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Óscar Sevilla, ciclista de 50 anos que ainda compete com jovens: “Tem dias que custa mais e dias que custa menos, mas faça sabendo que você está construindo algo”. Lições sobre disciplina, foco e o que você mantém para superar até mesmo os dias mais difíceis
A experiência de Óscar Sevilla aos 50 anos vai além do ciclismo.
Prestes a completar 50 anos, o espanhol Óscar Sevilla ainda encara subidas ao lado de ciclistas com metade da sua idade. Corre há quase três décadas como profissional, virou ídolo do público colombiano e assinou renovação para 2026, sua 28ª temporada. Pouca gente no esporte de elite chega perto disso.
De onde vem esse cara que os colombianos adotaram como se fosse deles?
Nascido em Ossa de Montiel, um vilarejo da região de Albacete, na Espanha, Sevilla começou a pedalar na escola de ciclismo local antes mesmo de aprender a andar direito. Virou profissional em 1998 pela Kelme, com 21 anos.
Três temporadas depois já vivia sua consagração. Em 2001, com 25 anos, terminou em 7º no Tour de France e conquistou o maillot branco de melhor jovem. Na Vuelta a España do mesmo ano ficou em 2º na geral, depois de vestir a camisa vermelha de líder por vários dias, único a segurar essa camisa por tanto tempo na sua geração pela Kelme.
Mentalidade e dedicação no ciclismo de alta performance. O vídeo é do canal Cycla x Egan – Gran Fondo el Origen, especializado em ciclismo profissional, e apresenta reflexões e conselhos valiosos de Oscar Sevilla sobre treinos e foco:
Qual é a lição por trás da frase que ele repete?
A frase: “Tem dias que custa mais e dias que custa menos, mas faça sabendo que você está construindo algo.” Parece simples, mas resume a filosofia de quem entende que resultado grande não nasce de um dia inspirado, e sim de milhares de pequenos treinos, feitos até quando o corpo pede folga.
É a mentalidade que sustentou Sevilla por 28 temporadas seguidas. Cada pedalada em Bogotá, cada refeição controlada, cada noite dormida cedo é tijolo de uma construção maior. Quem só treina nos dias fáceis abandona rápido. Quem entende que o processo importa mais que o dia isolado, dura.
A lição de Sevilla é simples: cada treino, fácil ou difícil, é um tijolo de algo maior que você está construindo, e reclamar do peso não muda o tamanho do sonho.
Como é o dia comum de treino desse veterano?
A disciplina começa antes do sol nascer. Sevilla acorda entre 5h e 5h30, às vezes faz algum trabalho leve em jejum, leva a filha para a escola e só depois sai pedalar. Já chegou a bater semanas de 33 a 35 horas de treino, algo que ele mesmo diz nunca ter feito nos tempos europeus.
O plano vem do time, mas o resto depende dele. Ser profissional 24 horas por dia é como ele resume a fórmula: saber quando forçar, quando recuperar, e nunca virar as costas para os detalhes que os mais jovens costumam ignorar, tipo alimentação e sono.
Como é a rotina que sustenta esse corpo aos 49?
Ele treina em Bogotá, a cerca de 2.500 metros de altitude. O que parece detalhe geográfico é vantagem competitiva enorme: pedalar em altitude força o organismo a produzir mais glóbulos vermelhos, o que aumenta a resistência quando o corredor volta a competir mais perto do nível do mar.
Os pilares do dia a dia dele:
Como parou na Colômbia e virou referência do ciclismo por lá?
A guinada aconteceu numa Vuelta a Colombia que ele foi disputar pelo time americano Rock Racing, entre 2008 e 2010. Foi lá que conheceu Ivonne Agudelo, que trabalhava como madrinha da prova. Ficou dez dias em Bogotá para conhecê-la melhor. Casou. E nunca mais quis morar em outro lugar.
A sequência veio natural:
- Em 2011, começou a competir pela Gobernación de Antioquia.
- Em 2012, recebeu a dupla cidadania colombiana e passou a poder disputar mundiais pelo país.
- Formou família em Bogotá, onde vive com a esposa e as duas filhas, Luna e Mía.
- Em 2017, chegou ao Team Medellín-EPM, onde segue até hoje como capitão e referência dos mais novos.
Sevilla costuma dizer em entrevistas que na Colômbia o ciclismo se vive com uma intensidade que ele já não sentia na Europa, e que o público local torce em cada quilômetro como se fosse festa. Isso o adotou de vez.

Quais foram as maiores conquistas da segunda carreira dele?
Da Colômbia para fora, a folha de resultados só cresceu. O troféu mais especial é o da Vuelta a Colombia, prova mais tradicional do país, que ele venceu três anos seguidos, entre 2013 e 2015, feito raro no cenário local. Somando outras corridas do continente, o corredor já contava mais de 40 vitórias em solo colombiano.
Um resumo das principais conquistas:
| Prova | Ano | Resultado |
|---|---|---|
| Tour de FranceMelhor jovem, camisa branca | 2001 | 7º geral |
| Vuelta a EspañaGrande Volta espanhola | 2001 | 2º geral |
| Vuelta a ColombiaTricampeão consecutivo | 2013 a 2015 | Campeão |
| Tour of HainanProva UCI ProSeries na China | 2023 | Campeão geral |
| Vuelta a la República DominicanaVitória aos 48 anos | 2025 | Campeão geral |
Que papel ele tem entre os jovens ciclistas colombianos?
Nos treinos em Bogotá, Sevilla pedala com nomes de peso do ciclismo mundial, como Egan Bernal, campeão do Tour de France e do Giro de Italia, além de Harold Tejada, Brandón Rivera e Nicolás Paredes. Divide o rolo com quem está no auge e ainda serve de referência para a geração que veio depois.
Ele mesmo diz que gosta de dar conselho mas também de escutar, e que ver os jovens crescendo depois de treinar com eles é o que mais o motiva a seguir na estrada. Muito da mentalidade profissional que hoje o ciclismo colombiano tem passou por conversas com esse espanhol de fala colombiana.