Técnicos de celular concordam: "Para a bateria do smartphone durar mais anos, não deixe descarregar até 0%, mas coloque na tomada quando bater 20% e retire a capinha traseira ao carregar" - Super Rádio Tupi
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Técnicos de celular concordam: “Para a bateria do smartphone durar mais anos, não deixe descarregar até 0%, mas coloque na tomada quando bater 20% e retire a capinha traseira ao carregar”

Técnicos alertam contra deixar chegar a 0% e explicam o momento ideal para carregar.

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Cada vez que a bateria desce abaixo de vinte por cento, ela entra numa zona de descarga profunda que aumenta a resistência interna das células.

Você comprou o celular há dois anos e a bateria do smartphone que aguentava um dia inteiro agora pede tomada no meio da tarde. Não é defeito, é o desgaste que vem da rotina de carga que quase todo mundo faz sem pensar. A técnica que os assistentes técnicos repetem, não descarregar até zero, plugar em vinte por cento e tirar a capinha, tem base científica sólida e faz diferença de verdade na vida útil da bateria.

Por que aquela bateria que durava um dia inteiro cansou tão rápido?

Todo mundo já viveu isso. O celular novo aguenta manhã, tarde, noite e ainda sobra carga na hora de dormir. Dois anos depois, você sai de casa às nove com cem por cento, e às três da tarde já está procurando tomada em qualquer padaria. Parece que o aparelho envelheceu de repente, mas o processo foi gradual, silencioso e, em boa parte, ajudado por hábitos ruins de carregamento.

A boa notícia é que dá para atrasar bastante essa perda de fôlego. A ruim é que isso exige mudar duas ou três coisas na rotina, coisas que a maioria dos tutoriais de celular explica pela metade ou baseia em mitos antigos. Vale entender a química por trás antes de repetir qualquer receita.

O celular novo aguenta manhã, tarde, noite e ainda sobra carga na hora de dormir.

O que a bateria do celular tem de tão diferente das antigas?

Praticamente todos os smartphones atuais usam bateria de íon-lítio, uma tecnologia que substituiu as antigas baterias de níquel-cádmio nos anos 1990. Segundo a Wikipédia, essas baterias não têm efeito memória, o famoso “vício” das antigas, o que significa que você não precisa descarregar até o total e nem carregar até o total para preservar a capacidade.

É por isso que aquele conselho da década de 1990 de “descarregar tudo antes de carregar” virou o oposto do certo. Na tecnologia atual, o desgaste vem do estresse das voltagens extremas, tanto perto de zero por cento quanto perto de cem. Ficar no meio termo, entre vinte e oitenta, é o segredo para a bateria durar mais ciclos de vida.

Por que deixar chegar em zero é tão ruim?

Cada vez que a bateria desce abaixo de vinte por cento, ela entra numa zona de descarga profunda que aumenta a resistência interna das células. Esse aumento é permanente, e vai se somando com o tempo. Alguns celulares nem chegam ao “zero real”: eles desligam com uma pequena reserva justamente para evitar esse dano, mas a exposição repetida ainda cobra seu preço.

Do outro lado, ficar em cem por cento por horas seguidas (aquele hábito de carregar a noite inteira) também deteriora as células, ainda que em menor intensidade nos aparelhos modernos, que interrompem a corrente ao chegar no topo. A regra prática que os técnicos ensinam é manter a carga entre vinte e oitenta por cento na maior parte do tempo.

Quais são os cinco cuidados que fazem diferença de verdade?

Vale separar os pontos que mais impactam a longevidade, para saber onde vale mudar a rotina.

1
Plugar antes de bater 20% Cada descarga profunda aumenta a resistência interna e reduz o número total de ciclos que a bateria vai entregar.
2
Evitar deixar em 100% por muito tempo A voltagem máxima estressa as células. Se puder tirar da tomada entre 80% e 90%, melhor ainda.
3
Não usar o celular carregando com jogo pesado Processador em alta produz calor. Somado ao calor da carga, é combustão dupla dentro do aparelho, direto na célula.
4
Tirar a capinha se o celular esquenta Capa grossa funciona como isolante térmico e prende o calor. Retirar na hora da carga ajuda a dissipar o calor pela parte de trás.
5
Fugir de sol direto e carro fechado Temperatura ambiente acima de 35°C é o pior inimigo da bateria. Um painel de carro no verão pode ultrapassar 60°C rapidinho.

A capinha realmente atrapalha o carregamento?

Este é o ponto mais interessante da técnica, e tem confirmação oficial de fabricante. A documentação de suporte da Apple recomenda expressamente: retire a capinha se o iPhone tende a esquentar enquanto carrega. O motivo é físico. A carga rápida gera calor pela resistência interna da bateria, e esse calor precisa escapar pela parte de trás do aparelho, geralmente feita de vidro ou alumínio, materiais que dissipam bem a temperatura.

Capas de silicone, borracha ou couro são ótimas para proteger de queda, mas funcionam como cobertor térmico. Testes com câmeras termográficas mostraram diferenças de até 8°C entre um celular carregando com e sem capinha grossa, o suficiente para acelerar a degradação da bateria ao longo dos meses. A recomendação vale especialmente para carregamento rápido, quando a produção de calor é mais intensa.

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Como esses cuidados se comparam na prática?

A tabela ajuda a bater o olho na diferença entre a rotina que gasta a bateria rápido e a que estende a vida útil dela.

Situação Hábito comum Hábito recomendado
Nível de carga do dia Rotina de uso Deixar chegar em 5% ou até 0% Plugar entre 20% e 30%
Carregar durante a noite Deixa na tomada até de manhã Fica em 100% por horas Usar limite ou tirar antes
Carregando e jogando Uso pesado com o cabo Aparelho esquenta muito Fechar apps e deixar carregar em paz
Capinha grossa no carregador Silicone ou couro Nunca tira, esquenta e trava a dissipação Retirar na hora da carga
Local do carregamento Escolha do ambiente Painel do carro no sol Superfície fria, longe de luz direta

Vale a pena mudar a rotina de carga do celular?

Quem segue essa combinação de hábitos costuma ver a bateria manter uma saúde acima de oitenta por cento por três ou quatro anos, enquanto quem carrega no automático, com capa grossa e deixando chegar em zero, sente o desempenho cair pela metade em pouco mais de dois. A conta fecha: um pouco de atenção diária evita a troca de aparelho antes da hora ou o gasto com bateria nova em assistência técnica.

A cena do começo, aquela do celular pedindo tomada no meio da tarde, tem quase sempre a mesma origem: rotina antiga de bateria antiga aplicada em tecnologia nova. Íons de lítio não precisam do tratamento que a bateria da câmera do seu pai pedia. Eles pedem o contrário: nem os extremos de zero, nem os de cem, nem o calor extra que a capa e o carregamento em alta velocidade acumulam. Mudar isso não custa nada, e o celular agradece por mais uns dois anos.

💡 Curiosidade A primeira bateria comercial de íon-lítio foi lançada pela Sony em 1991, e a tecnologia continua sendo a mesma família química presente em quase todo smartphone vendido hoje no mundo.