Com 3 mil anos de história, esta cidade preserva marcas do Império Romano e atrai 2,5 milhões de turistas - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Com 3 mil anos de história, esta cidade preserva marcas do Império Romano e atrai 2,5 milhões de turistas

Ruínas e monumentos atravessaram milhares de anos nesta antiga cidade romana.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Durante os séculos I a.C. e III d.C., Éfeso ocupou uma posição estratégica no comércio mediterrâneo. / Imagem ilustrativa

Na costa oeste da Turquia, próxima de Selçuk, as ruínas de Éfeso permitem caminhar por uma antiga cidade romana em uma escala impressionante. Cerca de 2,5 milhões de visitantes passam pelo sítio arqueológico todos os anos, atraídos por ruas, templos e construções que ajudam a reconstruir como era a vida em uma das grandes cidades do Mediterrâneo antigo, o Império Romano.

Quando o mar recuou, Éfeso começou a desaparecer

Durante os séculos I a.C. e III d.C., Éfeso ocupou uma posição estratégica no comércio mediterrâneo. O antigo estuário do rio Kaystros aproximava o porto do Mar Egeu e facilitava a ligação com o interior da Anatólia, transformando a cidade em ponto de encontro para comerciantes e viajantes de diferentes partes do império.

A própria geografia acabou contribuindo para seu declínio. O acúmulo de sedimentos avançou sobre o antigo estuário e afastou progressivamente a costa, prejudicando o funcionamento do porto. Com a perda de sua importância comercial, Éfeso entrou em decadência e acabou abandonada, preservando no solo vestígios de diferentes períodos de sua ocupação. Em 2015, todo o sítio arqueológico foi inscrito como Patrimônio Mundial da UNESCO.

A metrópole do império romano preservada em 3 mil anos que recebe 2,5 milhões de visitantes todos anos
A partir de junho de 2026, o sítio passa a ter visitas noturnas. / Créditos: depositphotos.com / enderbayindir

Uma propaganda romana feita para ser entendida por qualquer pessoa

Na Rua Curetes, uma das áreas mais movimentadas da antiga Éfeso, uma placa de mármore chama atenção por apresentar uma combinação curiosa de símbolos. O conjunto é frequentemente interpretado como uma indicação de um bordel que funcionava do outro lado da rua por volta do século I d.C.. Em vez de uma mensagem escrita, a pedra reunia imagens que poderiam ser compreendidas pelos visitantes.

  • Marca de um pé: interpretada como uma referência à idade mínima para entrar no estabelecimento.
  • Bolsa de moedas: associada ao pagamento pelo serviço.
  • Figura feminina: indicava a natureza do local.
  • Coração estilizado: pode ter funcionado como uma orientação sobre a direção da entrada.

O edifício possuía uma área de recepção, uma piscina no piso térreo e quartos no andar superior. Entre os objetos encontrados nas escavações está uma representação do deus Príapo, atualmente preservada no Museu de Éfeso, em Selçuk.

A metrópole do império romano preservada em 3 mil anos que recebe 2,5 milhões de visitantes todos anos
Você precisa caminhar pela rua Curetes uma vez na vida e sentir. / Créditos: depositphotos.com / mylasa

O edifício que reunia livros, memória e poder romano

Entre as construções mais impressionantes de Éfeso, a Biblioteca de Celso se destaca pela fachada monumental de mármore, com cerca de 17 metros de altura. Construída no início do século II d.C., sua arquitetura utilizava colunas e elementos decorativos cuidadosamente dispostos para criar a impressão de uma construção ainda maior.

O edifício teria comportado aproximadamente 12 mil pergaminhos, mas o acervo foi destruído por um incêndio em 262 d.C. A biblioteca também tinha uma função funerária. O cônsul Caio Júlio Áquila mandou construí-la em homenagem ao pai, Caio Júlio Celso Polemeano, cujo túmulo ficava no interior do edifício.

A fachada atualmente vista pelos visitantes não permaneceu intacta ao longo dos séculos. Entre 1970 e 1978, arqueólogos remontaram a estrutura utilizando fragmentos originais encontrados no sítio e reproduções de elementos que haviam sido levados para museus europeus.

