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Durante sabatina, Renan Santos defende política de ‘prendeu, matou’: “O sangue tem que jorrar”

Candidato do Missão também defendeu o desenvolvimento de armas nucleares, foi questionado ausência de políticas contra o feminicídio e declarações de Arthur do Val

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Foto: Reprodução/TV Globo

Renan Santos, candidato pelo partido Missão, passou pela sabatina da TV Globo na noite desta quarta-feira, 26, e defendeu desde o desenvolvimento de armamento nuclear até uma nova reforma da Previdência. A entrevista foi conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli.

Na parte econômica, Renan afirmou que o país precisará obrigatoriamente de uma nova reforma da Previdência. “Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência, senão vai quebrar e em três anos você não tem aposentadoria”, alertou. Sua estratégia para conter a dívida pública, que chegou a 81,9% do PIB em junho, combina corte de gastos com aumento do PIB.

Ele comparou o desafio fiscal ao que times como Palmeiras e Flamengo fizeram para evitar a falência, em contraste com clubes que “quebraram” por não adotar medidas semelhantes. Sobre meio ambiente, disse que os planos já existem nos estados e municípios e que o que falta é dinheiro para infraestrutura, a ser viabilizado com as reformas que, segundo ele, gerariam economia de R$ 1,1 trilhão em cinco anos.

Bomba nuclear e Coreia do Norte

Renan defendeu que o Brasil inicie um processo de desenvolvimento de capacidade nuclear como caminho para se tornar protagonista global. Ele reconheceu que o país não tem condições de ter armas nucleares nos próximos dez anos, mas argumentou que precisa “iniciar o processo de recuperação de soberania, de pesquisa, para sentar na mesa de discutir com o mundo”.

Quando confrontado com o dado de que a única nação que tirou o país do tratado de não proliferação de armas nucleares foi a Coreia do Norte, o candidato respondeu: “Pelo menos é respeitado internacionalmente”.

Mulheres, plano de governo e Arthur do Val

Com 92% dos filiados sendo homens, o Missão foi questionado sobre a ausência de políticas específicas contra o feminicídio. Renan atribuiu a baixa presença feminina à violência política de gênero sofrida por aliadas e ao fato de o partido ser novo. Sobre a falta de propostas voltadas à violência contra a mulher, disse que o foco de seu plano é o crime organizado e que ações específicas devem ser articuladas por estados e municípios.

O youtuber e ex-deputado Arthur do Val, cofundador do Missão, perdeu o mandato após áudio com declarações machistas sobre mulheres ucranianas. O candidato afirmou em uma live que estava ao lado do youtuber na hora da declaração. “Elas são fáceis, porque são pobres“, diz o áudio.

Ao ser confrontado com a declaração, Renan reconheceu que “não foi um áudio adequado”, mas argumentou que a perda do mandato se deveu ao fato de ele ser oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Segurança pública e a linha “prendeu, matou”

O candidato prometeu eliminar o crime organizado em um ano, com ocupação de territórios, mudanças na legislação penal e a construção de dez presídios com capacidade entre 30 e 40 mil vagas cada, a um custo de R$ 6 bilhões. Ao ser questionado sobre como evitar arbitrariedades, citou “o devido processo legal” e usou como exemplo a prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, apontada como ligada ao PCC.

Sobre El Salvador, negou conhecer casos de torturas e desaparecimentos atribuídos ao governo Bukele, chamando os relatos de “clichê que a mídia internacional fala”. Tralli reforçou que as informações são baseadas em denúncias do jornalismo profissional e de entidades de fiscalização. Renan respondeu que o derramamento de sangue já acontece no Brasil e que é o dos inocentes. “Os brasileiros morrem como se fossem bichos. A maior parte são meninos, em geral negros, morrem nas favelas”, disse, reafirmando sua defesa da linha “prendeu, matou”. “Eu acho que o sangue que tem que jorrar não é o do inocente, é o do bandido”, declarou.

STF e descumprimento de decisões

Renan Santos já declarou publicamente que descumpriria decisões do Supremo que julgasse ilegais. Na sabatina, reiterou a posição: “Não vou sair desrespeitando todas as medidas do STF, isso é absurdo”, mas acrescentou que não seguiria uma decisão monocrática que, no meio de uma operação policial, determinasse a paralisação e colocasse vidas em risco. Usou como exemplo uma decisão de Alexandre de Moraes que quebrou sigilo de fonte jornalística.