ganhar espaço na área de serviço. Mas um caso registrado na Espanha mostrou que esse hábito pode resultar em penalidades de até três mil euros, o equivalente a mais de R$ 15 mil, quando o eletrodoméstico é acionado em horários proibidos pela legislação local. O problema não está no aparelho em si, mas no ruído que ele gera ao operar sem barreiras físicas ao redor.
Por que um eletrodoméstico na varanda vira infração legal?
Uma máquina de lavar comum produz entre 45 e 50 decibéis durante o ciclo de lavagem. Na centrifugação, esse nível pode alcançar 70 decibéis, equivalente ao barulho de tráfego moderado. Quando o aparelho fica instalado dentro do apartamento, paredes e portas absorvem parte desse som. Na varanda, não há essa atenuação, e o ruído se propaga diretamente para o ambiente externo e para as unidades vizinhas.
No caso europeu, o morador multado ligava o equipamento durante a madrugada para aproveitar tarifas de energia mais baratas nos horários fora de pico. A legislação do município espanhol estabelecia limites rígidos de ruído para o período noturno, e a ausência de paredes ao redor da máquina tornou fácil comprovar o excesso por medição simples.
O que a lei brasileira diz sobre poluição sonora em condomínios?
No Brasil, a poluição sonora é regulada pela Lei Federal 9.605 de 1998, que trata de crimes ambientais, e pelas normas da ABNT que fixam limites de ruído para zonas residenciais. A maioria dos municípios brasileiros também possui legislação própria com horários de silêncio e limites de decibéis para diferentes períodos do dia. Os parâmetros mais comuns nas legislações municipais são:
- Período diurno, das 7h às 22h: limite de 55 decibéis em zonas estritamente residenciais
- Período noturno, das 22h às 7h: limite de 45 decibéis, com proteção legal mais rigorosa
- Fins de semana e feriados: alguns municípios reduzem os limites ou ampliam o horário de silêncio
A responsabilidade pela infração recai sobre o morador que opera o eletrodoméstico. Proprietário do imóvel e fabricante do aparelho ficam fora da cadeia de responsabilização, desde que o equipamento funcione dentro das especificações normais.

O condomínio pode proibir a instalação na varanda?
Sim. A convenção de condomínio e o regimento interno têm amparo legal para restringir o uso das varandas, incluindo a proibição de instalar eletrodomésticos que gerem ruído ou alterem a fachada do edifício. A varanda compõe a área comum visualmente, e qualquer modificação na fachada exige aprovação em assembleia de condôminos. Morador que instala a máquina de lavar na varanda sem autorização pode acumular penalidades tanto nas normas condominiais quanto na legislação municipal de poluição sonora.
Quais são os passos legais para quem é prejudicado pelo barulho?
Quem sofre com o ruído de eletrodomésticos de vizinhos tem um caminho legal progressivo a seguir antes de recorrer ao Judiciário. O ideal é documentar cada etapa para fortalecer eventual ação posterior:
- Conversa direta com o vizinho, registrada por mensagem ou e-mail
- Comunicação formal ao síndico ou à administração do condomínio, que pode aplicar advertência e multa interna
- Registro de boletim de ocorrência na delegacia, especialmente para infrações noturnas
- Acionamento da vigilância sanitária ou do setor de meio ambiente da prefeitura, que pode medir o ruído oficialmente e lavrar auto de infração
- Ação cível por dano moral ou perturbação do sossego quando as etapas anteriores não resolverem

A economia na conta de luz compensa o risco de multa?
Usar a máquina de lavar à noite para pagar menos na conta de energia faz sentido financeiro para quem tem acesso à tarifa branca ou tarifas reduzidas fora de pico. O problema é que esse cálculo raramente inclui o risco de autuação. Uma única multa pode superar em muito a economia acumulada ao longo de meses de uso noturno.
Para quem mantém o aparelho na varanda e quer aproveitar as tarifas mais baratas sem infringir a legislação, o caminho mais seguro é verificar os limites de ruído fixados pelo município, medir o nível de barulho do próprio equipamento e avaliar se a diferença tarifária justifica a exposição real ao risco. Em muitos casos, transferir o horário de uso para o início da tarde resolve a equação sem nenhum custo adicional.