Entretenimento
Mãe economiza por 9 anos para comprar terreno e constrói casa de 7 toneladas de plástico reciclado no lugar de tijolos para criar seus filhos
Ela guardou dinheiro durante 9 anos para comprar o terreno.
Depois de nove anos guardando cada moeda que sobrava do salário de faxineira, uma mulher da Costa Rica finalmente comprou o terreno onde queria criar o filho, e foi aí que a casa de plástico reciclado deixou de ser ideia solta e virou parede de verdade, com 7 toneladas de garrafas e embalagens no lugar do tijolo comum.
Por que comprar um terreno virou uma novela de nove anos?
Quem sonha com a casa própria e ganha pouco costuma travar no mesmo ponto: o terreno consome tudo, e quando ele finalmente sai, não sobra dinheiro para levantar uma parede sequer. Foi exatamente o que aconteceu com Cindy Mora Abarca, faxineira em Alajuelita, região da Grande San José.
Ela juntou dinheiro por nove anos e ainda precisou recorrer a um empréstimo para fechar a compra do lote. Depois disso, faltava o principal: material para construir uma casa que abrigasse ela e o pequeno Fabrizio, então com 6 anos.

Como o plástico virou tijolo dentro desse projeto?
A saída veio de uma parceria entre a Procter & Gamble, a Habitat for Humanity Costa Rica, a Urbarium e a Ekojunto. Elas usaram um sistema chamado Bloqueplas, no qual garrafas, sacolas e embalagens descartadas são trituradas e reprensadas em blocos que se encaixam uns nos outros.
O funcionamento é parecido com peças de Lego, e é isso que torna a montagem rápida: não precisa de argamassa entre um bloco e outro, o encaixe já segura a peça. No total, cerca de 7 toneladas de plástico que iriam para lixão viraram parede.
Os principais elementos do projeto:
Uma casa de plástico aguenta chuva, calor e tremor?
A dúvida é justa: plástico virando parede soa frágil na cabeça de quem só conhece bloco de concreto. Segundo a Urbarium, o sistema foi pensado para dar conta do clima úmido da região e para atender ao código de construção antissísmico costarriquenho de 2010, importante num país que sente terremotos com frequência.
Entre as vantagens que a empresa atribui ao sistema estão:
- Isolamento térmico e acústico melhor que o do bloco tradicional
- Resistência a intempéries e a forças sísmicas
- Montagem rápida no canteiro, já que os blocos chegam prontos
- Menos entulho no fim da obra, porque quase não há corte de peça
A rapidez também virou o principal argumento social do projeto: dá para levantar habitação popular em menos tempo, aproveitando um material que hoje contamina rio, rua e mangue.
Quanto plástico a Costa Rica descarta por dia?
Para entender o peso ambiental dessas 7 toneladas, ajuda olhar o cenário do país. Em 2018, dados do Ministério da Saúde da Costa Rica citados pelo jornal La Nación apontavam que o país descartava cerca de 564 toneladas de plástico por dia e reciclava apenas 14 toneladas.
A comparação abaixo ajuda a dimensionar o alcance real do projeto:
| Referência | Volume | Comparação |
|---|---|---|
| Plástico descartado por dia Costa Rica, dados de 2018 | Cerca de 564 toneladas | Muito alto |
| Plástico reciclado por dia Mesmo ano, mesmo país | Cerca de 14 toneladas | Baixo |
| Usado na casa de Cindy Obra concluída em maio de 2018 | Cerca de 7 toneladas | Metade de um dia de reciclagem |
Ou seja, uma única moradia consumiu o equivalente a meio dia de reciclagem do país inteiro. O projeto não resolve a crise do plástico costarriquenho, mas mostra que existe uso concreto para um material que costuma acabar em aterro.
O que essa história muda para quem sonha com casa própria?
Para Cindy Mora Abarca e o filho Fabrizio, aqueles nove anos de aperto viraram teto fixo no bairro Lámparas. E para quem acompanha o tema, fica a prova de que construção popular pode ir além do bloco de cimento quando existe parceria entre empresa, ONG e organização técnica.
O caso não é receita mágica: continua dependendo de doação de material, de mão de obra voluntária e de um sistema construtivo que ainda circula pouco pela América Latina. Mas mostra um caminho real para tirar lixo do meio ambiente e, ao mesmo tempo, dar chão firme a quem passou a vida inteira sonhando com ele.