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Flávio Bolsonaro diz que Moraes não tem condição de seguir no STF

Candidato do PL afirmou que espera autorização do plenário da Corte para investigar formalmente o ministro e criticou o presidente Lula

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Foto: Reprodução/Globo

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (4/9), em São Carlos (SP), que o ministro Alexandre de Moraes “não tem a menor condição de continuar” no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada em entrevista coletiva durante agenda ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Flávio defendeu o fim do inquérito das fake news e a criação de um código de ética para a Corte, propostas que também vêm sendo discutidas no STF em meio à crise provocada pelas investigações relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio disse esperar que o plenário do Supremo autorize uma investigação formal contra Moraes. “É inadmissível chegarmos ao ponto de fazer o que Alexandre Moraes está fazendo”, afirmou. Segundo o candidato, a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso permitiu à população conhecer o conteúdo das investigações. “Hoje a população toda, em função do sigilo que foi retirado dessa investigação envolvendo o Banco Master, pôde ver como é que ele (Moraes) operava de Brasília”, declarou.

O caso ganhou repercussão após a Polícia Federal encontrar, em materiais apreendidos na investigação contra Vorcaro, mensagens e documentos que fazem referência a Moraes e a um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

A crise se intensificou depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, determinou o levantamento do sigilo de parte do material produzido pela PF. A Procuradoria-Geral da República, porém, questionou a validade da apuração envolvendo Moraes e pediu a anulação de atos relacionados às conversas.

Em reação, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, informações que apontam possíveis irregularidades na condução de investigações sob relatoria de Mendonça e pediu providências. Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre os procedimentos adotados.

Na entrevista, Flávio também acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de manter um “consórcio” com pessoas que, segundo ele, estariam contribuindo para o que classificou como destruição da democracia. O candidato convocou apoiadores para manifestações previstas para 7 de setembro e afirmou que pretende mudar os critérios para futuras indicações ao Supremo.

“O critério para que um homem ou uma mulher vá para o Supremo Tribunal Federal não pode ser amizade”, disse. Flávio defendeu que os indicados sejam pessoas que respeitem a Constituição e se posicionem contra o aborto e as drogas, além de não utilizarem o cargo para perseguição política ou benefício familiar.

Dark Horse

A investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse pelo Banco Master revelou que Flávio Bolsonaro buscou um patrocínio privado para a produção que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador do PL, porém, afirmou que não há irregularidades no financiamento, que foi conduzido de boa fé e não teve contrapartida pelo seu status como parlamentar. A investigação da Polícia Federal está focada em verificar se houve vantagem indevida envolvendo um agente público e um agente privado.

O banqueiro Daniel Vorcaro destinou um total de R$ 61 milhões para cinebiografia.