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Uma “Suíça do Rio de Janeiro” chega com frio de 4 °C no inverno e nasceu após uma erupção vulcânica em 1815
A cidade de influência suíça no RJ.
O cheiro de fondue, o som dos sinos da capela e o frio de serra recebem quem sobe até Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A cidade nasceu de uma tragédia climática do outro lado do mundo e virou a primeira colônia europeia não portuguesa do Brasil.
Como um vulcão indonésio criou uma cidade no Rio
Em 1815, o vulcão Tambora entrou em erupção na Indonésia e lançou tanta cinza na atmosfera que o ano seguinte ficou conhecido na Europa como o “ano sem verão”. Colheitas fracassaram, e no cantão suíço de Fribourg começou o êxodo que cruzaria o Atlântico.
Em julho de 1819, mais de duas mil pessoas embarcaram rumo ao Novo Mundo. O rei Dom João VI autorizou a colonização, e nasceu a primeira colônia não portuguesa organizada do Brasil. O preço foi alto: só no primeiro ano, 146 imigrantes morreram de malária, a chamada febre de Macacu, segundo a MultiRio, plataforma da Prefeitura do Rio.

A herança de dez nações em uma só serra
Depois dos suíços vieram alemães, italianos, portugueses, sírio-libaneses e outros. Ao todo, dez nacionalidades participaram da formação da cidade, um caso raro na colonização brasileira. Os alemães fundaram, em 1824, a primeira comunidade luterana do Brasil e da América Latina.
Essa mistura moldou a arquitetura de telhados inclinados, o gosto pelos laticínios, o chocolate artesanal e a tradição do fondue. Nas ruas do centro, casarões europeus dividem espaço com igrejas coloniais e cafés que funcionam há gerações.
O que fazer em Nova Friburgo além de comer fondue?
A cidade combina trilhas de montanha, vilarejos rústicos e um centro histórico com jeito de vila alpina. Muitas atrações ficam a menos de 40 minutos do centro.
- Pico da Caledônia: a 2.257 m, é a segunda maior montanha da Serra do Mar. A subida final tem uma escadaria de 630 degraus.
- Pedra do Cão Sentado: trilha de cerca de 1 km que passa por grutas e cavernas até o topo com vista da serra.
- Parque Estadual dos Três Picos: a maior unidade de conservação da Mata Atlântica no estado, ideal para montanhismo.
- Lumiar: distrito rústico famoso pelas cachoeiras cristalinas e pelo Encontro dos Rios.
- São Pedro da Serra: vila boêmia com bares, artesanato e pousadas na mata.
- Memorial da Colonização Suíça: reúne acervo, fotos e documentos dos primeiros imigrantes.
- Teleférico do Suspiro: parte da Praça do Suspiro e sobe até o Morro da Cruz, com vista panorâmica.
- Distrito de Mury: concentra os restaurantes de fondue, truta e cozinha alemã.

O sabor da serra em uma mesa perto da lareira
O fondue é a estrela absoluta do inverno friburguense, servido em pousadas e restaurantes do centro e de Mury. Os cardápios trazem também truta fresca, defumados alemães e sobremesas com chocolate artesanal produzido na região.
Cervejarias artesanais e queijarias completam o roteiro gastronômico. A Frialp Queijaria e Chocolataria abre visitação para mostrar a maturação de queijos de inspiração suíça e o processo do chocolate feito ali mesmo.
Como é o clima ao longo do ano?
O frio é o grande convite, e o inverno é a alta temporada. No verão, as tardes chuvosas dão lugar a manhãs abertas na serra.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Nova Friburgo
Nova Friburgo fica a 136 km da capital fluminense, pouco mais de 2 horas de carro pela BR-116 e RJ-116. A cidade também é atendida por linhas regulares de ônibus a partir da Rodoviária Novo Rio. Quem vem de fora costuma pousar no Aeroporto do Galeão e alugar carro para subir a serra.
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Suba a serra e conheça Nova Friburgo
Poucos destinos brasileiros carregam uma história tão improvável: uma erupção vulcânica na Indonésia empurrou suíços até o meio da Mata Atlântica e criou uma cidade europeia a duas horas do Rio. Trilhas de montanha, cachoeiras cristalinas e mesas com fondue fazem o resto.
Você precisa passar um fim de semana em Nova Friburgo e sentir o frio de serra que corre nas veias dessa cidade nascida de um vulcão.