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Fundada em 1719 no ciclo do ouro, a capital mais quente do Brasil fica entre três biomas e é porta de entrada do Pantanal

Ciclo do ouro e três biomas.

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Cuiabá exige cuidados extras com hidratação e protetor solar, especialmente na seca, quando ilhas de calor elevam a sensação térmica. // Créditos: depositphotos.com / snehitdesign

No coração geográfico da América do Sul, Cuiabá é uma das capitais brasileiras mais atípicas. Fundada por bandeirantes paulistas em 8 de abril de 1719 no auge do ciclo do ouro, é hoje uma metrópole de 691 mil habitantes cercada por três biomas em confluência: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Também conhecida como Cidade Verde e Capital da Amazônia Meridional, é o principal ponto de partida para quem quer visitar o Pantanal, a Chapada dos Guimarães e o centro geodésico do continente sul-americano.

De pouso bandeirante a capital de Mato Grosso

A origem está diretamente ligada ao ciclo do ouro. Em 8 de abril de 1719, o bandeirante paulista Pascoal Moreira Cabral, nascido em Sorocaba, fundou oficialmente o povoado às margens do Rio Cuiabá. Anos mais tarde, outro bandeirante paulista, Miguel Sutil, descobriu jazidas de ouro nas encostas do que hoje é o centro histórico, o que atraiu ondas migratórias de todo o Brasil. O nome vem da língua dos índios Bororo, que habitavam a região, e significa pesca com flecha.

Cuiabá se tornou capital da província de Mato Grosso em 1818 e desde então concentra o poder político do estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município atual é formado por quatro distritos e faz divisa com cinco cidades. A estimativa populacional para 2025 é de 691.875 habitantes, com IDHM de 0,785 (alto). A região metropolitana, incluindo Várzea Grande, ultrapassa 1 milhão de moradores.

Viva o calor humano de Cuiabá, cidade vibrante onde sabores regionais, rio Cuiabá e pôr do sol intenso criam experiências inesquecíveis. // Créditos: depositphotos.com / alarico73

A cidade no encontro de três biomas brasileiros

Poucas capitais do mundo têm privilégio geográfico semelhante. Cuiabá está no centro de uma região onde se encontram três dos principais biomas do Brasil: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Essa posição faz da cidade um ponto de partida único para o ecoturismo, com acesso rápido a paisagens completamente diferentes em poucas horas de viagem. A vegetação predominante na área urbana é o Cerrado, mas o entorno guarda formações amazônicas ao norte e as planícies alagadas do Pantanal ao sul.

Outra particularidade geográfica reforça a vocação turística. A cerca de 62 km do centro, no município de Chapada dos Guimarães, fica o Centro Geodésico da América do Sul, marco simbólico visitado por turistas de vários países. A proximidade com a Chapada e com a região pantaneira mudou a agenda turística da capital, que deixou de ser apenas destino de negócios para virar hub de ecoturismo. Cuiabá é atualmente conhecida como a Porta de Entrada do Pantanal.

Centro histórico tombado pelo IPHAN

O centro histórico de Cuiabá foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e concentra os prédios mais antigos da cidade. A joia é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, construída em 1722 e considerada a igreja remanescente mais antiga de Cuiabá. Fica na Praça do Rosário e conserva talha barroca em dourado e prata em seu interior. Nas proximidades estão a Catedral Metropolitana Basílica do Senhor Bom Jesus, inaugurada em 1973 sobre os escombros da antiga catedral colonial, e o Palácio da Instrução, construção em pedra canga inaugurada em 1914, que hoje abriga o Museu de História Natural e Antropologia.

Outro endereço obrigatório é o SESC Arsenal, oficialmente Centro Cultural Jamil Boutros Nadaf, instalado no prédio do antigo Arsenal de Guerra da Província de Mato Grosso, cuja construção começou em 1819. É um dos principais espaços culturais do estado, com programação artística, gastronomia e feiras temáticas ao longo do ano. A Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho, iniciada em 1918 pelo Frei Ambrósio Daylé em inspiração no estilo da Notre-Dame de Paris, também faz parte do roteiro histórico obrigatório.

A cidade escondida próxima ao Pantanal que está se tornando um novo polo de oportunidades
Clima quente e seco exige hidratação e proteção solar extras em Cuiabá, especialmente entre agosto e outubro, quando o calor é mais intenso. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

O que fazer em Cuiabá?

O roteiro combina patrimônio histórico, natureza e o ponto de partida para as duas grandes excursões da região. Boa parte das atrações fica a menos de 15 minutos do centro.

