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Em 1973, um mergulhador começou a afundar barcos velhos para criar abrigo no fundo do mar e, décadas depois, mais de 30 embarcações formavam um recife artificial cheio de vida

Mergulhador afunda barcos velhos e cria recife artificial cheio de vida

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Em 1973, um mergulhador começou a afundar barcos velhos para criar abrigo no fundo do mar e, décadas depois, mais de 30 embarcações formavam um recife artificial cheio de vida
Mais de 30 barcos passaram a formar recifes artificiais

O fundo arenoso próximo a Gibraltar parecia oferecer poucos esconderijos para peixes e outros organismos marinhos. Em 1973, o mergulhador Eric Shaw começou a desenvolver uma solução incomum: aproveitar embarcações que não seriam mais utilizadas para criar estruturas submersas. Décadas depois, mais de 30 barcos passaram a integrar uma extensa rede de recifes artificiais, oferecendo superfícies, cavidades e áreas protegidas para diferentes formas de vida.

Como surgiu a ideia de colocar barcos antigos no fundo do mar?

Shaw percebeu que grandes trechos do fundo marinho ao redor de Gibraltar eram dominados por areia. Esse tipo de ambiente pode abrigar diversas espécies, mas oferece menos superfícies rígidas e cavidades do que uma região rochosa, características importantes para muitos organismos encontrarem abrigo e locais de fixação.

A proposta foi introduzir estruturas tridimensionais, nas quais antes predominava um fundo relativamente uniforme. Em vez de construir tudo do zero, embarcações antigas e sem utilização começaram a ser aproveitadas como base para o desenvolvimento do recife artificial.

Por que um barco afundado pode rapidamente atrair vida marinha?

Depois de permanecer debaixo d’água, o casco deixa de ser apenas uma embarcação abandonada. Sua superfície pode começar a ser colonizada por organismos fixos, enquanto aberturas, paredes e espaços internos criam refúgios para animais de diferentes tamanhos.

A estrutura pode oferecer elementos que não existiam anteriormente naquele ponto:

  • Superfícies rígidas onde organismos podem se fixar;
  • Cavidades utilizadas como esconderijo;
  • Áreas sombreadas protegidas da corrente;
  • Espaços onde peixes menores conseguem buscar abrigo;
  • Pontos de alimentação para diferentes espécies;
  • Maior complexidade física em um fundo predominantemente arenoso.
Em 1973, um mergulhador começou a afundar barcos velhos para criar abrigo no fundo do mar e, décadas depois, mais de 30 embarcações formavam um recife artificial cheio de vida
Mais de 30 barcos passaram a formar recifes artificiais

Como mais de 30 embarcações transformaram o ambiente?

O projeto cresceu gradualmente. Ao longo das décadas, mais de 30 embarcações foram afundadas de maneira planejada em diferentes pontos das águas de Gibraltar. Com cada nova estrutura, aumentava também a quantidade de superfícies e espaços disponíveis para colonização.

O resultado não apareceu de um dia para o outro. Primeiro chegam organismos capazes de se fixar no material submerso. Depois, essa nova comunidade cria alimento e abrigo para outras espécies. Aos poucos, um conjunto de cascos pode assumir a função de uma espécie de bairro submarino, com animais utilizando áreas diferentes da estrutura.

Por que o local passou a ser comparado a um berçário de peixes?

Peixes jovens possuem maior vulnerabilidade a predadores e costumam se beneficiar de ambientes com muitos esconderijos. Uma embarcação submersa apresenta vigas, aberturas, pequenos espaços e obstáculos que podem permitir que animais menores permaneçam protegidos enquanto crescem.

Além disso, quanto maior a variedade de organismos fixados sobre os cascos, maior pode se tornar a disponibilidade de alimento ao redor dessas estruturas. Essa combinação entre abrigo e recursos ajuda a explicar por que recifes artificiais podem concentrar grande quantidade de vida quando são instalados e administrados de maneira adequada.

Em 1973, um mergulhador começou a afundar barcos velhos para criar abrigo no fundo do mar e, décadas depois, mais de 30 embarcações formavam um recife artificial cheio de vida
Mais de 30 barcos passaram a formar recifes artificiais

É possível simplesmente afundar qualquer barco para criar um recife?

Não. Uma embarcação precisa ser cuidadosamente preparada antes de ser utilizada para essa finalidade. Combustíveis, lubrificantes, equipamentos soltos e outros materiais potencialmente poluentes precisam ser retirados para diminuir riscos ao ambiente marinho.

Um projeto adequado também precisa considerar fatores como:

  • Profundidade do local escolhido;
  • Correntes marítimas;
  • Estabilidade da embarcação no fundo;
  • Presença de habitats naturais próximos;
  • Materiais existentes dentro do casco;
  • Impactos sobre navegação, pesca e outras atividades marítimas.

O que a experiência de Gibraltar ensina sobre recifes artificiais?

A iniciativa mostra como adicionar estrutura física a determinados ambientes pode alterar profundamente as oportunidades disponíveis para a vida marinha. Um casco não se transforma em recife apenas porque foi afundado, mas pode servir de base para um processo gradual de colonização, no qual pequenos organismos ocupam as superfícies e outras espécies passam a utilizar o novo habitat.

O que começou em 1973 como uma tentativa de oferecer abrigo em um fundo predominantemente arenoso cresceu durante décadas e reuniu mais de 30 embarcações. A imagem final é bastante diferente daquela que Eric Shaw encontrou no início: onde havia principalmente areia, surgiram estruturas cobertas por organismos e frequentadas por peixes, mostrando como um objeto que perdeu sua função na superfície pode assumir uma completamente nova debaixo do mar.