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Lindas, mas traiçoeiras: o cultivo dessas plantas no jardim pode resultar em multas altíssimas

Uma planta bonita no quintal pode exigir mais cuidado do que parece

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Lindas, mas traiçoeiras: o cultivo dessas plantas no jardim pode resultar em multas altíssimas
Plantas invasoras no jardim exigem atenção antes da compra e do plantio

Algumas das plantas mais vendidas em viveiros e feiras de jardinagem no Brasil estão na lista de espécies invasoras do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. O problema não é apenas ecológico: cultivar, comercializar ou introduzir deliberadamente essas espécies no ambiente pode resultar em autuação e multa com base na Lei de Crimes Ambientais. O que parece uma escolha estética para o jardim pode ter consequências que vão além do quintal.

Plantas decorativas podem virar problema ambiental e gerar multa
Espécies invasoras usadas em jardins podem se espalhar para áreas naturais, ameaçar a biodiversidade e, em certos contextos, resultar em autuação ambiental.
🌿
Risco invisível
Plantas bonitas podem competir com espécies nativas e dominar áreas fora do jardim.
⚖️
Multa possível
Introdução, transporte ou comércio irregular pode configurar infração ambiental.
🔎
Consulta prévia
Antes de comprar mudas, vale verificar listas oficiais e bases de espécies invasoras.
🌱
Troca segura
Substituir invasoras por nativas ajuda polinizadores e reduz riscos ao entorno.
Resumo útil: se uma invasora já está no jardim, remova com cuidado, descarte em saco fechado e nunca jogue galhos, sementes ou raízes em terrenos, córregos ou matas.

O que torna uma planta invasora um problema ambiental?

Plantas invasoras são espécies introduzidas fora de seu habitat natural que se estabelecem, se reproduzem e se dispersam de forma a ameaçar a biodiversidade local. No Brasil, esse processo é acelerado pelo clima favorável ao crescimento acelerado de diversas espécies exóticas, que encontram aqui condições ideais e poucos predadores naturais para controlar sua expansão.

O impacto vai além da competição por espaço. Algumas dessas plantas alteram a composição química do solo, reduzem a disponibilidade de água para espécies nativas, bloqueiam a entrada de luz e eliminam progressivamente a fauna que depende da vegetação original. Áreas antes habitadas por espécies endêmicas podem ser tomadas em poucos anos.

Quais são as plantas invasoras mais comuns em jardins brasileiros?

Várias espécies amplamente usadas em paisagismo e jardinagem residencial constam nas listas oficiais de invasoras no Brasil. Algumas das mais presentes em quintais e jardins são:

  • Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium): comum em beiras de rios e jardins úmidos, sufoca a vegetação nativa em matas ciliares.
  • Capim-gordura (Melinis minutiflora): originário da África, é altamente inflamável e contribui para a intensificação de incêndios no Cerrado.
  • Pinheiro-de-riga (Pinus elliottii): plantado em jardins e reflorestamentos, invade campos nativos do Sul do Brasil e do Cerrado.
  • Leucena (Leucaena leucocephala): usada como forrageira e cerca viva, domina rapidamente áreas abertas e bordas de mata.
  • Uva-do-japão (Hovenia dulcis): árvore decorativa comum no Sul, invade matas de araucária e compete com espécies nativas.

A legislação brasileira prevê multa para quem cultiva essas espécies?

A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e o Decreto 6.514/2008 estabelecem que introduzir espécies animais ou vegetais prejudiciais à fauna, flora ou aos ecossistemas é infração ambiental sujeita a multa. Os valores variam conforme a gravidade e a extensão do dano, mas podem partir de R$ 5.000 por hectare afetado em casos de introdução deliberada em áreas protegidas.

Para o jardim residencial, a autuação depende do contexto: a simples presença de uma espécie invasora cultivada para fins decorativos raramente resulta em multa, mas o transporte, a comercialização sem autorização e especialmente a introdução em Unidades de Conservação ou Áreas de Preservação Permanente são condutas que configuram infração. Em estados como São Paulo e Rio Grande do Sul, legislações estaduais complementam a federal com listas próprias e vedações mais específicas.

Lindas, mas traiçoeiras: o cultivo dessas plantas no jardim pode resultar em multas altíssimas
Plantas invasoras no jardim exigem atenção antes da compra e do plantio

Como identificar se uma planta do jardim é considerada invasora?

O Instituto Hórus, referência nacional no tema, mantém uma base de dados de espécies exóticas invasoras do Brasil acessível ao público. O Ibama também disponibiliza listas por bioma. Antes de adquirir uma espécie não convencional em viveiro ou feira, é possível consultar esses materiais para verificar se ela consta em alguma lista de restrição.

Alguns sinais práticos de alerta ao observar uma planta no jardim ou à venda:

  • Crescimento muito rápido e capacidade de se espalhar sem manejo frequente.
  • Ausência de predadores naturais visíveis, como insetos ou aves que se alimentem da planta.
  • Produção abundante de sementes com alta taxa de germinação.
  • Capacidade de rebrotar após corte raso, especialmente por raízes ou rizomas.

O que fazer com uma planta invasora que já está no jardim?

A remoção de espécies invasoras do jardim deve ser feita com cuidado para não agravar o problema. Jogar o material cortado em terrenos baldios, córregos ou áreas de mata é um erro grave: fragmentos de caule e raiz de diversas espécies são suficientes para iniciar uma nova colônia. O descarte correto é em sacos fechados para coleta de resíduos orgânicos ou, em volumes maiores, em contato com a prefeitura para orientação sobre descarte adequado.

Substituir as espécies removidas por plantas nativas da região é a recomendação de especialistas em restauração ecológica. Além de não oferecer risco ambiental, espécies nativas atraem polinizadores, pássaros e outros animais que reequilibram o microambiente do jardim. Viveiros especializados em plantas nativas existem em todas as regiões do Brasil e costumam oferecer mudas a preços acessíveis, muitas vezes mais baratos do que as espécies exóticas vendidas em grandes redes.