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90 filhotes de uma só vez: o papagaio mais pesado do mundo celebra um ‘boom’ histórico de filhotes
Noventa filhotes colocam o kākāpō no melhor momento de recuperação em décadas
O kākāpō, considerado o papagaio mais pesado do mundo, acaba de alcançar um marco que parecia improvável há poucas décadas. Na temporada reprodutiva de 2026, 90 filhotes sobreviveram até os 150 dias de vida e foram incorporados oficialmente à população da espécie. Com isso, o total chegou a 325 aves, o maior número da era moderna de recuperação e possivelmente o primeiro acima de 300 em cerca de 75 anos.
Por que nasceram tantos filhotes nesta temporada?
O resultado está ligado ao ciclo reprodutivo incomum do kākāpō, que não costuma se reproduzir todos os anos. A reprodução depende fortemente da frutificação intensa de árvores nativas, especialmente o rimu. Em 2026, essa oferta de alimento voltou a ocorrer depois de quatro anos sem temporada reprodutiva.
A abundância de frutos fornece alimento para as fêmeas e para os filhotes em crescimento. Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, a espécie geralmente se reproduz a cada dois a quatro anos. Cada oportunidade é decisiva para uma ave que ainda é classificada como criticamente ameaçada.
Quais números mostram o tamanho desse baby boom?
A temporada foi a maior já registrada pelo programa de recuperação. Ao longo do ciclo, 79 fêmeas fizeram ninhos, 258 ovos foram postos e 106 filhotes nasceram. Desses, 90 alcançaram 150 dias, idade usada pelo programa como marco para considerar os jovens independentes e incluí-los na população oficial.
Os números ajudam a dimensionar o resultado:
- 79 fêmeas fizeram ninhos.
- 258 ovos foram registrados.
- 106 filhotes nasceram.
- 90 jovens chegaram aos 150 dias.
- A população oficial alcançou 325 aves.

Como esse papagaio quase desapareceu da natureza?
O kākāpō é uma ave noturna, terrestre e incapaz de voar. Essas características funcionaram durante muito tempo em um ambiente sem vários dos mamíferos predadores encontrados em outras partes do mundo. A chegada de espécies introduzidas, como gatos, ratos e arminhos, mudou esse equilíbrio e contribuiu para uma queda severa da população.
Quando o programa de recuperação começou, em 1995, restavam apenas 51 indivíduos conhecidos, entre eles somente 20 fêmeas. Desde então, conservacionistas passaram a acompanhar reprodução, genética, saúde e deslocamento das aves. Hoje, cada indivíduo das populações monitoradas utiliza um pequeno transmissor para que sua atividade e localização possam ser acompanhadas.
O que torna o kākāpō tão diferente de outros papagaios?
Além de não voar, a espécie tem corpo robusto e pode chegar a aproximadamente quatro quilos, característica que lhe rendeu o título de papagaio mais pesado do mundo. Os machos também adotam uma estratégia de reprodução peculiar. Durante o acasalamento, produzem chamados graves e repetitivos para atrair as fêmeas.
Algumas características ajudam a entender por que sua recuperação exige tanto cuidado:
- é uma ave de hábitos predominantemente noturnos.
- não consegue voar e passa grande parte do tempo no solo.
- reproduz-se somente em anos favoráveis de abundância de alimento.
- as fêmeas cuidam sozinhas dos ovos e dos filhotes.
- a população ainda apresenta baixa diversidade genética.
Por que 90 filhotes representam tanto para a conservação?
O número ganha outra dimensão quando comparado ao início do trabalho. O Departamento de Conservação afirma que, nos primeiros anos do programa, foram necessários 16 anos para produzir a mesma quantidade de 90 filhotes obtida agora em uma única temporada. O crescimento para 325 aves mostra o efeito acumulado de décadas de proteção contra predadores, acompanhamento de ninhos e manejo reprodutivo.
Mesmo assim, aumentar o número de aves já não é o único objetivo. O próximo passo é criar populações capazes de se manter com menos intervenção humana. Em 2026, o programa testou menos verificações de ovos e filhotes e reduziu a suplementação de alimento em algumas situações, usando monitoramento remoto para acompanhar os ninhos.

O recorde significa que a espécie está fora de perigo?
A chegada dos 90 novos jovens é um marco histórico, mas 325 indivíduos ainda formam uma população muito pequena para uma espécie inteira. Os kākāpō permanecem concentrados em poucas áreas protegidas e livres de predadores na Nova Zelândia, enquanto baixa diversidade genética, fertilidade reduzida e disponibilidade de habitat seguro continuam entre os desafios da recuperação.
O recorde de 2026 mostra, porém, o quanto a situação mudou desde os 51 sobreviventes conhecidos em 1995. Uma ave que esteve muito perto de desaparecer conseguiu ultrapassar novamente a marca de 300 indivíduos. Para os conservacionistas, o baby boom não encerra o trabalho, mas abre espaço para planejar não apenas como impedir a extinção, e sim como devolver à espécie uma população mais numerosa e autossustentável.