Os 36 buracos lado a lado e uma esponja com cabo

As latrinas públicas das Termas de Escolástica são um dos lugares mais reveladores do cotidiano romano em Éfeso. Trinta e seis aberturas se alinham nas paredes sobre um sistema de drenagem contínuo, alimentado por água corrente que levava os dejetos para fora da cidade. Não havia divisórias, e quem usava o lugar fazia suas necessidades em paralelo, conversando sobre eleições, gladiadores e fofocas do dia.

🏛️ Estrutura

36 Assentos

Sem Divisórias

Configuração
Aberturas alinhadas nas paredes, permitindo o uso compartilhado sem qualquer barreira física entre os usuários.
Coletividade

💧 Drenagem

Fluxo Contínuo

Água Corrente

Sistema
Um canal de água corrente passava por baixo dos assentos e levava os dejetos embora imediatamente.
Eficiência

🧼 Higiene

Uso Comum

Xilospôngio

Método
Utilizavam uma esponja em cabo de madeira mergulhada em vinagre ou água salgada para a limpeza.
Sanitário Romano

💬 Social

Conexão Termal

Debates e Negócios

Propósito
Espaço de conversa sobre política e gladiadores, integrado ao complexo das Termas de Escolástica.
Vida Urbana

O que encontrar pelo caminho ao atravessar as ruínas?

A área arqueológica de Éfeso fica a aproximadamente 3 km do centro de Selçuk e funciona durante todo o ano. Em 2026, o ingresso geral custa 40 euros, enquanto as Casas Terraço, conjunto de sete antigas residências aristocráticas com mosaicos preservados, exigem um adicional de 15 euros. Desde junho de 2026, também existem visitas noturnas às quartas, quintas, sextas e sábados, das 19h às 22h30, com entrada exclusivamente pelo portão inferior.

Entre os pontos que mais chamam atenção estão:

  1. Biblioteca de Celso: fachada monumental de 17 metros, considerada uma das imagens mais reconhecíveis de Éfeso.
  2. Grande Teatro: espaço que comportava até 25 mil pessoas e associado ao episódio de conflito envolvendo São Paulo descrito nos Atos dos Apóstolos.
  3. Casas Terraço: antigas residências da elite, decoradas com mosaicos, afrescos e inscrições feitas nas paredes.
  4. Templo de Adriano: santuário construído no século II d.C., conhecido pelo relevo da Medusa em seu arco interno.
  5. Casa da Virgem Maria: local de peregrinação cristã situado a cerca de 7 km das ruínas principais.
A metrópole do império romano preservada em 3 mil anos que recebe 2,5 milhões de visitantes todos anos
O prédio tinha recepção, piscina no térreo e quartos no andar de cima. / Créditos: depositphotos.com / EsinDeniz

Leia também: Gastronomia brasileira ganha destaque mundial com uma cidade entre as 10 melhores para comer, segundo a Lonely Planet.

O clima muda completamente a experiência de caminhar por Éfeso

Abril, maio, setembro e outubro costumam oferecer as condições mais agradáveis para percorrer as ruínas, especialmente porque boa parte do trajeto fica exposta ao sol. O verão pode ser bastante quente e tem pouca sombra no sítio arqueológico, enquanto os meses de inverno apresentam temperaturas mais amenas e costumam receber menos visitantes.

Para chegar a Selçuk, a principal porta de entrada é o Aeroporto Adnan Menderes, em Izmir, localizado a aproximadamente 60 km. O percurso pode ser feito por trens da rede İZBAN ou por ônibus, em uma viagem que pode levar até 1h30. Quem estiver no litoral também pode utilizar os minibuses (dolmuş) que partem de Kuşadası, a cerca de 20 km. Como o passeio exige bastante caminhada sobre piso de mármore, principalmente entre as ruínas, um calçado confortável faz diferença — e merece atenção extra quando chove.

Uma cidade inteira escondida entre colunas e pedras

Éfeso impressiona porque transforma acontecimentos distantes em algo visualmente próximo. A mesma rua onde comerciantes circulavam há quase dois mil anos ainda conduz o visitante pela cidade, passando por construções monumentais, antigas residências e marcas deixadas por quem viveu ali.

É uma experiência que vai além de observar ruínas. Caminhar pela Rua Curetes, entrar no Grande Teatro e chegar diante da Biblioteca de Celso permite perceber a dimensão que Éfeso alcançou no mundo antigo e imaginar como seria atravessar uma das grandes cidades do Mediterrâneo quando ela ainda estava cheia de vida.