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Cessar-fogo fracassa, e EUA e Irã estão de volta à guerra

EUA retomam bombardeios ao Irã e matam quatro pessoas durante festa de casamento. Teerã retalia e dispara contra bases na Jordânia, Bahrein e Kuwait. Presidente americano sugere rebatizar Estreito de Ormuz como "Estreito de Trump"

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Donald Trump foi o responsável pelo retorno dessa franquia de sucesso
Créditos: depositphotos.com / palinchak

Visivelmente nervosa, Motahara gravou um vídeo em que denuncia o ataque dos Estados Unidos a uma festa de casamento em Kuhestak, no extremo sul do Irã, ao lado do Estreito de Ormuz. Vestida com um hijab de cor púrpura e com as mãos enfeitadas com henna, ela confirmou o bombardeio à casa do primo do marido. “Sim, eles (americanos) o fizeram. A casa de Mohammad Rasoul, o primo de meu esposo. (…) Eu estou tremendo até agora. Deus tenha misericórdia. Não sabemos quantas pessoas estavam na casa. Não havia nenhum local militar perto”, disse.

O Irã denunciou um “crime de guerra”. Pelo menos quatro pessoas morreram na celebração das bodas: Zarkhatoon Taheri, 50 anos; Kolsum Mallahi Nazhdia, 43; Mohamad Mallahi, 16; e Amirali Karimi, quatro. Outras 14 mortes foram registradas em explosões nas províncias de Homorzgan, Sistan-Baluchestan, Kerman e Khuzestan. A Guarda Revolucionária Iraniana anunciou quatro mortos em suas fileiras e retaliou com o disparo de mísseis e de drones contra bases dos EUA na Jordânia, no Kuwait, no Irã e em Bahrein. O regime islâmico sinalizou com uma “nova estratégia de guerra”. 

“Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico fará seus alicerces em pedaços”, publicou na rede social X o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai. O presidente americano, Donald Trump, escreveu em sua plataforma Truth Social que não está forçando o Irã a ir à mesa de negociações. “Não estou nem aí se eles assinarem um acordo que, para eles, não vale nada. Gosto muito mais da nossa posição atual, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles em colapso total. Eles estão apenas protelando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?”, questionou. Desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro passado, Trump apostava em uma revolução popular que levasse à derrocada do regime dos aiatolás. 

Ao receber jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, ele anunciou que estava pronto para ordenar novos bombardeoos ao Irã. “Ontem (terça-feira) à noite destruímos muito mais do que o radar deles. Foi um ataque muito contundente, e estamos preparados para lançar outro a qualquer momento que quisermos”, afirmou. Seis dias depois depois de assinar um decreto em que mudou o nome do Lago Ontário para Lago América, o republicano fez nova proposta nesta terça-feira: “Agora que o temos sob controle dos EUA, deveríamos mudar o nome ‘Estreito de Ormuz’ para ‘Estreito de Trump’? Como os próprioa EUA, será mais ‘sedutor’ do que nunca”. Nas últimas semanas, o titular da Casa Branca reivindicou a soberania sobre o Estreito de Ormuz. Chegou a publicar um mapa que mostra o canal marítimo como “novo território americano”. 

“É Satanás”

Pouco depois do ataque ao casamento em Kuhestak, circularam pela internet vídeos em que se viam escombros e se escutavam gritos de pessoas. “Vocês, malvados, atacaram as casas das pessoas e transformaram um casamento em um funeral”, afirma um homem em um vídeo divulgado pela agência de notícias Fars. Em outras imagens, um jornalista da televisão estatal mostra um pedaço de metal carbonizado que, segundo ele, seria um fragmento do “míssil americano (…) que transformou uma festa de casamento em uma tragédia”. 

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de “Satanás”. “Se uma potência age como Satanás, escolhe alvos como Satanás e mata como Satanás, é Satanás”, afirmou Ghalibaf em uma publicação na rede social X, retomando o termo usado contra Washington desde a Revolução Islâmica de 1979. O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Tim Hawkins, afirmou que “as Forças Armadas americanas nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária” iraniana. 

O repouso do gigante

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, que gerou controvérsias devido às condições enfrentadas a bordo por sua tripulação durante uma viagem de mais de nove meses, chegou a um porto tailandês. O enorme navio de propulsão nuclear atracou em Laem Chabang, ao sul da capital Bangcoc,depois de286 dias no mar. Os quase 5 mil tripulantes têm permissão para passar cinco dias no balneário de Pattaya, um destino popular de férias para as tropas americanas desde a Guerra do Vietnã. O USS Abraham Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 para uma missão no Mar do Sul da China e foi desviado para o Oriente Médio antes dos ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, que desencadearam uma guerra regional há seis meses. Relatos sobre a deterioração das condições de vida e questões de saúde mental a bordo, incluindo tentativas de suicídio, reacenderam as críticas ao conflito bélico do presidente Donald Trump com a República Islâmica.

Netanyahu vai a Gaza e descarta retirada 

Com colete à prova de balas e capacete, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou a Faixa de Gaza, a sete semanas das eleições legislativas de 27 de outubro e a pouco mais de um mês do terceiro aniversário do massacre cometido pelo Hamas no sul do país. O chefe de governo descartou uma retirada militar do enclave palestino. “Nós controlamos o território aqui. Não estamos nos retirando. Estamos permanecendo sobre esta linha. Controlamos 60% da Faixa (de Gaza). E há mais por vir, pois estamos eliminando os terroristas que nos ameaçam — fazemos isso dia após dia”, declarou Netatanyahu em mensagem divulgada por vídeo a partir de uma posição militar perto da Linha Amarela, em Gaza. 

“Estamos fazendo todo o necessário para alcançar nosso objetivo — desarmar o Hamas e desmilitarizar Gaza, e (garantir que) Gaza não representará mais uma ameaça a Israel”, acrescentou o premiê israelense. “Em grande medida, esse objetivo foi alcançado. Ainda há trabalho a ser concluído — e nós o concluiremos.” Por sua vez, Israel Katz, ministro da Defesa de Netanyahu, declarou que o governo tem planos para realocar palestinos de Gaza, mas que espera uma decisão dos Estados Unidos sobre para onde levá-los. “Em última análise, não existe uma verdadeira solução para Gaza sem esta migração”, disse Katz durante uma conferência organizada pelo site de notícias israelense Ynet e pelo jornal Yedioth Ahronoth. O governo israelense “está organizado e preparado para retirá-los de lá, por mar, por ar, por qualquer meio possível”, afirmou.