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Ilha de 48.890 m² desaparece completamente sob o oceano e, 12 anos depois, uma escultura surge exatamente no mesmo lugar para acompanhar o avanço contínuo do mar
Escultura surge onde uma ilha de 48.890 m² desaparece completamente sob o oceano
A ilha de Kale, nas Ilhas Salomão, perdeu completamente seus 48.890 m² para o oceano e, em 2014, já não apresentava nenhuma área de terra acima da água. Doze anos depois, o local recebeu a escultura Solomon Siren, instalada justamente na zona onde a ilha existia. A obra muda de aparência conforme a maré sobe e desce e transforma o desaparecimento de Kale em um registro visível da elevação do nível do mar.
Como uma ilha de quase 50 mil m² desapareceu completamente?
Kale era uma pequena ilha com areia, manguezais e vegetação utilizada por famílias locais. O território também servia de habitat para aves e tartarugas. Imagens aéreas e registros de satélite mostraram que a erosão costeira avançou progressivamente até eliminar toda a superfície da ilha, situada em uma região particularmente exposta às ondas e à elevação do oceano.
O desaparecimento não ocorreu de uma única vez. A transformação foi registrada ao longo dos anos e envolveu diferentes elementos ambientais:
- Elevação contínua do nível do mar;
- Erosão provocada pela energia das ondas;
- Deslocamento de areia para fora da plataforma de recife;
- Redução gradual da vegetação existente;
- Perda total dos 48.890 m² que formavam Kale.
Quem acompanhou de perto os últimos anos da ilha de Kale?
Gladys Habu Bartlett tinha 14 anos quando visitou Kale com familiares em 2009 e percebeu que o território estava muito menor do que nas lembranças de sua família. Seus avós haviam vivido ali, mantendo casa e plantações. Nos anos seguintes, Gladys registrou fotograficamente o avanço das águas e passou a acompanhar o desaparecimento daquele pedaço de sua história familiar.
Quando retornou em dezembro de 2014, a mudança era radical. O barco conseguia passar sobre uma área que anteriormente era terra firme. Durante algum tempo, apenas um tronco seco permaneceu acima da superfície, mostrando onde existira vegetação. Kale havia deixado de existir como ilha.

Por que uma escultura foi instalada exatamente no mesmo lugar?
Em 2026, o artista britânico Jason deCaires Taylor criou a Solomon Siren, uma escultura em tamanho próximo ao real inspirada em Gladys. A figura aparece com a cabeça apoiada em uma árvore metálica, referência à vegetação perdida e às comunidades que enfrentam diretamente as transformações das pequenas ilhas do Pacífico.
A escolha do local faz parte do significado da obra. A instalação foi colocada na zona entre-marés onde Kale existia, permitindo que o próprio oceano participe visualmente da escultura. Alguns detalhes reforçam essa proposta:
O que a obra representa
- 1A figura fica mais exposta durante a maré baixa.
- 2Partes da escultura desaparecem quando a água sobe.
- 3A estrutura representa Gladys e sua ligação familiar com Kale.
- 4A árvore recorda a vegetação que existia na antiga ilha.
- 5Materiais da base permitem a colonização gradual por organismos marinhos.
Como a Solomon Siren consegue acompanhar o avanço do oceano?
A Solomon Siren possui marcações que transformam a estrutura em uma espécie de régua histórica. Datas como 2006, 2016 e 2026 indicam diferentes momentos relacionados ao avanço das águas, à confirmação científica do desaparecimento de pequenas ilhas da região e à instalação da própria obra.
Outras marcas apontam para 2036 e 2046. Elas foram incluídas para representar níveis futuros caso a tendência regional continue. Nas Ilhas Salomão, medições analisadas por pesquisadores já registraram taxas de elevação do mar superiores à média global em determinados períodos, tornando pequenas ilhas especialmente vulneráveis à erosão.
Kale foi a única ilha da região que desapareceu?
Não. Pesquisadores que analisaram fotografias aéreas e imagens de satélite de 33 ilhas das Ilhas Salomão identificaram outras perdas significativas. Cinco ilhas com vegetação desapareceram completamente, enquanto outras seis apresentaram forte recuo de suas linhas costeiras. As áreas mais expostas às ondas sofreram algumas das transformações mais intensas.
Esses dados ajudam a mostrar que o desaparecimento de Kale não foi um acontecimento isolado. Pequenos territórios formados sobre recifes podem responder rapidamente à combinação entre aumento do nível do mar, correntes, tempestades e erosão, especialmente quando sua elevação natural em relação ao oceano já é pequena.
O que uma escultura no meio do mar consegue mostrar que os números não mostram?
Uma área perdida de 48.890 m² pode parecer apenas uma estatística até que sua história seja ligada às pessoas que viviam, plantavam e pescavam naquele território. Ao instalar uma figura humana exatamente onde havia terra firme, a Solomon Siren transforma essa mudança geográfica em uma imagem que acompanha diariamente o movimento da água e permanece conectada à memória de Kale.
A ilha de Kale desapareceu sob o oceano em 2014, mas sua localização continua sendo observada 12 anos depois. Conforme as marés cobrem e revelam partes da escultura, o ponto onde existiam areia, manguezais e vegetação passa a registrar fisicamente a relação entre comunidades insulares e um mar em transformação contínua.