Entretenimento
O Grande Vencedor estreia bem na RedeTV!, mas falta originalidade ao game de Gianne Albertoni
Novo game show acerta na escolha da apresentadora, no ritmo e na proposta de transformar uma viagem em prêmio, mas semelhanças com antigos formatos da própria RedeTV! diminuem a sensação de novidade
A RedeTV! colocou no ar nesta terça-feira, 25 de agosto, mais uma peça de sua tentativa de reconstruir a programação de entretenimento. O Grande Vencedor, apresentado por Gianne Albertoni, chegou às noites de terça-feira com uma proposta simples: unir competição, celebridades e o sonho de viajar. O resultado da estreia é positivo. Trata-se de um programa ágil, visualmente agradável e fácil de assistir. O problema é que, justamente onde deveria surpreender, o game provoca uma forte sensação de déjà-vu.
Oficialmente, a emissora apresenta O Grande Vencedor como um game show no qual dois competidores formam equipes e enfrentam seis rodadas envolvendo agilidade, conhecimentos gerais e estratégia. Cada jogador escolhe duas pessoas para seu time e recebe ainda o reforço de uma celebridade. Tudo gira em torno do universo das viagens, desde cartões de embarque até desafios com malas e pontos turísticos. No fim, o vencedor conquista uma viagem.
A ideia funciona justamente porque é simples. O espectador não precisa acompanhar uma longa temporada nem decorar regras complicadas. É possível ligar a televisão no meio do programa, compreender rapidamente o que está acontecendo e entrar na torcida.
Gianne Albertoni é o principal acerto
Se havia alguma dúvida sobre Gianne Albertoni como apresentadora de um game show, a estreia ajuda a dissipá-la. Ela provavelmente é o maior acerto de O Grande Vencedor.
Gianne não tenta assumir aquela postura artificialmente grandiosa que tantas vezes prejudica apresentadores diante de formatos de competição. Sua condução é leve, sorridente e próxima dos participantes. Ao mesmo tempo, consegue imprimir energia suficiente às provas.
Antes mesmo da estreia, ela havia explicado que seu lado competitivo poderia ser um desafio justamente porque sua função seria comandar, e não participar das brincadeiras. Em entrevista ao F5, contou que precisaria controlar a vontade de entrar no jogo enquanto conduzia as regras.
Na prática, essa característica joga a favor do programa. Há uma impressão de envolvimento genuíno da apresentadora com a competição.
E isso é particularmente importante em um game show. Mais do que simplesmente anunciar perguntas, explicar provas ou informar pontuações, o apresentador precisa ajudar a transformar uma dinâmica relativamente simples em acontecimento televisivo.
Gianne demonstra potencial para crescer bastante nessa função conforme ganhar ainda mais intimidade com o formato.
Um programa visualmente competente
Outro ponto positivo está na produção. Para os padrões atuais da RedeTV!, O Grande Vencedor tem aparência de produto cuidado. O cenário utiliza a temática de viagens de maneira coerente e oferece diferentes possibilidades para as provas, ajudando a impedir que tudo pareça apenas um tradicional programa de perguntas e respostas.
A própria Gianne já havia destacado antes da estreia a estrutura e o aspecto visual da atração, enquanto a RedeTV! definiu oficialmente o cenário como imersivo e integrado às dinâmicas das provas.
Também existe uma boa variedade de elementos. Conhecimento, velocidade, concentração e atividades físicas leves se alternam e ajudam a sustentar o ritmo. A duração próxima de uma hora também parece acertada. O formato dificilmente sustentaria duas ou três horas semanais sem se tornar repetitivo.
O prêmio é uma boa sacada
Há ainda um elemento interessante na premiação. Em vez do tradicional dinheiro, carro ou eletrodomésticos, o vencedor recebe uma viagem.
Pode não ser o prêmio mais valioso da televisão brasileira, mas dramaticamente funciona porque existe um objetivo facilmente compreendido pelo público: aquelas pessoas estão disputando a oportunidade de realizar um sonho.
Gianne defendeu justamente esse aspecto ao afirmar que o programa oferece ao vencedor uma experiência, e não apenas um prêmio material. Isso dá identidade temática ao programa. As provas, o cenário e a recompensa conversam entre si.
Mas onde está realmente a novidade?
É justamente aqui que aparece o principal problema. O Grande Vencedor parece novo até o espectador começar a lembrar de outros programas da própria RedeTV!.
A associação mais evidente é com O Último Passageiro, exibido pela emissora entre 2010 e 2013 e baseado no formato argentino A Todo o Nada. Lá também havia equipes, provas, celebridades, competição e uma viagem como grande recompensa.
A comparação não passou despercebida pela crítica. A coluna Canal D, de O Dia, foi especialmente incisiva: considerou O Grande Vencedor um game show competente e chegou a colocá-lo entre os melhores da atual safra, mas criticou duramente a falta de originalidade, classificando a atração como uma releitura não autorizada de O Último Passageiro.