  • Centro Histórico e Praça da República: com a Catedral Metropolitana, o Palácio da Instrução e a Igreja do Rosário e São Benedito, a mais antiga da cidade.
  • SESC Arsenal: centro cultural no antigo Arsenal de Guerra de 1819, com programação artística, restaurante e feiras de artesanato.
  • Museu Rondon de Etnologia: no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com acervo dedicado às etnias indígenas do estado.
  • Orla do Porto: cerca de 1.300 metros de calçadão revitalizado às margens do Rio Cuiabá, com bares, restaurantes e feiras noturnas.
  • Arena Pantanal: estádio multiuso com capacidade para 42.968 pessoas, construído para a Copa do Mundo FIFA 2014, sede do Cuiabá Esporte Clube e do Mixto Esporte Clube.
  • Parque Mãe Bonifácia: parque urbano com trilhas, pistas de caminhada e vegetação de Cerrado no coração da cidade.
  • Museu do Rio Cuiabá: instalado no antigo Mercado de Peixes, com acervo sobre a cultura ribeirinha e a formação do Rio Cuiabá.

Chapada dos Guimarães e Pantanal: os dois grandes bate-voltas

As duas maiores atrações da região ficam fora dos limites municipais, mas partem sempre de Cuiabá. São passeios obrigatórios de quem visita a capital pela primeira vez.

  • Parque Nacional da Chapada dos Guimarães: a 62 km de Cuiabá, com o famoso Véu de Noiva (queda d’água de 86 metros), o Mirante e a Casa de Pedra. Administrado pelo ICMBio.
  • Centro Geodésico da América do Sul: marco simbólico em Chapada dos Guimarães que registra o ponto central geográfico do continente sul-americano.
  • Caverna Aroe Jari e Gruta da Lagoa Azul: dentro da Chapada, com uma das cavernas de arenito mais longas do Brasil e uma lagoa de água azul-turquesa.
  • Pantanal Norte: acesso pela Transpantaneira (MT-060), a partir de Poconé, com pousadas rurais, focagem de onças-pintadas e passeios de barco.
  • Nobres e Bom Jardim: a cerca de 140 km, com balneários de flutuação em rios de águas cristalinas e visibilidade de até 15 metros.

O que se come na Cuiabá tradicional?

A gastronomia cuiabana é resultado de séculos de mistura entre indígenas, portugueses, africanos e imigrantes. Peixes de água doce, mandioca e frutos do Cerrado formam a base.

  • Peixe pintado na brasa: peixe símbolo dos rios do Pantanal, servido inteiro com farofa de banana, arroz e pirão.
  • Mojica de pintado: caldo grosso de pintado cozido com mandioca, temperado com pimenta e cheiro-verde, prato símbolo da culinária cuiabana.
  • Arroz com pequi: fruto do Cerrado cozido inteiro com arroz e temperos regionais, presente em restaurantes tradicionais.
  • Ventrecha de pacu: costela do peixe pacu grelhada na brasa, com pele crocante e carne macia, especialidade das casas ribeirinhas.
  • Bolo de arroz: doce típico cuiabano feito com arroz cozido, leite de coco e açúcar, presença obrigatória nos cafés tradicionais.

Como é o clima ao longo do ano

Cuiabá tem clima tropical, uma das capitais mais quentes do Brasil. A estação chuvosa vai de outubro a abril, e a seca de maio a setembro, quando a fumaça de queimadas no Pantanal pode afetar a qualidade do ar. As temperaturas máximas chegam a 40°C, e o inverno tem noites amenas com massas de ar frio ocasionais chamadas de invernada.

🌧️ Chuvas Nov-Mar
Média: 23-33°C
Chuva: Alta
Centro histórico e SESC Arsenal.
🌤️ Transição Abr-Mai
Média: 20-32°C
Chuva: Média
Chapada dos Guimarães com cachoeiras cheias.
☀️ Seca Jun-Set
Média: 17-35°C
Chuva: Baixa
Focagem de onças no Pantanal Norte.
⛅ Pré-chuva Out
Média: 22-38°C
Chuva: Média
Balneários de Nobres e flutuação em rios cristalinos.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Cuiabá

O Aeroporto Internacional Marechal Rondon, na cidade vizinha de Várzea Grande, é a principal porta de entrada, com voos diários de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras. Fica a apenas 10 km do centro de Cuiabá. Por rodovia, a capital é acessada pela BR-070, que a liga a Brasília (1.130 km), pela BR-163, principal eixo Norte-Sul do Centro-Oeste, e pela BR-364, que segue rumo a Porto Velho. Cuiabá integra os principais roteiros de ecoturismo do Brasil, junto à Chapada dos Guimarães e ao Pantanal Norte.

Leia também: Onde tudo parece maior, a “cidade dos exageros” diverte turistas e chama atenção de quem quer morar perto da capital.

A capital verde no coração do continente

Cuiabá é uma dessas cidades que resistem a rótulos. Capital do agronegócio, ponto de partida do ecoturismo, guardiã de um centro histórico tombado pelo IPHAN e cercada pelos três biomas brasileiros mais visitados por turistas estrangeiros. Poucas capitais do Brasil reúnem tantos atributos em um raio tão curto.

Você precisa conhecer Cuiabá num fim de semana de inverno, sair de manhã cedo para a Chapada dos Guimarães, almoçar uma mojica de pintado na Orla do Porto e reservar o dia seguinte para o Pantanal Norte para entender por que a Cidade Verde virou o ponto de partida obrigatório para descobrir o Centro-Oeste do Brasil.