Rio
PM faz operação para impedir avanço do Comando Vermelho sobre o Complexo de Israel
Operações diárias e bloqueios em vias expressas marcam disputa entre facções rivais; PM ocupa complexo por tempo indeterminado
A Polícia Militar do Rio de Janeiro lançou nesta quarta-feira (26) uma operação em várias comunidades da região metropolitana para conter uma tentativa de avanço do Comando Vermelho (CV) sobre o Complexo de Israel, conjunto de favelas na Zona Norte dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo a PM, informações de inteligência indicam que membros do CV estavam se reunindo na região “com o objetivo de articular uma tentativa de avanço territorial” sobre as áreas controladas pelo TCP. Para barrar a movimentação, 200 militares do Comando de Operações Especiais e do 15º BPM foram deslocados para o Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, na Zona Norte, além do Parque das Missões, em Duque de Caxias.
Complexo de Israel sob pressão desde sexta
O complexo, formado por Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, está sob ocupação das forças de segurança desde a última sexta-feira (21), quando a ofensiva começou pelas três últimas comunidades. Naquele dia, a Avenida Brasil foi fechada preventivamente, e os agentes encontraram barricadas e veículos com explosivos instalados para detonar com a aproximação da polícia, mas os dispositivos não foram ativados. Ao fim da tarde, a PM anunciou que permaneceria no local por tempo indeterminado.
Na segunda-feira (24), a corporação deflagrou a segunda fase da operação, desta vez em Parada de Lucas e Vigário Geral. A chegada das equipes foi marcada por intensos tiroteios. Por volta das 2h30, a PM fechou a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luís por cerca de meia hora. Horas depois, grupos atearam fogo a 4 caminhões na altura de Coelho Neto e Vigário Geral, interrompendo o tráfego na avenida por aproximadamente uma hora.
Presa braço direito de chefe do TCP
Na terça-feira (25), policiais civis e militares cumpriram mandados de prisão no complexo e detiveram cinco pessoas. Entre elas estava Luana Rosa de Araújo, conhecida como Madrinha da Cidade Alta, apontada como a principal auxiliar de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do TCP.
Durante a ação, os agentes localizaram uma das casas do traficante. O imóvel de múltiplos andares tem revestimento de porcelanato e mármore, espelho no closet com versículo bíblico, jacuzzi e espreguiçadeiras em área externa, churrasqueira e um andar dedicado a academia. Ninguém foi encontrado na residência.