Brasil
PEC 6×1: Lula responsabiliza aliados de Flávio por travar votação
Presidente diz que governo segue mobilizado para aprovação da matéria no Senado Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais, nesta quinta-feira (3/9), para responsabilizar aliados do seu adversário, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), pela não aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 no plenário do Senado Federal na quarta-feira (2).
“Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu.
A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) ontem, mas não avançou para o plenário. O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu à imprensa que a votação pode ficar para outubro, caso não haja uma sessão extraordinária ainda em setembro.
Houve uma preocupação com a quantidade de votos. Para a aprovação da matéria, eram necessários 49 votos favoráveis em dois turnos. “Nós consultamos o presidente Davi (Alcolumbre, presidente do Senado). Ele fez a seguinte pergunta: ‘vocês têm certeza do número de votos?’ Nós checamos, fizemos a verificação necessária. Não tínhamos”, explicou o líder.
Segundo o presidente Lula, o governo continua mobilizado para garantir a aprovação do fim da escala 6×1. Ele defendeu a medida e disse que os brasileiros estão “cansados de esperar” por uma mudança. Também criticou o discurso de que a concessão de direitos aos trabalhadores causaria o colapso financeiro do país.
“As justificativas são as de sempre. Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º. Uma história que se repete desde os tempos do fim da escravidão”, escreveu.
A postagem marca uma mudança no tom do presidente, que cultiva um bom momento na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Antes, quando a pauta da 6×1 estava travada na Casa, o mote dos discursos de governistas era “Congresso inimigo do povo”.
Nas últimas semanas, Lula e Alcolumbre realizaram uma série de agendas que selaram uma melhora na relação, que estava estremecida desde que o Senado Federal rejeitou a indicação do advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O nome não era o favorito de Alcolumbre e, portanto, o senador articulou sua derrubada.
Após as reuniões, a pauta prioritária do governo foi destravada no Senado. Nesta semana, foram aprovadas na CCJ as propostas de emenda à Constituição (PECs) do fim da escala 6×1 e a da Segurança Pública. O plenário do Senado ainda aprovou projetos como o que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e o que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).
Por fim, a medida provisória que pôs fim à “taxa das blusinhas” deve ser votada no plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal nesta quinta-feira.