É uma crítica pertinente. Naturalmente, programas de auditório e game shows compartilham elementos. Perguntas, cronômetros, placares, provas e convidados famosos fazem parte da gramática do gênero há décadas. O problema de O Grande Vencedor é a quantidade de elementos familiares reunidos em um único produto.
Consequentemente, a estreia transmite menos a impressão de que a RedeTV! encontrou um novo formato e mais a sensação de que decidiu revisitar uma fórmula que já sabe funcionar. Isso não torna o programa ruim. Mas reduz consideravelmente seu mérito criativo.
Celebridades ajudam, mas não podem virar muleta
A presença de famosos dentro das equipes é outro recurso que funciona, principalmente porque eles não aparecem apenas para divulgar algum trabalho ou conversar com a apresentadora. Segundo a própria Gianne explicou antes da estreia, o convidado famoso realmente integra o time e participa das provas. É uma boa decisão.
Ainda assim, o programa precisa tomar cuidado para que a celebridade não seja sempre mais importante que o competidor anônimo. Se a proposta é realizar o sonho de alguém que deseja viajar, é justamente a história dessas pessoas que pode fornecer emoção e identificação. O famoso deve funcionar como complemento.
Quando a televisão acredita que precisa obrigatoriamente colocar uma celebridade em cada quadro para chamar atenção, corre o risco de diminuir justamente o personagem mais interessante: a pessoa comum.
Falta um pouco mais de personalidade
O maior desafio daqui para frente será encontrar elementos capazes de fazer o espectador reconhecer O Grande Vencedor como um programa próprio. A estreia entrega diversão, ritmo e competência técnica, mas ainda falta aquela característica que faça alguém dizer: “isso só existe neste programa”.
Uma prova realmente marcante, uma dinâmica exclusiva, maior interação com quem está assistindo ou até mais espaço para o improviso de Gianne poderiam ajudar. Porque a apresentadora demonstra personalidade suficiente para isso.
Aliás, talvez a RedeTV! devesse confiar justamente nela para diferenciar o programa. Quanto menos engessada estiver e mais puder brincar com participantes, famosos e situações inesperadas, maior será a possibilidade de O Grande Vencedor desenvolver identidade própria.
A repercussão inicial
A cobertura da estreia foi majoritariamente receptiva à combinação entre Gianne e o formato. Veículos como F5, Splash e NaTelinha destacaram principalmente a identificação da apresentadora com o universo dos games, o dinamismo das provas e o prêmio ligado a viagens.
Ao mesmo tempo, a crítica publicada pelo O Dia sintetiza uma objeção importante que provavelmente acompanhará a atração: é possível reconhecer qualidades no resultado e, simultaneamente, questionar sua originalidade.
No momento desta análise, ainda não há material público suficientemente amplo e verificável para transformar comentários isolados nas redes sociais em um consenso de audiência. Portanto, é mais prudente falar em uma repercussão inicial do que atribuir ao público uma aprovação ou rejeição generalizada.
Vale a pena assistir O Grande Vencedor?
Sim. O Grande Vencedor teve uma estreia competente e representa uma boa adição à programação da RedeTV!. Não revoluciona o game show brasileiro e tampouco apresenta uma fórmula particularmente original. Porém, entrega aquilo que se propõe: entretenimento descomplicado, competição, torcida e diversão.
Gianne Albertoni sai especialmente fortalecida. Sua personalidade combina com o gênero e existe espaço para que o programa se transforme em uma vitrine importante para ela na televisão aberta.
A RedeTV! também merece crédito por voltar a investir em entretenimento produzido para sua grade. A própria emissora incluiu O Grande Vencedor em um pacote de novas atrações anunciado para o segundo semestre de 2026, dentro de uma estratégia para ampliar sua programação de realities, jornalismo e entretenimento.
Mas há uma contradição evidente: uma emissora que, ao apresentar sua nova programação, ressaltou seu histórico de inovação poderia ter sido mais ousada justamente na concepção de um novo game show.
O Grande Vencedor diverte, Gianne Albertoni convence e a produção surpreende positivamente. Falta apenas o programa deixar de parecer uma lembrança repaginada de algo que a própria RedeTV! já fez.
Se conseguir desenvolver identidade própria ao longo das próximas edições, pode se tornar uma das melhores apostas recentes de entretenimento do canal.
Pontos positivos e negativos de O Grande Vencedor
Pontos positivos: Gianne Albertoni à vontade e carismática; ritmo ágil; cenário bem produzido; provas variadas e fáceis de compreender; temática de viagens bem integrada ao jogo; prêmio com forte apelo emocional; participação efetiva das celebridades.
Pontos negativos: forte sensação de déjà-vu; semelhanças conceituais com O Último Passageiro; pouca inovação na mecânica geral; identidade própria ainda pouco definida; risco de os famosos ganharem mais destaque que os competidores.
O texto O Grande Vencedor estreia bem na RedeTV!, mas falta originalidade ao game de Gianne Albertoni foi publicado primeiro no Observatório da TV.